Sete dias isolados no Ártico: abrigo de neve, gelo espesso demais e dois peixes
MrBeast ミスタービーストO vídeo acompanha Jimmy e cinco amigos durante sete dias no Ártico, com apenas o que carregavam nas costas. Os outros integrantes que aparecem são Chandler, Nolan, Tareq, Hase e o cinegrafista Darius. Para Jimmy, o desafio tinha um peso a mais: o grupo havia fracassado no vídeo de sobrevivência anterior, e esta seria uma chance de redenção. A pergunta que guia o episódio é simples: o grupo consegue chegar ao sétimo dia sem que ninguém se machuque, com abrigo, fogo e comida suficientes?
Primeiro dia: nada de barracas, só neve
Logo na chegada, o grupo pisa em cerca de meio metro de neve. Jimmy conta que pediu a todos que não trouxessem barracas, porque a casa seria cavada na própria neve. Os objetivos do primeiro dia eram dois: construir um abrigo e acender uma fogueira.
A pressa vinha do anoitecer. Segundo o vídeo, o frio noturno era tão extremo que dez minutos expostos ao vento poderiam causar congelamento. A previsão era de temperaturas abaixo de zero naquela noite, com risco de perder parte dos dedos. O abrigo de neve servia para proteger do vento e conservar o calor. Enquanto a equipe cavava, descobria que quanto mais fundo, mais dura a neve ficava, e foi preciso buscar mais pás.
Jimmy saiu para buscar lenha e diz ter tido sorte: encontrou madeira seca. Quando Hase voltou, todos testaram o abrigo e constataram que era apertado demais. Não dava nem para esticar as pernas, e restavam só duas horas de luz. A conclusão foi que, mesmo desconfortável, o lugar servia para que ninguém morresse, que era a prioridade declarada do vídeo.
A fogueira acendeu e virou motivo de comemoração: deu para descongelar luvas e derreter neve para obter água potável. A água demorava a esquentar porque o grupo continuava acrescentando neve. Houve também um susto: a jaqueta e a calça de um dos participantes pegaram fogo perto da fogueira.
Passada a meia-noite, o abrigo ainda não comportava todos. Hase e Darius não cabiam, e alguém acabou dormindo do lado de fora. Os demais se espremeram "como sardinhas" na pequena caverna. Os participantes descrevem aquela como a pior noite de sono que já tiveram.
Segundo dia: a saída com cabeça raspada
De manhã havia gelo cobrindo as mochilas. A câmera estava tão fria que machucava a mão de quem a segurava, e alguém nem tinha luvas. Pés e dedos estavam dormentes.
Nesse momento, um avião sobrevoou o acampamento. Jimmy explicou a regra: uma vez por dia, aquele avião passaria por ali, e quem quisesse disparar o sinalizador e ir embora poderia fazê-lo, mas teria de raspar a cabeça antes. Apesar da noite péssima, ninguém desistiu.
Ficou claro para o grupo que o abrigo precisava crescer. Com seis pessoas, a meta era conseguir dormir lado a lado, metade em cada canto. Jimmy brincou que, se não desse certo, voltaria para casa sem cabelo. Darius foi cobrado por filmar em vez de ajudar e respondeu que só fazia o que lhe mandaram. Depois de várias horas de escavação, o resultado foi elogiado.
Surgiu então um problema prático: ninguém havia trazido a barraca para as necessidades fisiológicas, que estava na lista. Quem deveria trazê-la disse que não tinha espaço na mochila. Alguém foi encarregado de encontrar uma área afastada para isso, porque, segundo o vídeo, defecar perto do abrigo atrairia ursos. Durante essa busca, um dos participantes comentou o desconforto de ver pegadas de animais por toda parte sem nunca ver o animal, com a sensação de estar sendo observado.
Jimmy admitiu ter pensado seriamente em disparar o sinalizador. Disse que o segundo dia parecia o sexto ou sétimo de um desafio normal e que não sabia se todos aguentariam. Também disse estar orgulhoso do esforço dos amigos. O problema ainda sem solução era a comida: havia mantimentos para três, talvez quatro dias, e sem pesca ou caça o grupo não sobreviveria.
Terceiro dia: frio de -8,3 °C, lenha úmida e o gelo que a broca não vence
Com dois dias de comida em estoque, Jimmy relatou que o nariz parecia estar congelando, com pontos arroxeados. Depois que escureceu, o termômetro mostrou -8,3 °C, e o vídeo afirma que nem o abrigo conseguia afastar totalmente o risco de congelamento. Chandler estava com os dedos dos pés brancos e quase sem sensibilidade, o que foi tratado como mau sinal. A solução foi aquecê-los na axila de um colega.
Para piorar, o piloto avisou que nevava demais e que não dava para voar. Ou seja, quem pensava em desistir não poderia. Jimmy observou que os dias de maior risco de ferimentos eram justamente aqueles em que o avião não podia vir.
A neve da noite cobriu o acampamento e encharcou toda a lenha. Acender o fogo, a prioridade máxima, ficou muito mais difícil. Um dos participantes teve a ideia de usar penas, que finalmente produziram a faísca necessária, e o fogo pegou.
O foco seguinte era comida. Jimmy havia trazido uma broca de gelo, e perto do acampamento havia um lago congelado. Antes de sair, verificaram Chandler: a cor estava voltando aos dedos. Nolan ficou de "plantão médico" no acampamento, enquanto Jimmy, Hase, Tareq e Darius saíram para pescar.
A equipe procurou pontos mais escuros no gelo, na esperança de que fossem mais finos, e enfrentou vento forte que dificultava a visão. A técnica, segundo Hase, era não forçar a broca para baixo e deixar as lâminas cortarem. O buraco chegou a cerca de 75 centímetros, descrito como "meio Tareq", e já era tão fundo quanto um braço. Faltavam uns dois centímetros para chegar à água quando a broca não conseguiu mais girar, porque não era comprida o bastante para aquela espessura de gelo. Com as roupas encharcadas e risco de hipotermia, o grupo teve de voltar sem peixe.
Enquanto isso, quem ficou no acampamento viu a cozinha inteira ser coberta de neve e tentou salvar o que pôde.
O peso do fracasso anterior e a cama de pinheiro
Voltar sem comida deixou Jimmy pensativo. O vídeo resgata a promessa feita após o desafio de sobrevivência anterior: no próximo, não falharia de novo. O ânimo estava baixo. Alguém pediu para ser apagado e acordado só no sétimo dia, espantado por ainda ser o terceiro.
Havia uma preocupação concreta: as roupas de todos estavam encharcadas, e a noite seria muito fria. Um dos participantes alertou que, se essa água congelasse junto ao corpo, alguém poderia morrer de hipotermia caso nada fosse feito. A solução foi cortar galhos de um pinheiro para fazer uma cama que isolasse do chão, já que o contato com o solo piora o frio noturno. Quando Hase chegou com os galhos, o momento foi descrito como um presente de Natal antecipado, e pela primeira vez o grupo teve esperança de passar a noite aquecido.
Quarto dia: drone, esquis e uma travessia até o rio
O dia começou com sol e a esperança de que tudo finalmente desse certo, mas logo apareceu uma faixa escura no horizonte: uma nevasca a caminho. Além disso, restava comida para apenas um dia.
Para achar um lugar melhor de pesca, usaram o drone de Darius. A lógica era procurar gelo com água corrente embaixo, porque, segundo o grupo, água em movimento indica gelo mais fino. O drone revelou um rio grande, e rios grandes, segundo eles, têm mais peixes. O problema era a distância: seria preciso atravessar um lago e uma floresta.
Para o lago, levaram esquis de cross-country, o que funcionou para alguns, mas não para Jimmy e Darius, que não sabiam esquiar. Darius caiu repetidas vezes, e Jimmy reclamou várias vezes que odiava aquilo, até pegar o ritmo de "avança, avança e desliza". Na floresta, trocaram os esquis por raquetes de neve, que permitem andar sobre neve fofa. No caminho encontraram pegadas enormes que, segundo Hase, eram de alce, e preferiram desviar. Um dos participantes ficou com a perna presa num buraco, sustentado apenas por um galho.
No acampamento, Chandler e Nolan seguiam ampliando o abrigo, com a ideia de dar uma "mansão" para Jimmy. Chandler descobriu um novo método de remover grandes pedaços do teto, e Jimmy pediu que tomassem cuidado para não derrubá-lo.
Quando o avião apareceu sobre o acampamento, a tentação de disparar o sinalizador foi enorme. Um dos participantes disse que estava com o dedo no gatilho e quase apertou, argumentando que já tinham feito o abrigo e muita coisa. Ninguém disparou. Longe dali, Jimmy não tinha como saber se os colegas tinham desistido.
No rio, o resultado repetiu o do dia anterior. O buraco já tinha a profundidade de um braço e ainda não havia água. Jimmy notou que, embora a ciência dissesse que o gelo do rio deveria ser mais fino, não parecia ser. As botas dele se encheram de neve úmida após uma queda, os dedos ficaram vermelhos e arroxeados, e os pés foram aquecidos na axila de Darius. Após três horas no frio e com uma tempestade se formando, Jimmy decidiu voltar, dizendo que alguém poderia se machucar feio e que era hora de aceitar que tinham fracassado de novo.
De volta ao acampamento, contaram que haviam cavado quase dois metros em quatro horas brutais, sem chegar aos peixes, e prometeram voltar no dia seguinte. Um dos participantes lamentou não ter usado o sinalizador, porque estavam sem comida. A consolação foi o abrigo, agora bem maior, com espaço igual entre todos para que ninguém esbarrasse em ninguém à noite.
Quinto dia: a última refeição e a decisão de arriscar
No quinto dia restava uma única refeição, além de alguns lanches levados para emergências. Logo depois, a comida acabou praticamente de vez. Uma nevasca se aproximava, e nenhum avião viria. O grupo estava por conta própria.
Sair também era arriscado, porque a neve estava úmida e encharcaria todos. Jimmy avisou que provavelmente alguém voltaria com hipotermia e pediu que quem ficasse deixasse água quente pronta, como um "pronto-socorro". Justificou a decisão dizendo conhecer os amigos: sem pesca, todos surtariam no dia seguinte. Lembrou ainda que, no vídeo anterior, tinham chegado perto da ilha sem conseguir, e que não queria falhar em outro. O grupo saiu gritando "pegar um peixe".
Por causa da nevasca, decidiram não levar os esquis para carregar menos peso, aceitando uma caminhada mais longa. A trilha até o rio estava totalmente coberta de neve.
No acampamento, quem ficou precisava resolver o fogo sozinho, com a lenha toda molhada e sem os participantes mais experientes. A solução veio de uma árvore morta, seca por dentro. Depois de abri-la à força, rasparam lascas secas, a única lenha seca disponível, para acender o fogo.
No rio, o buraco do dia anterior ainda estava lá, marcado pela broca fincada como uma "Excalibur". O plano era alargar as laterais com picareta para a broca ir mais fundo, enquanto Jimmy procurava um ponto mais fino. A hipótese dele era que, onde os rios se encontram, a água se move mais e o gelo é mais fino. Funcionou: num desses pontos, a broca atravessou com cerca de 20 centímetros de gelo. Usaram comida congelada como isca e abriram vários buracos.
Quatro horas de espera e o monólogo de Jimmy
Depois de quatro horas sem nenhum peixe, Jimmy gravou um desabafo. Disse estar com muito frio, já não acreditar que algum peixe morderia a isca e temer que a falta de calorias tornasse aquela noite e o dia seguinte muito frios. Admitiu que talvez tivessem de encerrar o desafio se a nevasca piorasse, mas que não queria falhar em dois desafios seguidos, que detesta fracassar e que ficaria ali o tempo necessário para pegar um peixe e se sair bem pelo público.
Foi justamente durante esse monólogo que sentiu um puxão. O peixe estava fisgado pelo lábio e veio de lado. Jimmy tentou pegá-lo com a mão e o deixou escapar de volta ao buraco. Na confusão, alguém molhou a mão ou a luva na água, mas havia uma luva extra. Hase insistiu que, ali, onde há um peixe, há outros. Pouco depois, Jimmy fisgou de novo e, orientado a puxar devagar, finalmente tirou o peixe do buraco. Em seguida, outro participante sentiu uma fisgada e, mantendo a tensão na linha, pegou um segundo peixe.
O balanço apresentado no vídeo foi de dois peixes depois de sete horas de pesca. Um dos participantes reclamou de dor de cabeça por estar há horas sem beber água.
No acampamento, o fogo estava aceso e a água, pronta. Quando a equipe de pesca chegou e mostrou o conteúdo do saco azul, houve comemoração. O primeiro peixe foi assado naquela noite, e o segundo ficou reservado para sustentar o grupo durante o sexto dia. Um dos participantes disse nunca ter comido um peixe tão fresco.
Sexto dia: descanso, piadas e uma retrospectiva
No sexto dia, o avião voltou, e alguém brincou que talvez disparasse o sinalizador por não saber o quanto o dia seria divertido. Jimmy considerou que, após cinco dias exaustivos, o grupo merecia diversão e anunciou uma surpresa para quem chegasse ao sétimo dia. Um dos participantes admitiu que quase teria ido embora sem os peixes e chamou aquele de o desafio mais difícil que já fez. Diante da provocação sobre uma tentativa de fazê-lo comer picles sete anos antes, que se repetiu ali, rebaixou o Ártico para o segundo lugar.
Jimmy fez então uma reflexão: o grupo produz vídeos de sobrevivência como esse há quase uma década. O vídeo intercala trechos de desafios anteriores, como ficar 24 horas debaixo d'água e um barco que surpreendentemente flutuava. Ele descreveu o momento na nevasca como um dos mais difíceis da vida, mas também um dos melhores. Disse que, naquela caverna, fazendo piadas com os amigos e desconectados da sociedade, aquele foi um dos vídeos mais divertidos que já fez. Agradeceu aos amigos por transformarem um vídeo que "teoricamente devia ser péssimo" em algo cheio de bons momentos e agradeceu ao público, lembrando que, quando criança, sonhava com a vida que tem hoje. O vídeo inclui uma gravação antiga em que ele se dirige ao "eu em dez anos", esperando ainda estar no YouTube.
O dia terminou com brincadeiras na neve, Jimmy encharcado depois de ser empurrado por Tareq, e s'mores que Hase guardou para a última noite. Antes de dormir, Jimmy deu uma pista da surpresa: não sairiam de helicóptero.
Sétimo dia: a reviravolta e os cães
Na manhã do sétimo dia, Jimmy fingiu uma reviravolta, anunciando mais uma semana no Ártico, o que provocou protestos imediatos. Antes de qualquer coisa, porém, o grupo não poderia sair até recolher cada resto de lixo do acampamento.
O sinalizador foi então disparado para chamar a surpresa: uma matilha de cães do Ártico, que levaria o grupo embora. Os participantes celebraram a carona ("não tem nada mais 'ártico' do que isso") e falaram da vontade de tomar um banho quente. Jimmy encerra os sete dias com a sensação de que, desta vez, o grupo não fracassou.
A gente vai ficar isolado no Ártico pelos próximos sete dias. Tudo o que a gente tem pra sobreviver aqui é o que carregamos nas costas.
— Peraí. — Tá tudo bem. Olha só, a gente tá pisando em meio metro de neve agora. A gente precisa construir um abrigo porque vai fazer muito frio hoje. — Ei, pra onde a gente vai? — Me segue.
E o frio é só o começo. Tudo dá errado! Nada dá certo! Você vai ter hipotermia. Os dedos dos meus pés tão começando a ficar meio roxos. A gente precisa de um milagre.
A gente fracassou no último vídeo de sobrevivência. E pra mim e pros meus cinco amigos, essa é uma chance de redenção. Eu falei pra nenhum deles trazer barracas porque...
— O que ele tá fazendo? — O que é isso? Essa vai ser a nossa casa. — A gente vai ficar na neve? — Isso.
Hoje a gente tem dois objetivos. Criar um abrigo e acender uma fogueira. Mais fundo, gente. Cavar que é bom, nada, né? A gente vai pegar mais pás.
Porque assim que o sol se põe aqui no Ártico... Ei, se a gente não entrar antes de escurecer, pode congelar até a morte. Sem pressão. O frio é tão extremo durante a noite que a exposição ao vento por dez minutos pode causar congelamento.
Eu preciso agilizar e pegar lenha. Quanto mais fundo, mais dura a neve fica. Os caras tão concentrados no abrigo de neve. O objetivo do abrigo de neve é proteger a gente dos ventos do Ártico e permitir a troca de calor.
Caramba, gente, vai ficar abaixo de zero essa noite. A gente precisa muito disso, senão, pode perder parte dos dedos por congelamento. Eu preciso avançar muito mais rápido.
Tá tudo seco. Dei muita sorte. Já temos lenha, baby. Gente, o Hase chegou. Agora que o Hase voltou, vamos ver se todo mundo cabe no abrigo.
É meio apertado aí dentro. A gente já tem um lugar pra dormir hoje. E é muito confortável. Nem dá pra esticar as pernas, né? E eu nem tô dentro dele. A gente só tem mais duas horas de luz e nunca vai dormir bem assim.
Pode não ser confortável pra essas “divas”, mas pelo menos, não vamos morrer. E a prioridade é não deixar ninguém morrer nesse vídeo.
Então, a gente continuou correndo contra o anoitecer pra aumentar o tamanho desse abrigo mais ou menos habitável e tentar acender uma fogueira.
O fogo vai fazer muita diferença essa noite, eu tô animado. Tenho que fazer ele pegar. Cara, acho que nem todos vão caber aí essa noite. Tem que continuar cavando.
Ele conseguiu! Agora dá pra descongelar as minhas luvas. Agora que acendemos o fogo, sabem o que isso significa? — Segura isso. — Tá bom. O que vamos cozinhar? O que você tá fazendo? Agora põe isso no fogo. E a gente tem água potável.
Seria um momento de comemoração, mas o sol já está se pondo. — Tá mesmo. — A casa tá pronta? — Não. — Nem perto disso, mano. — Agora, acho que duas ou três pessoas cabem lá com conforto.
Beleza, vamos ver como é o gosto dessa água. Testa pra gente. Parece que a água tá quente, mas como a gente pôs mais neve, ela continua fria.
Cuidado. Minha jaqueta pegou fogo. A sua calça! Peraí. Minha calça tava pegando fogo.
Já passou da meia-noite, então, tecnicamente é o segundo dia, e eu sei que todo mundo quer dormir, mas a casa ainda não é grande o bastante. O Hase não cabe nela, e nem o nosso cinegrafista, o Darius. Eu vou dormir aqui fora.
No primeiro dia, a gente conseguiu acender a fogueira e se espremeu na nossa pequena e desconfortável caverna como sardinhas. Mas olha, foi a pior noite de sono que a gente já teve.
Mano, a câmera tá praticamente... A câmera tá quase congelando. Eu dormi muito mal. Fez tanto frio ontem à noite que tem gelo cobrindo as mochilas e tudo mais.
Essa câmera tá congelando a minha mão. — Pega. — Eu não tenho luvas, mano. Eu não tenho luvas. Tá frio demais pra segurar ela. Ai, meu Deus. Cara, meus pés tão congelando. Eu não sinto os dedos.
Galera, olha lá! Tão vendo aquele avião? Ele tá bem ali, gente. Mano, não se passaram sete dias, o que tá rolando?
Uma vez por dia, aquele avião vai sobrevoar a gente. E se um de vocês quiser disparar o sinalizador e sair, tudo bem. Só vai ter que raspar a cabeça antes disso.
Quer dizer que eu posso disparar esse sinalizador agora e voltar pra casa? Depois que raspar a cabeça. Essa é a sua chance, quem quer ir embora? A noite passada foi péssima, mano. Ninguém vai embora? Beleza. Até amanhã! Todo mundo vai ficar com cabelo hoje.
Ficou claro que, se a gente quisesse sobreviver por sete dias no Ártico... Se eu passar outra noite como a passada, não sei se eu vou aguentar. O abrigo tinha que ser ampliado.
Darius, por que tá filmando? Tem que ajudar. Sei lá, só tô fazendo o que mandaram.
A gente tá em seis, e o objetivo de hoje é conseguir dormir lado a lado num canto e lado a lado no outro. E se não der, eu vou voltar pra casa sem cabelo.
Ele ficou incrível. Caramba. A gente escavou o abrigo por várias horas... Até que a ficha começou a cair.
Qual era o seu plano pra defecar? Achei que ia ter uma barraca pra isso. Mas você não trouxe? Isso tava na nossa lista. Quem não trouxe ela? Eu não tinha espaço na minha mochila. — Como a gente vai fazer cocô? — Não vamos! Tudo dá errado! Nada dá certo!
Me mandaram achar uma área pro cocô. Porque se a gente defecar perto do abrigo, com certeza, vai atrair ursos. A parte mais sinistra de tudo isso é que eu sempre vejo pegadas de animais, mas nunca vejo o animal. Por isso, eu acho que o animal tá sempre me observando, e eu não gosto disso.
Não tem muitas coisas boas passando pela minha cabeça agora. Eu pensei seriamente em disparar o sinalizador. Vamos ver. Eu...
Eu nem acredito que ainda é o segundo dia. Parece o sexto dia, ou sétimo dia, de um desafio normal. E eu não sei se todo mundo vai conseguir ficar.
Os meninos estão se esforçando muito lá embaixo, e eu só queria dizer que tô muito orgulhoso deles. Eu espero que a gente tenha uma boa noite de sono dentro do abrigo essa noite, porque o problema que a gente ainda não resolveu é que só tem comida pra três, talvez quatro dias.
É que só tem comida pra três, talvez quatro dias. E se a gente não começar a pescar e caçar, não vamos sobreviver.
Estoque de comida: dois dias.
Hoje é o terceiro dia, e eu acho que o meu nariz pode estar congelando. Ele tá começando a ficar roxo em alguns pontos. Então... Vai ser um vídeo interessante.
Assim que escureceu...
-8,3 °C.
A temperatura despencou tanto que nem o nosso abrigo conseguia proteger a gente do risco de congelamento.
Dia 3.
Eu não sinto os meus dedos. Consegue sentir o meu toque? Não muito. Seus pés tão frios. Tá vendo como tão brancos? Tão sem cor nenhuma. Isso não é bom. Põe aqui na minha axila.
O meu dedão não é tão achatado assim.
O Chandler tá com os dedos brancos, e isso é um mau sinal. Então, a gente precisa aquecer eles rápido antes que eles congelem.
Infelizmente pro Chandler, a Mãe Natureza tinha uma outra surpresa esperando pela gente.
Alguém quer raspar a cabeça e ir embora? Eu tô pensando nisso. Bom, azar seu, porque o piloto acabou de dizer que tá nevando demais. Não dá pra voar. É, aguentem firme aí e tomem cuidado hoje, pessoal.
Então, quer dizer que o pior dia do desafio até agora é o único dia em que a gente não pode sair daqui? O que eu quis dizer é que os dias em que vocês têm mais chance de se machucar são os dias em que o avião não pode vir.
Ah, cara. Mano, quanto nevou ontem à noite? Com certeza, o tempo virou. Tá ficando bem feio. Bom, isso era o nosso acampamento.
Tá congelando hoje. A nossa prioridade máxima era se aquecer com uma fogueira. Acende! Não costuma ser tão difícil. Mas a neve que caiu à noite trouxe um novo problema. Tá úmida. A lenha toda tá úmida. Isso é péssimo.
Eu tive uma ideia. Ele pegou as penas. Ah, não. Agora, sim. Pode pegar. O mestre das penas. Sem a fogueira, esse dia vai acabar mal.
Agora, sim. Saiu uma faísca. As penas funcionaram! Eu tenho que proteger isso com a minha vida. Vai, por favor, por favor, acende. Calor. A gente tem fogo!
A gente precisa se aquecer agora, mas, na verdade, o nosso foco devia ser arranjar alguma coisa pra comer.
Eu trouxe uma coisa que deve ajudar. É uma broca. Curiosidade: perto do nosso acampamento, tem uma camada de gelo cobrindo um lago. Então vamos usar essa broca pra abrir um buraco e tentar pegar uns peixes. Mas antes de sair, a gente precisa ver como o Chandler tá.
Já tá melhor. A cor tá voltando. Eu e o Hase temos que arranjar comida. Então, quem vai assumir o “plantão do médico” quando a gente sair? Pode deixar que eu cuido dele. Valeu por fazer isso, Nolan. De nada, amigo.
Vamos ver se dá pra pegar uns peixes. Boa sorte! Até mais, gente. Ei, Nolan. Cuida do Chandler. A gente vai trabalhar no abrigo. Toma cuidado, tá bom? Não vão morrer.
Vamos ver um daqueles pontos mais escuros ali. Tá bom. Talvez o gelo seja mais fino. Que frio! Tá ventando muito! É, a volta com o vento na cara vai ser horrível.
Olha lá, é ali, naquele ponto. Peraí. Filma isso, Darius. Isso prova que eu não tô brincando quando digo que a gente tá literalmente acampado sobre o gelo. A gente vai cair aí? Sem chance. Tá bem compacto, tá frio demais.
Posso tentar? Sim. A ideia é não forçar pra baixo. Deixa as lâminas cortarem. Ei, Tareq, vem pra cá. Não dá pra ver. Tá ventando demais.
Qual é a espessura do gelo? Vamos torcer pra estar mais fino, mas a gente já vai descobrir. Que perrengue. Continua girando. Beleza.
Vamos ver até onde ela entrou? Sim, é uma boa. Ah, cara! Caramba! Olha só isso! A gente arrasou. Meus olhos!
O tempo aqui fora tá bem pior do que a gente imaginava.
A nossa situação vai de mal a pior. A cozinha inteira ficou totalmente coberta de neve. E a gente perdeu grande parte das roupas pra fazer comida. Vou tentar salvar alguma coisa.
Tá nevando bem forte lá fora agora. Os outros foram pescar. Espero que tragam algo pra gente comer essa noite.
O que vocês acham? Já tem uns 75 centímetros? Oitenta? É, tá meio Tareq. Então, uns 75 centímetros. Tá bom. A gente tem que pegar esses peixes, senão, no quinto ou sexto dia, os caras não vão ficar nada felizes.
Olha a profundidade disso. Esse é o meu braço. Caramba. Falta uns dois centímetros pra chegar na água, ou essa broca não vai mais conseguir girar. Bora lá. Vai rolar. Falta pouco. Bora lá. Cruzem os dedos.
Tô com fome. Eu tô faminto!
Não, não, não, não! Não! É impossível ir mais fundo agora. A nossa broca não é grande o bastante. Essa é a espessura desse gelo. Quer dizer que a gente não vai pescar? Aqui, talvez não.
Quando a gente percebeu que o gelo era espesso demais, e diante do risco de hipotermia porque as nossas roupas estavam encharcadas, a gente teve que voltar.
Objetivo: pegar peixes.
Voltar sem comida me deixou muito pensativo. Eu lembrei do nosso último vídeo de sobrevivência, quando a gente se deu mal.
Vocês têm a minha palavra. No próximo vídeo de desafio, eu não vou falhar de novo. Eu não vou falhar de novo. Eu não vou falhar de novo. Eu não vou falhar de novo.
Oi, gente. Pegaram algum peixe? Não. Isso me deixou desanimado. É. Até agora, tem sido horrível. O nosso astral tá lá embaixo.
Alguém pode me apagar e me acordar no sétimo dia? Não é surreal? Ainda é o terceiro dia. Faltam mais quatro.
É, e tudo aqui, incluindo as minhas mãos, ficou encharcado, e vai fazer muito frio essa noite. É. E isso é muito ruim. Quando essa água congela junto do seu corpo, você morre.
Agora, as roupas de todos estão encharcadas. Essa noite vai fazer muito frio. Um de nós vai ter hipotermia se não fizermos alguma coisa agora mesmo.
Tá vendo aquele pinheiro lá em cima? Vamos tirar os galhos dele pra fazer uma cama, pra gente ter mais isolamento e conseguir dormir. Faz muito frio à noite, e é ainda pior pelo contato com o chão. Eles são perfeitos.
Eles são perfeitos. É uma madeira boa pra nossa cama.
Ei, o Hase chegou. Hase! Quem quer um pouco? Eu aceito. Tem muito mais, gente.
Quando o Hase apareceu com aqueles galhos, parecia um presente de Natal antecipado. Finalmente, a gente teve esperança de ficar aquecido durante toda a noite.
Isso salvou a nossa vida, gente. Obrigado. Tá tudo bem. Todos estão bem. É só o que importa.
Cara, eu vou dormir bem essa noite.
Cara, que dia lindo! Graças a Deus, o tempo tá bem melhor hoje. O sol tá tão bom. Hoje é o dia em que tudo, finalmente, vai dar certo.
Parece que o tempo vai piorar. Quê? O tempo. Tá vendo aquela parte escura? Aquilo é uma nevasca. Nevasca? Nevasca. A gente precisa correr.
E pra complicar ainda mais... Hoje, vamos ficar sem comida... Se não pegarmos peixes.
Estoque de comida: um dia. Não tem muitas refeições agora. É, quase nada. Ah, não.
E pra tentar encontrar um lugar melhor pra pescar hoje, a gente vai usar o drone do Darius.
Aperta o do lado esquerdo. Beleza.
A gente vai procurar gelo que tenha água corrente embaixo. A água corrente indica gelo mais fino.
Com certeza, isso é um rio. Tá vendo aquela curvinha ali? É um rio grande. E rios grandes têm mais peixes.
Gente, fica bem longe. Tem que cruzar um lago e também uma floresta pra chegar até o rio. Vocês conseguem andar tudo isso? Sim. E ainda pegar peixes e trazer pra cá.
Então, é melhor começar a nossa travessia. Não se preocupa, gente. Eu tenho uma arma secreta.
Jimmy, você sabe esquiar? Não. Não faço ideia do que eu tô fazendo. É, parece mesmo.
A gente trouxe esquis de cross-country pra facilitar a travessia pelo lago. Bom, talvez não pra mim e pro Darius.
Eu odeio isso!
Então, avança, avança e desliza. Você disse pra deslizar? Avança, avança e desliza. Tá indo bem. É estranho, mas divertido. Vamos pegar uns peixes!
Bora lá, pessoal. A gente consegue. Arrasaram, viu? Tô orgulhoso de vocês.
Ei, Darius? Oi? Dá pra você parar de cair tanto? Vamos amarrar os esquis.
Pra atravessar a floresta, vamos calçar as raquetes de neve, que nos permitem andar na neve fofa. Segundo o drone, o rio é por aqui. Vamos tentar ficar na neve fina.
Então, se olharem pro... Ai, meu Deus, o que você tava falando mesmo? Timing perfeito. Que neve?
Tem pegadas de animais por toda parte. Sim. Essas pegadas que vão até a floresta não são nossas. O que é, Hase? Alce. Alces têm patas desse tamanho? Qual é a altura deles? São enormes. Com base nessas pegadas, ai, meu Deus!
Tá bom, então, é melhor a gente ir por ali, onde o alce não está.
Esses peixes têm que praticamente pular pra fora do buraco que a gente fizer. Eu já passei muita vergonha pra voltar sem peixe.
Chandler! Oi? Poxa, sobe essa calça. Eu tô suando.
O Jimmy falou pra aumentar esse abrigo. Vamos dar uma mansão pra ele.
Tá bem frio. A gente tá cansado. Tá bem difícil. Não.
É aqui, nessa parte fechada. Só tem que atravessar. Eu sei que o rio tá logo ali. Tá chegando, gente! Continuem. Quanto falta pra você desmaiar? Bem pouco.
Gente, eu tô vendo o rio! Não brinca. Olha só isso. Não é uma coisa linda? É surreal. Tá bom, bora lá pescar.
A minha perna ficou presa num buraco. Eu te ajudo, cara. O galho é a única coisa que me impede de cair.
Como será que os caras estão lá no acampamento? É melhor que estejam trabalhando.
Caramba! Ei! Se liga. Não é um pedaço grande demais?
O Chandler descobriu um novo método pro teto. Cara, isso foi surreal. Esse é o maior pedaço de todos.
Gente, eu sei que vocês criaram uma nova estratégia. Mas, por favor, não façam o teto cair. Esse pedaço é enorme. A gente nem sabe o que tá fazendo.
Acho que é aqui. Aqui, né? Beleza.
A travessia inteira que vocês viram agora se baseou na suposição de que esse gelo é mais fino. Vamos descobrir o quanto estamos ferrados.
Bora lá, Jimmy, bora lá. Bora lá, Jimmy, bora lá. Bora lá, Jimmy... Qual é, virou líder de torcida? Porque eu até gostei.
Mano, se você tá com tanta energia, então vem ajudar. É energia demais. Beleza, fura aí. É, vai rolar! Vamos pegar uns peixes.
Os meninos vão comer bem essa noite. Amanhã à noite. Na noite seguinte. A gente vai comer bem pelo resto do vídeo.
Sei lá, eu só falei isso só pra tentar me animar porque tô com medo de termos gastado todo esse tempo, energia e calorias, e eu tô cansado.
Pessoal, o avião chegou! O avião chegou. Cadê o sinalizador?
A gente fez o abrigo, fizemos muita coisa. Então, a gente podia usar isso. Podemos disparar isso e ir pra casa. Tá carregado?
Ei! É o avião. Olá! Olha, isso é bem tentador, a essa altura.
Tava com o dedo no gatilho. Quase apertei. Cara, eu quero muito fazer isso. Cara, acho que já deu, vamo nessa. A gente pode acabar com esse sofrimento agora.
A gente já pode vazar. Jimmy, a gente só vai ter que deixar o cabelo no chão. Espero que um dos caras não esteja careca naquele avião, agora.
Na verdade, o acampamento fica bem longe. Eu não sei se eles dispararam o sinalizador.
Cuidado com os olhos.
O buraco já tá tão fundo quanto meu braço, e a gente ainda não chegou na água. Talvez a gente tenha o mesmo problema de ontem. A ciência disse que isso era um rio, então, o gelo devia ser mais fino. Mas, por enquanto, ele não parece mais fino.
Os meus sapatos tão encharcados. Quando eu caí perto do rio, a minha bota ficou cheia de neve úmida. E agora... Eu tô congelando. É melhor tirar as meias e torcer bem.
É, eles tão vermelhos. Posso pôr o meu pé na sua axila? Sim.
Meus dedos tão começando a ficar meio roxos. Então, eu botei eles na axila do Darius pra aquecer. Valeu, Darius.
Cara, esse é o último lugar onde eu pensei que acharia o seu pé. Sabe o que eu adoraria? Uma fogueira acesa.
E chocolate quente quando a gente chegasse. Acho que vocês sabem de quem a gente tá falando.
Mas depois de três horas no frio... Hase, para. ...eu sabia que a gente precisava voltar.
Ei, se a gente não voltar, falando sério, alguém pode se machucar feio. Acho que chegou a hora de aceitar o fato de que a gente fracassou de novo.
Parece que as nuvens vão formar uma tempestade. Olhem em volta, a gente tá no meio do nada. A gente precisa voltar pro acampamento. Espero que os meninos tenham tido mais sorte que a gente hoje.
Não consigo parar de imaginar a cara do Nolan e do Chandler quando descobrirem que não vão comer hoje essa noite.
— Como foi? Vocês tão bem? — A gente cavou quase dois metros. Quatro horas brutais, e aí o sol começou a se pôr. — Quer dizer que não tem peixe? — Tô dizendo que a gente vai voltar amanhã e cavar até achar os peixes. Eu vou deitar agora.
Objetivo: pegar peixe.
Eu devia ter usado o sinalizador. A gente tá sem comida agora. Quarto dia, sem comida.
Vamos todos relaxar um pouco. Eu sei que o desânimo é grande, não tem peixe hoje. Vamos levantar o astral olhando pra caverna.
— Tá vendo isso? — Isso é surreal, mano. Aquele canto tá muito maior. O objetivo é ninguém acordar ninguém essa noite. — Valeu. — A distância é a mesma entre todos, e assim, ninguém vai se esbarrar.
Hoje foi muito difícil. Eu precisava de uma vitória, cara. Mas foi só “pá, pá, pá”! Hoje foi puxado.
Eu queria agradecer por aumentarem o abrigo. Tem bastante espaço entre mim e o Nolan agora. A gente não vai esbarrar um no outro. Vou dormir porque acho que vou ter que fazer tudo aquilo de novo amanhã. “Delícia”.
É o quinto dia e a gente só tem uma última refeição. Mas a gente trouxe uns lanches pra uma situação como essa, como os snacks de carne da Jack Link's. E com seis gramas de proteína, eles são perfeitos pra dar mais energia durante o dia.
— Darius, pode pegar o meu, cara. — Sim.
E se a gente não estivesse no frio do Ártico, era só ir até o Walmart, onde vocês já podem comprar alguns também. Mas infelizmente... Depois desses snacks de carne, a gente tá praticamente... Sem comida. E lá vem uma nevasca. Nenhum avião vai vir, não vai ter resgate. A gente tá por conta própria.
A gente precisa pescar. Mas infelizmente, a neve tá úmida. Se a gente sair, vai se encharcar. Mesmo se der pra pegar os peixes, vai ser extremamente arriscado.
A gente vai voltar até aquele buraco de pesca pra pegar peixes. E é bem provável que, quando a gente voltar, alguém vai estar com hipotermia. — O quê? — Isso significa que vocês precisam deixar água quente pronta pra usar. Resumindo, tem que ter um “pronto-socorro” aqui. — Isso é muito perigoso. — Beleza, bora lá.
Brincadeiras à parte, eu conheço os meninos. E se a gente não conseguir pescar, todos eles vão surtar amanhã. E a gente fracassou no último vídeo. A gente chegou perto da ilha, mas não conseguiu. Eu não quero falhar em outro vídeo, então, a gente vai lá pegar um peixe. — É isso aí.
— O que a gente vai fazer? — Pegar um peixe. — Fala sério agora. O que a gente vai fazer? — Pegar um peixe! — Bora lá pegar um peixe! — Bora lá!
Até mais, gente! Se cuidem.
Cara, como a gente vai fazer fogo agora?
Por causa da nevasca, a gente decidiu não esquiar pra ter menos peso pra carregar. Mas por isso, a caminhada vai demorar mais. Vamos ver se isso vai dar certo.
A trilha que a gente fez até o rio foi totalmente coberta pela neve. A gente vai conseguir, relaxa. É só andar nessa direção por muito tempo.
E aí, como é que se faz fogo? Sobrou pra gente descobrir. Essa lenha tá toda molhada. E madeira úmida não pega fogo, certo? Eles precisam de água quente quando voltarem e a gente... Como faz? Quem sabia o que fazer já saiu. Turma... a gente tem muita coisa pra resolver.
Um terço já foi. Só faltam dois. E aí? Cadê a nossa trilha? A nossa trilha sumiu totalmente. Ela tá aqui. — Já vi. — É. Foi aqui que eu fiquei preso ontem.
— Jimmy, você tá bem? — Eu tô bem. E eu falhei de novo hoje. — Bora lá, gente. — Beleza, bora lá. A gente vai pegar peixe hoje.
A gente vai usar essa árvore morta que achou porque ela tá seca por dentro. — Do que a gente precisa, Chandler? — De lascas secas.
Força! Agora, sim. — Aê, abriu! — Conseguimos. Beleza, vamos entrar.
Agora que a gente tem lenha seca, é só raspar assim pra fazer lascas e acender o fogo. É a única lenha seca por aqui.
Olha ele lá! Agora, sim, vai dar certo. Vem cá, peixinho, peixinho, peixinho. A gente tá pegar vocês, peixes. — Aquilo é a broca? — Essa é a árvore que eu deixei. Parece a Excalibur, né?
Beleza. Droga. Pode estar congelado. Beleza, o buraco ainda tá aqui. Vamos voltar ao trabalho.
A gente precisa começar expandindo as laterais pra que a broca consiga ir mais fundo. Enquanto vocês usam a picareta, eu vou ver se acho um ponto mais fino. Eu acho que onde os rios se encontram, a água se move mais e o gelo é mais fino. Tomara.
Agora, a gente precisa de um milagre. A gente precisa pegar uns peixes. Comer é aquecer. Se a gente não come, o corpo esfria. O frio pode causar hipotermia, e aí, já era.
Eu só preciso de uma vitória.
— Jimmy! — Que foi? — Atravessou! — Sério? Aqui tem uns 20 centímetros! Deixa eu ver. Eu preciso ver isso de perto. Agora, sim.
A gente abriu o primeiro de muitos buracos de pesca, eu espero. A gente trouxe comida congelada como isca. Vamos ver se algum peixe morde. É melhor ter vários buracos pra gente pescar. A gente trabalhou muito pra não pegar uns peixes.
E agora, é só esperar. Porque mesmo estando no lugar certo... Pode levar uma hora. Pode levar uma hora.
Eu quero um peixe.
— Nada ainda, Darius? — Não.
Ei. Olha...
4 horas depois.
Vou falar a real, gente... Tô com muito frio agora. Eu não acredito mais que algum peixe vai morder esse anzol. E tô preocupado porque se a gente não pegar um peixe agora, por causa da falta de calorias, vamos sentir muito frio essa noite... E amanhã. E sinceramente, talvez a gente tenha que encerrar o desafio se a nevasca piorar,
Se a nevasca piorar, eu não sei. Eu só não quero falhar em dois desafios seguidos. Eu não sou assim. Eu não gosto nada de fracassar, então eu vou ficar aqui o tempo que for preciso e vou pegar um peixe porque quero me sair bem por vocês.
Ah! Peraí, senti um puxão. Que doideira. Eles vão achar que é mentira. Que estranho.
Você pegou um peixe! Pegamos um peixe? Um peixe! Com certeza, pegou um peixe, Jimmy! Você fisgou ele durante o seu monólogo, Jimmy!
Caramba! Jimmy! Não! Não! Não, ele tá bem aí. Eu peguei ele com a mão. Eu não acredito! Não, você perdeu ele? Não, não... Ah, não. Não, não, não.
Ele tava na minha mão. Fisgou pelo lábio. É, ele tava vindo de lado. É. Tá, não para, continua pescando.
Olha, o lance com os peixes daqui é que se você pegou um, tem muito mais. Isso tem que voltar pra água. Se tem um, tem mais. E a gente vai pegar um peixe, Jimmy, eu juro por Deus, a gente não vai falhar de novo.
Ah, não. Isso é péssimo. Tudo bem. Eu tenho uma luva extra. Tá. Tá tudo bem, tá tudo bem. Você pesca, você pesca, todo mundo pescando.
Foi mal, cara. Tudo bem, acontece. Eu quase enfiei a minha mão também. Não dá, eu nunca fiz isso antes. Nunca peguei um peixe com a mão.
Jimmy. Você pegou. Você pegou. É? Isso, Jimmy. Vai com calma. Puxa devagar pra fora do buraco. Aê, Jimmy!
Pegamos um! Eu nem acredito! Olha! Pegamos um peixe! Eu quase soltei ele no buraco.
Perfeito. A gente tem que voltar a pescar porque onde tem um, tem outros. Tá bom. Beleza, agora bora usar isso aqui.
Eu espero que o Jimmy e os caras estejam bem. A gente tá tentando deixar tudo pronto antes deles chegarem, porque talvez eles tragam um peixe.
Tá pronto pra acender o fogo, Chandler? Quase. Continua, continua. Continua. Acendeu! Já temos fogo!
Beleza. A gente fez uma chama pequena. Agora, é só aumentar. Tem que pôr mais lenha.
Hase, senti uma fisgada. Mantém a tensão. Puxa, puxa devagar. Mantém a tensão. Continua puxando, continua puxando. Tem alguma coisa aí, tem alguma coisa! Puxa ele pra fora! Aê! Uhu! Mais um! Ah! Eu nem acredito! Vamos comer bem hoje à noite! Sim!
Faz horas que eu não bebo água. Tô com dor de cabeça. Eu nem sei o que tá rolando, mas peguei uns peixes.
Depois de sete horas pescando, a gente pegou dois peixes! Vamos comemorar com os caras! Bora lá!
Agora vou colocar a neve. O Hase vai ficar muito orgulhoso da gente. Quando voltar, ele vai falar: “Eu não preciso fazer isso”? A gente acendeu o fogo. A água tá pronta. Agora só falta o peixe.
Acendam o fogo! Isso aí é um peixe? A gente preparou tudo! Aê!
Pessoal, eu sei o que vocês estão pensando. Hase, pega o saco azul. É melhor não ser uma pegadinha! Galera! A gente vai comer hoje à noite! Aê! Aê! Bora lá! Vitória!
Olha só, o primeiro peixe tá assando. Aê! Ei, parabéns. Parabéns.
Beleza. O peixe já tá pronto, quem tá com fome, gente? Eu! Vamos comer!
Relaxa, tem um segundo peixe pra sustentar a gente durante todo o sexto dia. Aí, sim. Demais. Eu acho que nunca comi um peixe tão fresco, por isso tá uma delícia.
Vocês acreditam que a gente tá comendo peixe aqui, no meio do Ártico? Eu acredito e tô vivendo isso. Tô vivendo isso e acreditando. E vendo. E sonhando. Tudo isso junto.
Gente, o que vocês acharam do nosso peixe? Ele tava delicioso. Tava incrível!
Amanhã, eu planejei um lance bem legal pra gente. Mas antes de contar, Chandler, pode falar: “Corta pro time-lapse”? Corta... Corta pro... Corta pro... Não, eles vão te cortar na edição, fala tudo de uma vez. Corta pro time...
DIA 6
Ei, pessoal! O avião chegou! Não quero assustar ninguém, mas acho que vou disparar o sinalizador. Porque eu não sei o quanto a gente vai se divertir hoje.
Depois de cinco dias exaustivos, acho que os meninos merecem um pouco de diversão. E se eles chegarem até o sétimo dia, eu tenho uma surpresa pra eles.
Ainda bem que vocês pegaram os peixes porque quase vazei sem eles. Sério mesmo. Esse foi o desafio mais difícil que eu já fiz.
Mais difícil que aquela vez que tentamos fazer você comer picles sete anos atrás? Agora, vai! Vai engolir. Vai engolir! De boa. Esse é o segundo desafio mais difícil que eu já fiz.
A gente faz vídeos de sobrevivência como esse há quase uma década. Eu vou ficar embaixo d’água por 24 horas seguidas.
Um dos momentos mais difíceis da minha vida... O que a gente tá fazendo?! Eu acho que vou vomitar. Foi uns dias atrás, durante a nevasca. Isso tá cada vez pior, gente. Mas também foi um dos melhores momentos da minha vida.
O barco flutua mesmo! Aê!
Naquela caverna, fazendo piada com os meninos, desconectados da sociedade, foi um dos vídeos mais divertidos que eu já fiz. Eu só queria agradecer esses caras, porque é por causa deles que um vídeo como esse, que teoricamente devia ser péssimo, tem tantos momentos bons, e eu sou muito grato a eles.
E acho que nem preciso dizer, mas é claro que sou muito grato a vocês também. Quando eu era criança, eu sonhava em viver a vida que eu vivo hoje.
Oi, “eu” em dez anos. Espero que ainda esteja no YouTube.
Então, o meu muito obrigado. Vou lá jogar uma bola de neve neles.
Tareq! Me empurra! Vai, Jimmy! Uou! Ai, caramba.
Beleza, agora eu tô encharcado. O sexto dia foi nota dez.
Eu guardei esses s’mores pra última noite. E chegou a hora.
Eu guardei esses s’mores pra última noite. E chegou a hora.
Pessoal! O que é? Eu tenho um presente! Que cara boa! Que demais. Ei, Nolan, ajuda aí, vai.
Saúde, gente! Saúde! Saúde! Saúde! Um jeito de terminar isso com o chocolate mais gostoso do planeta.
O Hase é o máximo. Hora de dormir. Vejo vocês amanhã de manhã pra surpresa.
O quê? Só vou dizer que a gente não vai embora de helicóptero amanhã. O quê? Mas a gente vai embora, né? Depende. Vocês vão ver. O quê?
É o sétimo dia! Sim! Sim! Tira a gente daqui!
E agora, a reviravolta: vamos ficar mais uma semana aqui. Para! Eu vou nessa. Qual é a surpresa? Quando a gente sair dessa caverna e arrumar tudo, eu mostro. Vamos fazer isso agora.
Mas a gente não pode sair até limpar cada resto de lixo. Corta pro time-lapse. O Tareq não pode pedir o time-lapse. Corta pro time-lapse!
Ah! Aê! Agora, sim! Vambora! Vamos pra casa! Nem acredito. Tragam a surpresa!
O sinalizador acaba de avisar o “segredo”, que não é o helicóptero. É uma matilha de cães do Ártico.
Ah, demais! O quê? Não tem nada mais “ártico” do que isso. Cara, são muitos cães! Ai, meu Deus, tô louco pra voltar pra casa.
Doguinhos! Oi, doguinhos. É a minha carona! Me leva pra casa, baby!
E foram sete dias no Ártico. Vamos pra casa! Eu tô ansioso pra tomar um banho quente!
Ei, se vocês gostaram desse vídeo, não deixem de se inscrever. Valeu por ficarem até o fim.
Isso é surreal. É assim que se termina um vídeo!
Tradução: Iyuno
Artigo publicado
