Duas mil pessoas voltando a andar: próteses, cirurgias e a falta de acesso

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Resumo

O vídeo acompanha uma iniciativa para devolver a capacidade de andar a 2.000 pessoas, a maioria amputadas, em vários países. A narração parte de uma constatação: para muita gente, caminhar é algo óbvio, mas milhões de amputados no mundo não têm esse privilégio. Ao longo do percurso, que passa pelos Estados Unidos, Guatemala, Equador, Quênia e outros países, surgem duas questões centrais: o preço das próteses e a dificuldade de chegar até quem precisa delas. No final, quem apresenta o vídeo admite que não sabe qual seria a solução para o problema.

10 min de leitura

Os primeiros casos: Stephanie, Colleen e outros

O primeiro caso é o de Stephanie, que diz não andar sozinha desde 2009, quase 15 anos. Ela recebe a nova perna, se declara nervosa e depois encantada, e se levanta pela primeira vez nesse período. O pai dela, presente na cena, diz estar feliz porque a filha agora pode fazer o que quiser e "não é mais uma prisioneira". Quando a equipe comenta que os dois agora podem se olhar nos olhos, ela responde que podem dançar, e os dois dançam.

Em seguida aparece Colleen, que não caminhava havia sete meses e descreve a prótese como "outra chance". A narração menciona ainda que foram ajudados David, Adrian, Linda e Kharid. Também cita depoimentos curtos sobre como cada pessoa perdeu a mobilidade, como um acidente em 2020 que quebrou os dois tornozelos e uma doença que fez a família achar que o paciente não viveria mais um ano.

Quanto custa uma prótese e quem consegue pagar

Um dos profissionais envolvidos explica que o trabalho consiste em substituir membros que as pessoas perderam. Questionado sobre o custo típico de uma prótese como as mostradas, responde que vai de US$ 5 mil a US$ 50 mil. Segundo a narração, a maioria das pessoas do vídeo não tem condições de pagar um seguro ou não tem a cobertura adequada. Se a equipe não tivesse intervindo, "talvez eles nunca mais andassem".

Perguntado sobre o que acontece quando o seguro não cobre, o profissional resume: a pessoa espera, arrecada fundos e reza para que alguém apareça. Um dos pacientes calcula que levaria cerca de dez anos para comprar a prótese sozinho. A equipe considera isso injusto e lhe entrega US$ 10 mil em dinheiro, além da perna, numa maleta. O paciente diz que é o melhor dia da vida dele e que a prótese parece tão real que é "como se fosse parte de mim".

Greg e as tarefas mais básicas

A narração destaca que perder a capacidade de andar significa também perder a capacidade de fazer as coisas mais simples. Greg diz que tudo ficou duas vezes mais difícil do que antes. Ele jogava tênis com a família, mas afirma que ficaria feliz só de conseguir ficar de pé para lavar a louça. Ao experimentar a nova perna, já tenta andar por conta própria e diz que é bom ficar de pé.

Travis e o casamento da filha

O caso que atravessa o vídeo inteiro é o de Travis. Ele conta que corria seis dias por semana, sete se estivesse entediado. Aos 17 anos sofreu um acidente de carro, teve osteomielite e perdeu os pés. Quando perguntam há quanto tempo ele não anda normalmente, responde que já não sabe o que é normal. A filha planeja o casamento desde os três ou quatro anos e sempre sonhou com o pai a levando até o altar.

Travis recebe as duas pernas, a direita e a esquerda, e dá os primeiros passos, chegando a andar sem apoio das mãos. A equipe comenta, surpresa, que ele anda melhor do que algumas pessoas com uma só prótese, e ele afirma que com certeza voltará a correr. Depois disso, revela-se que a equipe perguntou ao noivo quanto custaria o casamento: o valor exato estava numa cadeira de rodas, e a equipe se compromete a cobrir tudo. Em tom de brincadeira, perguntam se serão convidados. A resposta é sim, com o pedido de que levem Feastables.

No fim do vídeo, a equipe vai de fato ao casamento. Travis leva a filha até o altar, e o casal é apresentado como senhor e senhora Anderson. Ele agradece e diz que conseguiu levá-la, que "foi incrível". A narração conta que essa cena levou a uma reflexão sobre todas as vidas tocadas no vídeo.

Guatemala: próteses recicladas por um décimo do custo

A narração lembra que as próteses dos primeiros casos foram pagas pela equipe e que, embora já sejam caras para a maioria das pessoas, esse preço pesa ainda mais nos países em desenvolvimento. Foi isso que levou a equipe à Guatemala, para conhecer David, fundador do Range of Motion Project (ROMP). O projeto foi criado para enfrentar a falta de próteses entre os menos favorecidos.

Segundo David, os cuidados protéticos oferecidos aos pobres usam tecnologia ruim, e o que encarece as próteses são as peças. A solução que ele encontrou, conforme a narração, mantém a qualidade por um décimo do custo: um estoque de componentes reciclados de outras próteses. Ele mostra uma sala inteira com essas peças e explica que muitas ainda funcionam. O vídeo convida quem tiver uma prótese para doar a acessar o site do projeto. A narração apresenta essa reciclagem como o que torna barato ajudar os mais pobres e, para a equipe, como o que permite ajudar mais gente.

Seguem cenas de pacientes guatemaltecos com as novas próteses: andando de moto, jogando futebol, passeando com a família, abraçando parentes e, no caso de uma criança, recuperando a independência. Um deles diz que é como se lhe devolvessem a vida.

O problema do acesso e a caminhonete

David explica que alguns pacientes nem conseguem chegar às instalações. A Guatemala é um país montanhoso, com rios e selvas para atravessar, e não poder andar prende as pessoas dentro de casa. Por isso ele às vezes precisa sair da clínica e visitar os pacientes, mas o projeto não tem veículo. Como a maior parte dos recursos vai para os funcionários e as próteses, não sobra dinheiro para um transporte confiável até os pacientes mais isolados.

Com a cumplicidade da equipe do ROMP, que guardou o segredo, o vídeo entrega uma caminhonete nova de US$ 65 mil com o nome do projeto, equipada para terrenos difíceis. Na primeira viagem, quanto mais se afastam da Cidade da Guatemala, mais a equipe entende que David não exagerava. O destino é uma casa ao lado de um vulcão, no meio da selva, por uma estrada que, segundo a narração, ninguém pensaria em percorrer com um carro comum.

Lá vive Kevin, que sofreu queimaduras graves e perdeu as duas pernas num acidente há 24 anos. O terreno é tão acidentado que alguém precisa empurrá-lo numa cadeira de rodas. Ele recebe as próteses e dá os primeiros passos. A mãe diz que o ama e agradece a Deus por terem cruzado o caminho deles. Kevin é apresentado como a 71ª pessoa ajudada.

Equador: Kelly, Eduardo e a subida da montanha

A equipe e David seguem para o Equador. Kelly passou seis dias num ônibus vindo da Bolívia sem saber se receberia uma prótese. Ela conta que teve muito medo, porque nunca havia saído do país, mas decidiu arriscar. A narração diz que casos assim são o motivo do vídeo. Kelly não andava havia dois anos e, logo após os primeiros passos, pergunta se pode dançar e chama quem apresenta o vídeo para dançar com ela. A narração comenta que mal dava para acreditar que ela não andava havia dois anos e diz que ver a família se reconectar com uma parte importante do passado "significou tudo".

Eduardo, de cinco anos, beija a nova perna ao recebê-la. Segundo a mãe, ele precisava se arrastar e tinha vergonha de não ter perna. Outros casos aparecem rapidamente, como o de alguém que não andava havia mais de um ano, momento em que a narração diz que este é seu vídeo favorito. Também aparece Fede, que recebe a prótese de graça e descreve o que sente como "uma felicidade enorme".

No total, 50 amputados foram atendidos no Equador. Para encerrar essa etapa, David propõe um de seus rituais favoritos: subir uma montanha com os pacientes para testar as novas próteses. A lógica dele é que, se conseguirem escalar a montanha, conseguirão enfrentar a vida diária, e que alcançar um novo patamar com uma deficiência faz a pessoa sentir que tudo é possível. Quem apresenta o vídeo admite que, a princípio, não entendia bem o porquê da subida, que considera de fato difícil, mas diz que passou a entender ao ver pessoas que antes não andavam chegando ao topo. David resume o sentido da jornada como "recusar a desistir".

Quênia: cirurgias para crianças

No Quênia, o problema era outro: crianças que ainda tinham as pernas, mas precisavam de cirurgias caras para poder usá-las. A equipe pagou os procedimentos, e a narração afirma que algumas delas nunca tinham andado antes. Uma criança conta que caía sem saber por quê ao tentar andar, que os colegas riam dela e que às vezes não conseguia ir à escola. Agora diz que pode andar como os outros. Além das cirurgias, a equipe montou uma brinquedoteca na clínica infantil.

África, Ásia e o total de 2.000

A partir daí, o vídeo acelera. A narração diz que, depois do Quênia, a equipe percorreu a África e depois foi às Filipinas, ao Camboja e ao Sri Lanka. Os depoimentos são curtos: uma pessoa diz que a família, a situação financeira e tudo o que conhece vão mudar; outras falam em segunda chance e em se sentir vivas de novo. Ao fim, quem apresenta o vídeo diz ter testemunhado 2.000 primeiros passos em países do mundo todo.

O encerramento: um sistema que depende de um YouTuber

Depois do casamento de Travis, o vídeo termina de um jeito que a própria narração chama de diferente do habitual. Quem apresenta lembra que algumas pessoas tiveram a prótese negada pelo seguro e outras tinham seguro, mas sem a cobertura certa, e considera isso injusto. Para essas pessoas, diz, a única esperança de conseguir uma perna, voltar a andar e arrumar emprego era um YouTuber ajudá-las, o que classifica como um absurdo.

A pessoa reconhece que não sabe qual é a solução, mas quis registrar isso para inspirar os milhões de espectadores, porque o que viu durante as filmagens "claramente não é aceitável". A pergunta de como garantir esse acesso sem depender de um vídeo fica em aberto.