100 pessoas na mata por US$ 250 mil: conhecimento ou recursos?

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Resumo

MrBeast deixou cem pessoas no meio da natureza, divididas em dois times de 50. O time azul reunia especialistas em sobrevivência. O time vermelho era formado por amadores que, segundo ele, "talvez não estejam prontos pra mata". A regra era simples: o time com mais pessoas presentes quando a ajuda chegasse dividiria US$ 250 mil. A única forma de sair era acender um sinalizador e esperar o resgate, o que contava como eliminação.

15 min de leitura

A pergunta central do vídeo é o que pesa mais numa disputa de sobrevivência: saber o que fazer ou ter o que usar. Ao longo de cerca de 20 dias, a resposta que o próprio vídeo apresenta muda várias vezes.

Pontos de partida diferentes

MrBeast diz que sabia que o time azul teria vantagem. Por isso, antes de começar, levou o time vermelho a uma loja para comprar tudo o que achassem necessário. Os amadores mostraram o que escolheram: corda, lona, um isqueiro e até um fardo gigante com 24 garrafas de água. Um grupo acabou com uma barraca infantil, e um dos integrantes brincou que, por sorte, tinha só 1,67 m. Perguntados se venceriam os profissionais, responderam que sim: "Nós somos profissionais do nosso jeito".

O time azul, por outro lado, só sabia que participaria de um vídeo do MrBeast. Um integrante disse que se preparou para qualquer clima, e outro achou que seriam levados ao Alasca. Um deles, que diz praticar as técnicas há cerca de uma década, organizou a construção de abrigos simples feitos de galhos, com uma boa camada de isolamento. Pediu dez pessoas para juntar material e deixou que os próprios colegas construíssem, porque isso seria melhor para o moral. Um dos especialistas disse que já tinha passado três meses no mato, por diversão, e outro disse que poderia ficar ali até o Natal.

As primeiras noites: vantagem dos amadores

Na primeira noite, segundo a narração, a vantagem material do time vermelho facilitou muito as coisas. Os especialistas sofreram com a queda brusca de temperatura. Uma integrante disse estar exausta, desidratada e se perguntando por que continuava ali. No segundo dia, outra relatou que não conseguiu dormir porque o chão estava frio e tudo ficou úmido.

As duas primeiras desistências vieram justamente do time azul. Uma delas foi de uma participante que se desculpou dizendo ter 66 anos e próteses nos joelhos. Enquanto isso, os amadores comentavam a manhã bonita e o prazer de se afastar do mundo.

Os especialistas perceberam que precisavam consertar os abrigos logo ou perderiam mais gente. A instrução foi cobri-los com cerca de 30 cm de folhas, que, segundo eles, impedem a entrada de água quando chove. Também montaram uma cobertura para manter a comida seca. No terceiro dia, o resultado apareceu: um integrante disse ter dormido "como um bebê" porque o abrigo estava quentinho, e outro comparou o abrigo a um hotel cinco estrelas.

Fome: o recurso que se esgota

No time vermelho, a vantagem se desgastou rápido. A narração diz que os amadores passaram os dois primeiros dias acabando com os lanches e, no terceiro, já enfrentavam o estômago vazio. Tentaram usar os kits de pesca, mas só pescaram lixo. No quarto dia, alguém avisou pelo rádio que estavam sem comida.

No time azul, Seth, apresentado como especialista em sobrevivência na selva, deu uma "aula sobre comida". Mostrou plantas que podiam ser colhidas como lanche e montou uma armadilha para peixes com galhos, colocada num rio próximo.

MrBeast também tinha preparado uma saída para a fome. Espalhou estoques de comida pela mata, com beterraba, maçã e batatas, na quantidade mínima para garantir a sobrevivência, "se eles souberem administrar". Os dois times montaram despensas comunitárias para racionar.

Especialistas que não conseguiam trabalhar juntos

A partir daí surgiu o obstáculo que a narração aponta como novo: os próprios colegas de time. No time azul, Julia escondeu comida, dizendo que não queria que os outros controlassem os estoques porque comeriam tudo e não sobraria nada. Randy encontrou um estoque escondido num abrigo de pessoas que já tinham saído e comentou que não lamentava a saída delas, já que não contribuíam com o grupo. Mesmo assim, lembrou que o time precisava de gente que ficasse para vencer. Com cinco pessoas já perdidas, pediu que ninguém mais se eliminasse.

O apelo não funcionou. As autoeliminações continuaram, junto com as brigas sobre quem decidia o que cada um comia. Um participante reclamou que, com 11 pessoas num grupo, só uma poderia pegar uma maçã. Outro resumiu o problema assim: ali havia 50 sobrevivencialistas, "pessoas controladoras e competitivas", e todos queriam liderar. No quinto dia, o time azul já tinha perdido nove especialistas.

O time vermelho adotou a estratégia de se unir e racionar, com uma maçã por pessoa. Um participante disse estar acostumado a comer seis ovos de manhã e agora comia só uma maçã, "mas pelo dinheiro…". Nem todos aguentaram: falta de energia, dor de cabeça e vontade de comer waffles apareceram nas falas, e a fome custou ao time vermelho suas seis primeiras eliminações.

Numa visita, os amadores disseram que o abrigo deles, uma "mansão" para quatro pessoas, era "cem por cento melhor" que o dos profissionais. Admitiram que o sono estava melhorando provavelmente porque a exigência deles tinha diminuído. Arriscaram que a maioria dos especialistas já teria ido embora e que eles deviam estar discutindo porque cada um acha que o seu jeito é o melhor. A narração comenta que ela "não estava tão errada". No acampamento azul, havia quem defendesse um esquema de alimentação mais rigoroso ("Isso não é conforto. Isso é sobrevivência"), enquanto outros lembravam que comer tinha sido decisão da comunidade.

Os dois lados continuaram perdendo gente. No time vermelho, a chef Brittany tentou preparar um café da manhã para conter as saídas, mas a comida recebeu críticas duras ("Péssima") e alguém disse ter ficado enjoado. Depois, sem frutas e sem café da manhã, mais dois integrantes saíram. No time azul, nem um círculo de tambores acalmou os ânimos: uma discussão sobre limpar a bancada antes de cozinhar terminou com uma pessoa dizendo que tem dificuldade de fazer parte de um time por ser "meio rebelde", e houve mais eliminações. MrBeast avisou que os times não sabiam quantas pessoas restavam do outro lado e que o público também só saberia no fim.

O desafio das 50 latas

No sétimo dia, MrBeast passou de avião jogando sacos de comida para os dois acampamentos. Cada time recebeu 50 latas. Quem devolvesse mais latas fechadas em 72 horas ganharia uma recompensa. Se houvesse empate, ninguém ganharia nada.

O time azul decidiu enterrar tudo, apostando que os adversários achariam que eles abririam as latas por estarem famintos. O time vermelho escondeu as suas na mata, com acesso restrito a poucas pessoas, e recusou até o pedido de alguém que queria só uma. Um integrante previu que, se os colegas soubessem que não poderiam abrir as latas, alguns sairiam.

No oitavo dia, os dois times viviam situações opostas. O vermelho achou uma churrasqueira velha na mata e, com o tempo nublado dando trégua ao sol, o astral melhorou. O azul lidava com dermatite se espalhando, armadilhas vazias e fome a ponto de alguém dizer que estava quase comendo pasta de dente. Várias pessoas falavam das latas de carne, ervilha e milho guardadas. Na busca por lagostins, um participante quase pisou numa cobra que confundiu com um galho.

A tempestade

No fim do oitavo dia, chegou uma tempestade que alguns temeram ser até um tornado. Um participante relatou que a temperatura caiu cerca de oito graus em uns dez minutos. O vento parecia capaz de derrubar os abrigos. Os especialistas se encolheram nos seus e diziam não haver como o time vermelho aguentar aquilo tão bem quanto eles.

De fato, no acampamento vermelho barracas desabaram, e parte do grupo se refugiou no avião que ficava na área. Na manhã seguinte havia geada nas folhas, nas árvores, na caixa de dinheiro e até num assento de avião. Uma integrante do time azul disse estar faminta e duvidar que aguentasse outra noite assim, mas outro se consolou pensando que, se eles estavam congelando, o time vermelho também estava. A tempestade tirou seis pessoas do time vermelho, que gritaram que nunca mais iriam acampar, e duas do time azul.

Empate e colapso no time azul

No dia do resultado, os dois times devolveram 50 latas fechadas. O time azul ainda deixou cair duas no transporte, mas o total foi mantido. Houve empate, e ninguém ganhou recompensa.

O impacto foi imediato no time azul, que parecia confiante e acabou sem comida extra. Logo depois do anúncio, três pessoas pediram para sair, e o número logo chegou a cinco. Uma delas disse que seu "coração de mãe" mandava ir embora. Na manhã seguinte, os especialistas falavam em privação de sono e fome constante. Um participante disse ter esposa e filha para quem precisava voltar.

A saída mais marcante foi a de Seth. Ele disse ter ensinado a todos como fazer abrigos que aguentam intempéries, que se esforçou para que todos tivessem sucesso e que acreditava na vitória do time azul. Explicou, porém, que já estava longe da sua empresa havia tempo demais e precisava priorizar o próprio sustento. Outros relataram estar perdendo peso todo dia, com dores no quadril e sem poder depender só do arroz disponível. Mymona também saiu, e os colegas se despediram com uma brincadeira de funeral ("Ela não morreu").

Nem todos lamentavam as saídas. Um participante comentou que cada desistência aumentava o prêmio. No time vermelho, com menos gente, os que ficaram assumiram mais funções. Uma integrante contou que, desde a saída da chef Brittany, passou a cuidar de metade da cozinha e provou para si mesma que podia fazer muito mais do que imaginava.

Outra chuva, outra briga

Uma nova tempestade trouxe cerca de cinco horas de chuva contínua ao acampamento azul. Tênis, meias, roupas e os lugares de dormir ficaram encharcados, e alguns abrigos se mostraram não à prova d'água. O conflito girou em torno da única lona. Um grupo dizia que ela tinha sido montada para manter o arroz e o feijão secos. Outros insistiam que era um abrigo comunitário e se revoltaram por não poderem ficar embaixo dela. Havia uma tentativa de reorganizar o espaço para abrigar pessoas, mas o clima era de gente "chegando no limite".

No time vermelho, alguém enchia a garrafa de água e ia para a barraca ler e dormir, dizendo que aqueles tinham sido os dias mais fáceis.

O desafio das cinco caixas

No 14º dia, cada time recebeu um conjunto idêntico de cinco caixas, abertas uma a uma. O primeiro time a apertar o botão ficaria com o item, e o outro não receberia nada. Se ambos rejeitassem todas as caixas, os dois ficariam com tudo.

A primeira caixa trazia um kit de pesca, rejeitado pelos dois lados porque, segundo os participantes, não havia peixe no rio. A segunda tinha panelas e frigideiras de ferro fundido. No time vermelho, alguém sugeriu apertar só para deixar o adversário sem nada, mas o grupo recusou. A terceira trazia Feastables Cups de manteiga de amendoim, e ninguém apertou, apesar da tentação. A quarta, com materiais de construção, foi fácil de recusar, porque os abrigos já estavam prontos.

Antes da última caixa, o time vermelho debateu se o azul apertaria. Um argumento era que, se ninguém apertasse, haveria empate de novo, e por isso o adversário não teria motivo para ajudar. A quinta caixa trazia bifes, snacks e temperos para o time inteiro. Patrick, do time azul, apertou o botão na hora.

A decisão rápida deu ao time azul, pela primeira vez, um recurso que o rival não tinha, mas também criou uma divisão interna, porque outros queriam conversar antes. Uma integrante reclamou de não ter sido ouvida e lembrou que era vegetariana, ao que alguém respondeu "Quem liga?". Uma discussão terminou com um "Então sai daqui!". Mesmo assim, os que comeram os bifes comemoraram, comparando o momento ao Natal e ao Dia de Ação de Graças e dizendo que a proteína trouxe energia. No time vermelho, uma integrante lamentou as panelas, que teriam evitado as "coisas pretas" que apareciam na comida.

Dinheiro, egoísmo e desgaste

Terminada a carne, o time azul passou a brigar por dinheiro. Com tantas saídas, a parte de cada um nos US$ 250 mil crescia, e MrBeast disse que já chegava a milhares de dólares. O vídeo afirma que Trinh bolou um plano para aumentar a própria parte do prêmio, sem detalhar qual. Houve acusações de egoísmo por causa da lona, e alguém disse que a sobrevivência já não era a parte mais difícil. Do outro lado, o time vermelho ouvia gritos e palmas e concluía que alguém tinha surtado.

No 17º dia, os atritos continuaram. Uma participante comeu batata-doce quando mais ninguém tinha almoçado e respondeu que não seguia ordens de ninguém. Houve discussão sobre um acordo a respeito do arroz de que uma pessoa dizia não ter participado. Um integrante disse que queria sair com a vitória, mas sentia que sairia com um gosto amargo, e pediu desculpas a Joel. Outro disse que, quanto menos gente, menores as chances de vencer. Também houve atritos no time vermelho, com acusações de falsidade e críticas à comida sem gosto, e ao menos uma pessoa decidiu sair dizendo que não sentia mais paz ali. Ainda assim, a narração descreve o time vermelho como unido e prosperando, e mostra alguém pescando um peixe grande que foi limpo e cozido em grupo.

A narração resume o que as semanas mostraram: ter treino para sobreviver sozinho na floresta não significa conseguir sobreviver em grupo. No time azul, os que restavam comemoravam cinco dias seguidos sem sinalizadores, mas alguém repreendeu uma colega por celebrar enquanto, na avaliação dele, tinham uma pessoa a menos que o time vermelho, embora nenhum time soubesse ao certo o tamanho do outro.

O sinalizador escondido

Com três semanas na floresta, MrBeast propôs um último desafio. Cada time marcaria no mapa do acampamento adversário onde esconder um sinalizador. Quem encontrasse primeiro decidiria quando o vídeo terminaria, podendo encerrar o jogo no mesmo dia ou depois de cinco ou dez dias. MrBeast lembrou que quem aciona o sinalizador perde. O time vermelho escondeu o sinalizador do adversário bem longe, com a ideia de fazê-los gastar calorias.

Na busca, o time vermelho pareceu desorganizado. Apesar de dizer que tinha dividido o terreno, ainda perguntava para onde cada um ia, e um integrante parou para buscar água. O time azul chegou com um plano pronto. Taylor, do time azul, encontrou o sinalizador.

Perguntados sobre quantos amadores restavam, os especialistas chutaram oito ou nove. Recusaram a ideia de esperar até o dia seguinte ("a gente esperou 20 dias") e dispararam o sinalizador na hora.

Resultado

Na contagem, o time azul tinha 11 competidores, e o vermelho, nove. Os especialistas ganharam os US$ 250 mil, cerca de US$ 22 mil para cada um. Os amadores, que MrBeast disse que não voltariam de mãos vazias, receberam US$ 4 mil cada pela participação. Uma integrante do time vermelho comentou que era triste, mas que os adversários eram profissionais e ela estava feliz por terem chegado tão longe.

MrBeast concluiu que, com habilidades ou com muitos recursos, o que mais importa é o trabalho em equipe. Uma conclusão que o vídeo ilustra dos dois lados: os amadores desperdiçaram a vantagem material no começo, e os especialistas quase perderam a vantagem do conhecimento para as brigas internas.