Preso numa ilha até construir um veleiro: a travessia de MrBeast e quatro amigos que terminou a 800 metros da chegada

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Resumo

Jimmy (MrBeast), Chandler, Nolan, Hase e Darius são deixados numa ilha no meio do Oceano Pacífico com uma regra: a única saída é construir um veleiro e navegar quilômetros em mar aberto até outra ilha, visível no horizonte. Jimmy explica que a ideia nasceu de uma fantasia antiga, a de saber se ele e os amigos conseguiriam escapar se ficassem presos numa ilha. Nenhum dos cinco sabe velejar, e o grupo trabalha só com o que encontra: bambu da mata e lixo trazido pela maré. O vídeo acompanha cerca de uma semana de construção e uma travessia de quase 12 horas que termina muito perto do objetivo, mas sem chegar lá.

16 min de leitura

Os primeiros passos: abrigo, suprimentos e a dimensão do problema

Antes de pensar no barco, o grupo precisa sobreviver. O plano é coletar materiais e montar um abrigo "pra essa ilha não matar a gente antes de conseguir escapar". O resultado do primeiro dia é uma espécie de forte numa árvore, montado com nós amarrados por Chandler enquanto alguém o segura no alto.

O grupo recebe uma caixa com uma pequena quantidade de itens de sobrevivência, incluindo água. Jimmy ressalta que pode parecer bastante, mas ela precisa durar até o veleiro ficar pronto, e ninguém sabe quanto tempo isso vai levar, porque, nas palavras dele, são "só um bando de youtubers tentando construir um abrigo do nada". A dificuldade com o abrigo já serve de aviso: se montar um forte custa tanto esforço, o veleiro vai custar muito mais.

O modelo que precisam construir aparece numa animação em 3D, e a primeira reação de um dos participantes é dizer que aquilo é impossível. À noite, em volta da fogueira, Jimmy pergunta a cada um se já construiu um veleiro. Todos respondem que não. O único com alguma experiência é Hase, que, segundo Jimmy, "meio que já fez um" num vídeo anterior. Por isso ele foi chamado.

A maquete de Hase e as metas do projeto

Na manhã do segundo dia, Hase já está trabalhando antes de todo mundo acordar. Ele apresenta uma maquete: dois cascos, vigas transversais por cima e um mastro no centro. Para a vela da miniatura, ele pede um pedaço da camisa de Nolan. O modelo flutua, e Jimmy define a escala do desafio: o protótipo funciona, mas o barco real precisa ser 30 ou 40 vezes maior, aguentar 450 quilos e levar o grupo até a outra ilha.

O material principal sugerido é o bambu, leve e por isso bom para flutuar. O problema é que o bambuzal fica no meio da mata. Antes de entrar, Hase convoca uma "reunião de emergência" para alertar sobre jararacas, cobras-de-pestana e aranhas-armadeiras. Na caminhada surgem formigas na camisa, uma colmeia que alguém pensa em cutucar e o comentário de que "todo bicho quer matar a gente aqui".

O lixo do mar como matéria-prima

A outra fonte de material é o lixo que chega às praias. Jimmy explica que navios grandes passam pela região e jogam lixo no mar, e que esse lixo acaba na ilha. Para o grupo, isso vira recurso: "Qualquer recipiente, se estiver vedado, vale mais do que ouro." Alguém brinca que assim eles limpam as praias e ainda escapam.

As peças mais valiosas são barris de plásticos inteiros, que funcionam como flutuadores. O primeiro que encontram está quebrado. Depois aparece um barril grande que flutua e, em seguida, outro aparentemente inteiro. Um dos participantes diz estar quase desmaiando de insolação, mas que o achado faz tudo valer a pena.

Calor, cansaço e um ritmo lento demais

Mesmo com material suficiente para começar, o calor impede que a construção comece no segundo dia. A equipe chega à noite exausta, e Jimmy avalia que, naquele ritmo, o projeto levaria um mês. A madrugada também não ajuda: Nolan acorda com uma aranha grande na cama, considerada perigosa pelo grupo, e a confusão para tirá-la dali termina com ela sendo jogada em cima dos outros.

No dia seguinte, a área de trabalho é transferida para uma sombra mais adiante na praia. O argumento é prático: na sombra seria possível construir o dia inteiro, e não só algumas horas. No caminho, Chandler encontra um terceiro barril, o que aumenta as chances de o barco flutuar de verdade. Com bambu e madeira suficientes, a construção finalmente começa.

Divisão de tarefas e a jangada tomando forma

A organização do grupo muda no meio do trabalho. Chandler, cansado, toma a câmera do cinegrafista Darius e manda Darius ajudar na construção. Jimmy resume: com Darius "promovido a construtor de veleiro" e Chandler atrás da câmera, a jangada começa a tomar forma.

Os nós aparecem desde cedo como o ponto mais crítico. Se um deles estiver frouxo quando uma onda bater, o barco afunda no meio do oceano. Em seguida vem o convés de bambu, que o grupo chama, sem muita certeza, de "convés de popa", rendendo piadas e a regra de que ninguém pode fazer cocô no mar. No fim do dia, a estrutura já começa a parecer um veleiro, e o grupo prefere jantar a seguir trabalhando.

A aposta nas marés

Na manhã seguinte, Hase passa a observar as marés como possível vantagem. Quando a maré desce, ela leva a água para longe da praia. Se o barco aproveitar esse movimento, será arrastado para o mar. Ele faz um alerta que volta no fim do vídeo: se forem contra o vento e contra as correntes, "vocês podem me dar um motor que não vamos chegar até aquela ilha". Hase também diz sentir que todos contam com ele e que, se conseguirem cumprir o desafio com pessoas que nunca velejaram, vai guardar a lembrança pelo resto da vida.

A equipe começa o dia reclamando de dor e de areia no corpo. As metas são amarrar o convés, coletar material para os remos e testar a flutuação antes de montar a vela.

O quarto barril e o colapso de Nolan

Uma falha atrasa tudo: a estrutura está desnivelada e falta um quarto barril. Jimmy comenta que boa parte do vídeo até ali mostra o grupo revirando lixo, mas que esse lixo é a única esperança de sair da ilha. Enquanto uma parte da equipe procura, Hase assume os nós, por achar que amarra melhor do que qualquer outro e preferir testar cada um pessoalmente.

A busca dura duas horas sob uns 37 graus, segundo Jimmy. Quando o barril aparece, precisa ser carregado por cerca de 800 metros sobre pedras. Nolan não levou água e chega ao limite: diz que os dedos estão formigando e que a visão está afunilando. Enquanto isso, outra parte do grupo tenta ferver pedaços de plástico num objeto de metal trazido pela maré para transformá-los em remos.

Darius volta com o barril, e Nolan precisa de ajuda e água. Jimmy conclui que valeu a pena, já que voltaram com um barril e um leme, e descreve o episódio como um dos momentos em que perceberam que todos precisavam trabalhar juntos. Ele também registra que o grupo já tinha consumido mais da metade da água, o que tornava inviável ficar muito mais tempo.

Amarrações e o teste de flutuação

Com os quatro barris presos a uma armação, começam as vigas transversais. O modelo de amarração precisa ser repetido em 17 vigas, dos dois lados, e uma corda chega a arrebentar no processo. Jimmy apresenta então uma escolha: continuar construindo e torcer para dar certo, correndo o risco de o barco desmanchar no dia da travessia, ou parar e testar a flutuação antes de avançar. O grupo escolhe testar.

A jangada flutua, e a comemoração é grande. Jimmy diz que é a primeira vez desde o começo do vídeo que sente que aquilo é possível. Nesse ponto ele reflete sobre o canal: costumam fazer vídeos com cenários enormes, centenas de participantes e prêmios de um milhão de dólares, e às vezes é bom simplesmente ficar numa ilha com quatro amigos construindo um veleiro. Ele admite que é um dos vídeos mais difíceis, pelo calor e pelos insetos, mas diz que é divertido passar tempo com os amigos de novo. Já faziam vídeos assim o tempo todo, e ele não sabe bem por que pararam. A previsão de Jimmy é ter o barco pronto na noite seguinte e partir no outro dia, se a corrente ajudar.

Vela, remos e a corrida contra a lua nova

Ainda falta o essencial. Por enquanto, diz Jimmy, há uma jangada e não um veleiro, porque nada capta o vento. A pressão aumenta: a água está acabando, Nolan não está bem, e um dos participantes conta mais de 60 picadas de inseto só nos braços e nas mãos e diz não saber quanto tempo mais aguenta se não partirem no dia seguinte.

A tentativa de derreter plástico para os remos não funciona. O grupo não entende por que o plástico não "ferve" se a água está fervendo, e brinca que é por isso que as pessoas assistem ao Mark Rober e não a eles. A alternativa vem de uma ideia de quilha, explicada como a peça que mantém o barco em linha reta. Virando a peça de lado, ela vira remo. O primeiro protótipo parece mais uma bandeira do que um remo, mas, com amarrações mais firmes, o grupo termina quatro. Um dos participantes já sente os ombros cansados e imagina que talvez precise remar por horas.

Hase constrói uma vela em formato de garra de caranguejo, que ele compara à dos antigos polinésios, presa aos mastros e montada com um furo para a dobradiça. Ele avisa que, se essa peça falhar, a vela inteira quebra. A vela pode ser recolhida puxando uma corda, caso o vento esteja na direção errada.

O prazo é ditado pela natureza. Segundo Hase, as marés estão extremas por causa da lua nova: partir na maré alta, quando ela começar a baixar, levaria o barco direto para o mar, na direção da ilha. Com menos de doze horas até a maré virar, o grupo trabalha noite adentro. Perto da meia-noite, Chandler não sabe nem dizer o que está construindo e arrisca que é um leme. O barco fica pronto pouco depois.

A partida e os primeiros problemas no mar

Na manhã da travessia, Jimmy diz que pensou a noite toda em voltar para casa e ver a família, e que a única forma de fazer isso é cruzar o oceano no veleiro improvisado. Antes de partir, o grupo faz um juramento em coro: quando estiverem cansados, mais cansados ou com vontade de parar, vão "continuar remando".

A corrente da maré vazante ajuda no início. Hase explica que ela vai empurrar o barco por pouco tempo, porque em algumas horas eles entrarão num canal onde a corrente tentará arrastá-los lateralmente para o mar aberto. Por isso precisam aproveitar ao máximo o começo. Com a vela aberta, Hase mede cerca de 1 km/h, velocidade que ele considera suficiente para chegar. Faltam mais de 8 km, e ninguém sabe quanto tempo vai levar.

Vinte minutos depois, o cansaço já aparece, junto com o enjoo. Jimmy observa que, se os quatro remassem sem parar por horas, ficariam exaustos antes de chegar ao canal, já que avançavam praticamente contra o vento. Hase, como capitão, organiza turnos de quinze minutos, com três pessoas no lado direito e uma descansando em rodízio. Depois de cerca de 45 minutos, haviam percorrido uns 20% do caminho.

Perto do canal, os problemas se acumulam. Um remo quebra, parte da jangada cai na água, Hase também cai, e o barco começa a girar de lado. A regra passa a ser que, sempre que saírem da rota, todos remam com remadas longas. Com o vento aumentando, o grupo consegue corrigir o rumo, e Jimmy diz que finalmente pegaram o ritmo. Num momento de calma, dois participantes dizem que não há ninguém com quem prefeririam estar remando no meio do oceano. O cansaço, porém, só cresce: há quem se diga desidratado, Chandler está enjoado, e um dos participantes lembra que construíram o barco por seis dias seguidos, doze horas por dia. Ombros doloridos, sol forte e a comparação com "lagostas assando" marcam esse trecho. Jimmy admite que já não sabe se vão conseguir.

O canal: horas de deriva e o sinalizador à vista

Ao entrar no canal, as ondas ficam fortes e o barco é empurrado para fora. Hase pede que Darius pare de remar para não deixar o barco contra o vento, e Darius retruca que, se parar por cinco segundos, o barco vira. Hase explica que ali corrente e vento são mais fortes, e que só a força dos remadores impede que sejam levados longe demais para o sul.

Durante horas, Jimmy narra, a corrente os puxa para a esquerda, depois para a direita, e os faz girar em círculos. Até que percebem que não estão avançando. "Encalhamos", diz Jimmy, no sentido de estarem parados no mar, e o grupo começa a se sentir derrotado: longe demais para voltar e com pouca esperança de continuar. Depois de seis horas de revezamento, Jimmy está enjoado e Chandler dorme. Jimmy diz que, com ele e Chandler sem condições, a missão passou a depender de Hase, Nolan e Darius.

Darius calcula que a ilha está a uns cinco quilômetros. Hase explica que, se conseguissem entrar na direção certa do vento em relação à ilha, poderiam seguir com a corrente e o vento, mas o pouco avanço do começo exige ainda mais esforço. Com sete horas no mar, a jangada não se move como esperavam e já recua quando param de remar. Alguém sugere usar o sinalizador. Um dos participantes diz ter remado quase sem parar durante sete horas e não aguentar mais, justamente com a ilha "muito perto, mas também muito longe".

A virada da maré e a contagem regressiva

Deitado sem forças, Jimmy lembra do juramento e do que disse dois dias antes, que às vezes é bom estar numa ilha com quatro amigos construindo um veleiro, e diz ter se divertido muito naquela semana. Então, "por algum milagre", o barco começa a virar na direção da ilha sem que ninguém reme. A explicação dada é que a maré está subindo e puxando o barco para a ilha. Sem perceber, eles já tinham saído do canal.

Com quase cinco quilômetros pela frente, o grupo decide tentar mais uma vez. Um dos participantes diz que pode até falar que vai desistir, mas que, enquanto houver chance, nunca vai desistir. Depois de mais de oito horas remando, todos queimados de sol, famintos e desidratados, as distâncias começam a cair: quatro, três, menos de dois quilômetros, 1.600 metros. Darius brinca com a contagem — depois de 1.500 vem 1.300, depois 1.100, depois mil metros — até alguém gritar "terra à vista".

Os últimos 5%: a maré vira contra eles

A empolgação dura pouco. Restam só 20 minutos até a maré mudar, e o vídeo repete o alerta de Hase sobre ir contra o vento e a corrente. A uns 500 metros, o grupo sabe que, se deixar a corrente levar, vai passar direto pela ilha. O barco começa a ir demais para a direita, e eles entram nos "últimos 15 minutos", com onze horas de barco.

Com 95% do caminho feito e quase nenhuma energia, tudo dá errado. O vento fica contra e vira um forte vento lateral. Há um desacordo sobre a vela: um participante acha que ela está empurrando o barco para o sul, outro acha que sem ela não vencem o vento, e outro diz que a lógica não faz sentido para ele. Durante uma contagem regressiva, alguém passa a remar com as mãos, e uma onda grande atinge o barco. Por fim, a maré vira e arrasta a jangada para longe: a água que antes empurrava o barco agora está contra eles, e, segundo Jimmy, não havia nada a fazer.

A cerca de 800 metros da ilha, alguém comenta que poderiam ter nadado até lá. O clima é de luto: há quem diga que vai chorar e quem lamente ter feito tudo aquilo sem conseguir. Depois de quase 12 horas remando e velejando, um dos participantes calcula que, se tivessem ido só 20 minutos mais rápido, estariam na ilha. O grupo dispara o sinalizador.

Jimmy encerra dizendo que este é o desafio mais difícil que já fez no canal, e que chegar tão perto e fracassar porque a maré virou nos últimos cinco por cento torna tudo ainda mais duro. Ele diz que odeia perder, que sente estar decepcionando o público e pede desculpas. Promete que não vai falhar de novo no próximo vídeo de desafio e embarca no helicóptero que leva o grupo embora.