Um campo vazio em Gana vira uma vila: o projeto de MrBeast contra o trabalho infantil no cacau

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Visão geral

No início do vídeo, MrBeast está diante de um campo vazio e promete que, até o final, ali haverá uma cidade. O motivo, segundo ele, é que muitas crianças da região estão presas ao trabalho infantil ilegal nas plantações de cacau. Por isso, a equipe decidiu dedicar o ano seguinte e quase 10 milhões de dólares ao que ele chama de maior projeto de vídeo da história do YouTube: construir uma vila que tire essas crianças desse trabalho de vez. O raciocínio que atravessa o vídeo é simples: criança que está na escola não está trabalhando com cacau. Escola, comida, água e moradia aparecem como peças de uma mesma estratégia para aumentar a frequência escolar.

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As primeiras casas e a lógica da construção

A obra começa pela primeira casa do bairro. A equipe despeja concreto para que as casas fiquem sobre fundações sólidas e durem décadas, e MrBeast mostra a espessura da fundação antes de erguerem as paredes. Como há uma cidade inteira para construir, ele avisa que algumas casas aparecerão prontas rapidamente no vídeo. Depois de colocar o telhado na primeira, o processo é repetido mais nove vezes até formar um bairro inteiro. Só mais adiante o vídeo revela para quem são essas casas.

A escola que existia antes

O bairro, diz MrBeast, não estaria completo sem uma escola. A nova escola começa com 50 mil quilos de concreto na fundação. Para justificar a obra, ele visita a escola que as crianças frequentavam: 325 alunos em um único prédio. Quando chove, o lugar inunda e as crianças deixam de ir. Segundo o relato no vídeo, elas precisam percorrer quilômetros, sentar em salas sujas e estudar em calor sufocante.

Nessa visita, MrBeast pergunta se, quando estão na escola, as crianças deixam de trabalhar com cacau, e a resposta é negativa a qualquer trabalho durante o período escolar. Daí vem a fórmula que ele repete: mais presença na escola significa menos trabalho infantil. Como a escola atende mais de 300 alunos, a nova precisaria ser grande o bastante para eles.

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Chuva, concreto refeito e o problema da drenagem

O clima, descrito como severo, aparece antes do esperado. A equipe estava pulverizando concreto quando a chuva começou a cair. Ao perguntar se havia problema no concreto pingando daquele jeito, MrBeast ouve que normalmente isso não é mostrado, mas a chuva era tanta que iria estragar o material e o trabalho teria de ser refeito depois.

A chuva também expõe um problema maior. De um lado fica a vila em construção, do outro o restante da comunidade, e entre os dois corre um rio que precisa passar por um cano. Como o cano é estreito demais, a água se acumula e inunda os arredores, separando completamente as duas comunidades. A inundação, segundo o vídeo, impediria as crianças até de chegar à nova escola. O túnel existente tinha cerca de 0,9 m de largura; a equipe instalou dois novos drenos de 1,2 m de diâmetro. Depois de duas semanas trabalhando na chuva, eles consertaram a ponte, e MrBeast afirma que a vila não inunda mais. Uma criança diz que isso vai permitir ir à escola tranquilamente todos os dias.

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A lista da comunidade

De volta à escola, com paredes que somam mais de 100 só nesse prédio, MrBeast prevê semanas de trabalho. Ele e Nolan chegam a dormir no carro para começar cedo no dia seguinte. Numa pausa para o almoço, a equipe reúne as pessoas que vão morar na vila e pergunta o que mais precisam. Elas têm uma lista: um centro comunitário, uma fazenda ("temos que comer"), um mercado e, principalmente, água limpa e potável. MrBeast promete construir tudo isso e mais, e a equipe passa meses trabalhando até concluir a escola.

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Água potável movida a energia solar

O primeiro item atendido é a água. A equipe perfura um poço e encontra água, mas sem o jato dramático que alguns poços produzem. MrBeast comenta que alguns são "meio decepcionantes", mas que água é água.

O poço é ligado a um painel solar e conectado a uma caixa-d'água numa torre, para levar água limpa a todas as casas da vila. Segundo MrBeast, cada caixa armazena o equivalente a mais de 10 mil garrafas de água, e por isso uma segunda também é instalada. Ele conta que, antes, a comunidade bebia água não potável e todos estavam adoecendo num ritmo alarmante. O sistema é pensado para funcionar mesmo à noite: as caixas enchem durante o dia, com os painéis ativos, e permitem tomar banho, lavar louça, lavar as mãos e dar descarga depois que escurece. A equipe também instala painéis solares por toda a cidade para fornecer eletricidade às casas. Numa cozinha com água encanada, MrBeast destaca que essa comunidade literalmente não tinha água potável e agora tem água limpa na pia, nos chuveiros e em todas as outras necessidades da vila.

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Campo de futebol, fazenda e o fim do banheiro antigo

Em seguida vem um campo de futebol. MrBeast brinca que seria engraçado se o próximo Ronaldo ou Messi saísse daquela escola e acrescenta que, para isso, as crianças precisariam de comida. Começa então a horta: uma cerca contra animais, com cerca de 100 postes espalhados pela fazenda, e um galinheiro. Segundo MrBeast, quando concluída, a fazenda manterá dezenas de milhares de pessoas alimentadas ao longo de sua vida útil.

Outra necessidade surge ao visitarem o banheiro comunitário. Um morador relata que às vezes aparecem cobras, ratos e outros animais perigosos ali. MrBeast diz não acreditar que as crianças usavam aquele banheiro e o derruba com uma máquina pesada, comentando que, estranhamente, já tem muita experiência com esse equipamento.

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Cinco meses depois: balanço e mutirão

De volta ao ponto da introdução, MrBeast mostra o antes e o depois do que foi feito "nos últimos cinco meses" e reconhece que ainda há muito trabalho. Com o período de janeiro a agosto indicado na tela, ele avisa que as crianças chegarão em poucos dias para começar o ano letivo. Por isso chama vários amigos YouTubers para ajudar a pintar e a mobiliar. A escola precisa de carteiras, a biblioteca de livros e o galinheiro, nas palavras dele, de galinhas. Sem escada, uma das cenas mostra Kat sobre os ombros de Orkun, que está nas costas de Adam. Perguntada se se arrepende de ter vindo, uma participante responde que não, porque é por uma boa causa.

MrBeast observa que não foram só YouTubers que ajudaram. Ele apresenta os cofundadores da NeuroGum, que diz terem ajudado muito nos bastidores e que, segundo ele, também ajudam a financiar uma segunda vila em Gana.

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Um parquinho desenhado pelos alunos

Para o parquinho, a equipe consulta "os especialistas": os próprios alunos. Um deles, Alfred, desenha o projeto a partir de um círculo e pede um gira-gira do lado direito, um balanço e uma gangorra. A equipe promete seguir o projeto dele, e a turma aprova. No fim do vídeo, MrBeast conta que Alfred nunca tinha andado de balanço e o convida a inaugurar o brinquedo. Alfred diz que está feliz com o parquinho.

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Isaac, o primeiro professor

Enquanto o parquinho é montado, a equipe encontra o primeiro professor, Isaac, e MrBeast revela que as casas construídas no início são para os professores que serão trazidos para a vila. Para dar contexto, ele visita a moradia de Isaac: dois cômodos divididos com a esposa e três filhos, numa casa onde vivem várias famílias. Alguns filhos dormem perto do casal e o mais novo dorme numa cama no mesmo espaço.

Sem revelar o projeto, MrBeast pergunta como seria a casa ideal de Isaac num bairro hipotético. Isaac pede piso de cerâmica branca e tudo branco ("branco é minha cor"), um banheiro com chuveiro, um quarto e uma sala de estar com cozinha. MrBeast promete trazê-lo de volta dali a alguns meses.

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A fazenda pronta e o argumento dos "pequenos detalhes"

Na fazenda concluída, a cidade pode cultivar milho, inhame, repolho, ervilhas, feijões, pimentões e outros vegetais. Há também tanques de peixes, que não servem só para alimentação: as fezes dos peixes são misturadas à água para fertilizar as plantas. Mais dois tanques de água abastecem um cano de irrigação que rega as plantas.

MrBeast usa esse cano para fazer o que chama de principal mensagem do vídeo: a equipe fez tudo o que podia para ajudar a comunidade. Ele conta que, durante o planejamento, ouviu que a ideia era loucura, ambiciosa demais e impossível, mas que queria ajudar as crianças em trabalho ilegal e preparar a vila para dar certo. Até coisas pequenas, que as pessoas talvez nem notem, fariam diferença, segundo ele.

Ao falar dos "oito meses de muito trabalho duro", MrBeast credita a viabilidade do projeto ao One Billion Followers Summit, iniciado no ano anterior, que segundo ele aproximou a equipe da Mohammed bin Rashid Global Initiatives e da Varkey Foundation. Ele resume o esforço como um ano de planejamento e construção, com centenas de trabalhadores e voluntários dedicando milhares de horas.

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A inauguração

Eric, morador que já havia pedido o centro comunitário, corta a fita depois de uma primeira tentativa constrangedora. A nova escola tem dez salas de aula, que segundo MrBeast comportam centenas de alunos, com ventiladores e eletricidade funcionando. Além da escola, a equipe promete alimentar cada criança nos dias letivos pelos próximos cinco anos, o que dá 200 refeições por ano por aluno. MrBeast diz que não faz isso apenas por ser o certo, mas porque os dados mostram que a criança tem mais chance de frequentar a escola quando recebe comida grátis. E, frequentando a escola, ela não pode trabalhar nas fazendas ao mesmo tempo.

Hannah, moradora que se lembra da demolição do banheiro antigo, diz estar animada com o novo e que deixaria os filhos usá-lo. O mercado já funciona, com barracas vendendo chips de banana-da-terra, ovos, tomates, óleo de palma e bananas-da-terra. Segundo MrBeast, as famílias não precisarão mais viajar para conseguir comida. O centro comunitário reúne uma biblioteca, um centro médico e um fórum comunitário. O galinheiro comporta 200 galinhas, que devem produzir 120 ovos por dia, apresentados como fonte sustentável de alimento. Sobre o campo de futebol, MrBeast admite que talvez não pareça vital como o resto, mas argumenta que ele une as crianças e cria laços, porque a equipe não estaria apenas construindo uma cidade, e sim uma comunidade.

Isaac finalmente vê sua casa, entregue como "100% grátis". Ela tem fogão, pia funcionando, geladeira, chuveiro (MrBeast pergunta se Isaac já tinha tomado um banho assim), cama, guarda-roupa, além dos azulejos e paredes brancas pedidos. MrBeast acrescenta que os painéis solares da casa devem funcionar pelos próximos 30 anos, de modo que a eletricidade sai de graça, e que não há aluguel: Isaac é 100% dono da casa. Isaac chama aquele de o melhor dia da sua vida. Ao todo, foram construídas dez casas para os professores, e uma das moradoras agradece a MrBeast. A NeuroGum ainda entrega um mural para a comunidade personalizar.

Por fim, falta o nome. Eric escolhe: Aldeia Abuna Dakoa. De volta ao ponto onde o vídeo começou, MrBeast descreve o resultado como uma aldeia totalmente funcional e autossustentável.

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O apelo final contra o cacau antiético

O vídeo termina com um apelo direto. MrBeast diz que a vila foi feita para tirar crianças do trabalho ilegal em cacauais e que quem come chocolate, talvez sem perceber, é cúmplice de colocar mais de 1,5 milhão de crianças em trabalho infantil ilegal só em Gana e na Costa do Marfim. Segundo ele, as grandes marcas lucram bilhões por ano às custas de crianças e poderiam fazer o mesmo que a Feastables, sua marca. Ele lista as práticas que diz adotar: garantir que os agricultores parceiros recebam pelo menos o preço de referência de renda digna, que 100% deles recebam um prêmio de comércio justo, auditar o trabalho infantil nas fazendas e financiar projetos de desenvolvimento como o mostrado no vídeo.

Ele pede que quem trabalha na indústria do chocolate envie o vídeo aos chefes e questiona por que essas empresas geram dezenas de bilhões em lucro às custas de crianças em vez de oferecer educação e vidas melhores. Na avaliação dele, as gigantes do chocolate não vão se importar até que os consumidores ajam. Por isso pede que o público mostre que quer cacau de origem ética, renda digna e comércio justo para os agricultores, e que compre Feastables. MrBeast encerra com uma admissão franca: se a Feastables não conseguir provar que o cacau ético é o caminho e se ele não conseguir convencer o público, ele não acredita que o problema será resolvido um dia. Por isso, diz, não está apenas pedindo, mas implorando.