Como as visualizações de um vídeo de MrBeast viram refeições no Quênia, em Gana e nos EUA

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Resumo

A proposta do vídeo é que cada pessoa que assiste ao vídeo inteiro ajuda a alimentar alguém. Segundo a explicação dada logo no início, cada visualização completa gera dinheiro, e quanto mais o vídeo cresce, mais pessoas podem ser alimentadas. MrBeast diz que o dinheiro não paga só refeições: também serve para abastecer terras agrícolas, construir cozinhas, encher escolas de comida e tirar crianças do trabalho infantil. O vídeo passa por três lugares: Quênia, Gana e Estados Unidos.

9 min de leitura

Quênia: carteiras, cozinha e infraestrutura para a escola

A primeira parada é uma escola no Quênia. Na abertura, a equipe anuncia que 1.500 pessoas foram alimentadas naquele momento. Segundo o vídeo, o programa de alimentação fez a frequência escolar aumentar muito, e por isso fazia sentido melhorar também as salas de aula.

O problema mostrado é a falta de carteiras. Alguns alunos precisavam sentar sobre pedras, e havia quatro crianças dividindo uma carteira feita para duas. Depois de perguntar aos alunos se queriam carteiras novas, a equipe trouxe móveis para todos. Segundo o vídeo, mesmo com tantos alunos novos, todos passaram a ter onde sentar. Uma das pessoas presentes comentou que a cena faz pensar nas coisas que não se valorizam nos EUA e na Europa: algo simples como uma carteira, para que as crianças não sentem mais em pedras, é descrito como "a maior felicidade do mundo".

A cozinha existente, apresentada com ironia entre aspas, não dava conta de servir café da manhã e almoço todos os dias. Por isso, segundo o vídeo, a equipe construiu uma nova cozinha. Além de reformar a escola, também cavou um poço para armazenar água e montou uma estufa e uma fazenda. A ideia apresentada é fornecer tudo de que a escola precisa.

A fazenda parceira e o argumento do trator

Para atender ao fluxo de alunos nas escolas vizinhas, o projeto tem parceria com fazendas grandes. Justice, gerente de uma delas (chamada no vídeo de fazenda "Oleleshwa"), explica que a fazenda tem duas partes. Uma produz comida que vai diretamente para as escolas. A outra é reservada para venda às comunidades vizinhas, e essa receita mantém a ONG funcionando.

Como a fazenda dependia de trabalho manual, que não seria suficiente para produzir o que a escola vai precisar, a equipe entregou um trator novo. Segundo o vídeo, o que levava 45 minutos passaria a ser feito em 45 segundos. MrBeast usa o trator para explicar um ponto central do projeto: doar o dinheiro das visualizações ao programa de merenda não faz a comida surgir magicamente. A comida precisa vir de algum lugar, e nesse caso viria do aumento de produção que o trator permite em toda a fazenda.

Para levar a comida ao maior número possível de pessoas, a escola também recebeu um caminhão comunitário. A intenção declarada é que a escola possa fornecer refeições a famílias de toda a comunidade, e não só aos alunos. Dentro do caminhão, segundo o vídeo, havia comida para mais de 100 mil refeições. Em agradecimento, a comunidade deu uma cabra a MrBeast. Em seguida vem a promessa de que, ao final do vídeo, graças às visualizações, seriam doadas um milhão de refeições.

Gana: merenda escolar contra o trabalho infantil no cacau

Em Gana, o vídeo conta que a equipe financiou a construção de uma cozinha, uma caixa d'água e uma nova fazenda para uma escola local. O repolho plantado ali estaria pronto em dois meses e meio, e só essa pequena plantação daria para alimentar os alunos.

O vídeo então contrasta esse caso com a situação de milhões de pessoas no país. A comunidade mostrada é agrícola: os pais produzem cacau, e as crianças também trabalham nas plantações, com papel crucial na renda familiar. Uma pessoa da escola confirma que quatro em cada cinco alunos trabalhavam em fazendas de cacau antes de se matricular. Hoje eles estudam, e a razão apontada é que na escola recebem refeições gratuitas. Segundo o depoimento, a comida aumenta a frequência e traz mais crianças para a escola.

A equipe também quis ajudar as crianças a continuar estudando. Para isso, distribuiu pares de animais, incluindo vacas jovens, às famílias. A lógica apresentada é que, com essa renda extra, as famílias poderiam mandar as crianças à escola em vez de fazê-las trabalhar nas fazendas. Uma das alunas ouvidas começaria as aulas no dia seguinte.

O trecho tem um momento cômico. Tareq, da equipe, tentou trazer dez cabras de uma vez, e os animais fugiram. MrBeast "demitiu" Tareq em tom de brincadeira e parabenizou as famílias pelas cabras.

Para comemorar a passagem por Gana, a equipe distribuiu chocolate às crianças e mostrou o drone de filmagem. MrBeast cita um dado: 45% das crianças nas fazendas de cacau de Gana trabalham ilegalmente. Segundo MrBeast, a Feastables, sua marca de chocolate, trabalha com fazendeiros para criar sistemas de monitoramento e prevenção do trabalho infantil, com o objetivo de tirar as crianças desse regime e levá-las à escola. Uma pessoa da escola agradece, diz que rezavam muito para poder alimentar os alunos e espera que o apoio dure por anos. MrBeast responde que espera que dure para sempre.

Estados Unidos: o problema não é falta de comida, é desperdício

Nos EUA, segundo o vídeo, acabar com a fome exige resolver um problema diferente. MrBeast afirma que o país produz tanta comida que quase 40% vai para o lixo, e que, em tese, preservar só 10% disso bastaria para acabar com a fome no país.

A equipe vai então ao mercado de alimentos da Filadélfia, descrito como um dos maiores dos EUA. Segundo o vídeo, até 4.536 toneladas de comida não vendida correm risco de ir para o lixo ali todos os anos. É nesse ponto que atua a ONG Sharing Excess, de Evan. Evan explica que, quando os vendedores não têm onde vender um produto, o caminho mais fácil é jogá-lo fora. O exemplo dado é uma batata: um comprador pode recusá-la por estar a um mês do vencimento, quando ela poderia ser doada a quem tem fome. Segundo o vídeo, a Sharing Excess já coletou milhões de quilos de comida que seriam descartados "por motivos bobos".

Na triagem, o critério mostrado é simples: o que parece bom vai para a caixa boa, o que está ruim vai para o lixo. Evan diz que, se o processo fosse mais complicado, as pessoas não fariam. Há outra brincadeira entre a equipe, com Tareq e Nolan comparando pimentões de tamanhos e formatos estranhos, justamente o tipo de produto rejeitado pela aparência.

O gargalo apontado é o transporte. Toda a comida reunida no local tinha sido doada naquele dia, naquele prédio, e havia ainda mais do lado de fora. Segundo o vídeo, mercados como esse têm tanta comida que nem a Sharing Excess consegue distribuir tudo antes de estragar. Com mais um caminhão, a ONG poderia coletar 3.175 toneladas de alimentos a mais por ano. MrBeast vendou Evan e revelou um caminhão novo. Lembra também que as visualizações geram mais dinheiro para a Sharing Excess manter esse caminhão funcionando por anos.

Um dia com o caminhão novo

Para mostrar o efeito de um caminhão a mais, o vídeo acompanha um dia de operação. Primeiro, a equipe abastece a cozinha Double Trellis, que, segundo o vídeo, prepara diariamente refeições gourmet para pessoas necessitadas. Tudo o que aparece ali seria jogado fora e virou refeição. Enquanto essas refeições alimentavam 600 pessoas, o caminhão ainda tinha toneladas de produtos. Com eles, a equipe abasteceu várias geladeiras comunitárias, distribuiu comida a pessoas na rua e organizou uma campanha de doação na Carolina do Norte, onde, segundo o vídeo, centenas de pessoas precisavam de alimentos nutritivos.

Nesse trecho aparece a parceria com a DoorDash. MrBeast diz que, por tempo limitado, quem comprar um casaco vendido exclusivamente nos DashMarts da DoorDash ajuda a doar cem refeições. Há uma piada sobre Evan usar a marca da Sharing Excess em vez do casaco da DoorDash, a ponto de MrBeast dizer que precisou pausar a doação para resolver isso. O vídeo também afirma que o Projeto Dash, da DoorDash, ajudou a entregar mais de cem milhões de refeições em poucos anos, comida que, segundo a fala, iria para o lixo.

Os cheques: 600 mil refeições e um valor em aberto

No fim da distribuição, MrBeast entrega dois cheques a Evan. O primeiro, de 600 mil refeições, completa o um milhão prometido antes da estreia do vídeo. O segundo está em branco. A quantia depende de quantas pessoas assistirem ao vídeo, e o cheque seria preenchido conforme as visualizações crescessem, para que a Sharing Excess continue doando alimentos. Evan pede ao público que assista ao vídeo.

O vídeo diz ainda que, além da DoorDash, Tony Robbins ofereceu ajuda para financiar as refeições. Em mensagem gravada, Robbins se compromete a doar dez milhões de refeições e a fazer um coinvestimento com quem quiser participar. Pede também que as pessoas compartilhem o vídeo. A conta final apresentada é que, graças a Tony Robbins e à DoorDash, cada 20 visualizações equivalem a uma refeição para alguém necessitado. O valor total, portanto, fica em aberto: depende de quantas pessoas assistirem ao vídeo.