Ryuji levou o mestre do "In", de Daikanyama, ao restaurante de sushi que considera "o melhor da vida"

Traduzido de 日本語

Abrir no YouTube ↗
Visão geral

O pesquisador culinário Ryuji levou o mestre do restaurante de sushi "In", de Daikanyama, que já apareceu várias vezes em seus vídeos, ao "Sushi Ikki", a casa que Ryuji considera a mais saborosa entre os sushis de balcão que já experimentou. A pergunta do vídeo é como esse restaurante seria visto pelos olhos de um sushiman profissional. O mestre tem 56 anos e está há quase 40 no mundo do sushi. Antes mesmo da visita, Ryuji já tinha declarado: "Não importa o que ele ache, eu já acho que é delicioso".

12 min de leitura
0:43

O mestre em roupas casuais e a casa nervosa

Segundo Ryuji, o Ikki ficava originalmente em Chitose-Funabashi e se mudou para Shibuya em fevereiro deste ano. Ryuji conta que foi parar lá por acaso, a convite de um conhecido.

A gravação começa logo com o assunto da roupa do mestre. O mestre aparece com roupas do dia a dia, e Ryuji fica atrapalhado: "Não imaginei que viria vestido assim". O chef da casa também estava bastante nervoso por receber um profissional de outro restaurante. O dono já tinha assistido aos vídeos do "In" e explica que a gravação daquele dia surgiu a partir de uma conversa com um cliente que visitou a casa da vez anterior.

2:16

A maciez do polvo e o peixe adivinhado só de olhar

O primeiro prato foi um polvo de Miyagi, pequeno, de cerca de 1,4 kg, preparado de forma a preservar a textura. O mestre do In resume as formas de tratar o polvo: antigamente se batia com nabo daikon ou algo parecido para romper as fibras; hoje há também o método de congelar para destruir as células, e há quem use água com gás. Em seguida, disse que o importante é o equilíbrio para não tirar demais a firmeza e a textura naturais do polvo.

Só de ver o próximo peixe sendo preparado, o mestre acertou: "Matsukawa-garei". O dono se surpreende: "Provavelmente muitos sushimen não saberiam só de olhar". O sashimi servido era de matsukawa-garei de Hokkaido, com a engawa (a parte da barbatana) colocada na frente e irizake por baixo. Segundo a explicação do dono, o irizake é um condimento usado desde por volta do período Heian, antes de o shoyu atual se difundir, feito cozinhando saquê com umeboshi, entre outros ingredientes. O linguado tinha sido abatido no mesmo dia e tinha uma textura firme, e o dono o serviu dizendo: "Sintam a força vital".

A conversa também passou pelo treino de nigiri. O mestre relembra que, na época de aprendiz, as aparas de peixe não chegavam até ele, então treinava o nigiri com okara ou papel-toalha. O dono também contou que treinava o tempo todo no trem a caminho do trabalho, e os dois se entenderam no ponto de que era constrangedor, mas queriam melhorar rápido.

6:53

O prato de gergelim e a temperatura do chawanmushi

Em seguida veio um prato com gergelim torrado na casa, com um molho por baixo feito de gergelim, dashi e mel levemente caramelizado. O mestre contou com nostalgia que, na época em que trabalhava num restaurante de culinária japonesa, o faziam moer gergelim, e disse: "É o meu prato favorito". O dono explicou, em resumo, que não chega a ser o carro-chefe da casa, mas que o serve de propósito para não esquecer suas origens.

O chawanmushi era uma base simples, sem ingredientes dentro, com três tipos de cobertura por cima. Quando Ryuji provocou: "A temperatura, que o mestre valoriza tanto, também não está boa?", o mestre elogiou o fato de não estar quente demais e disse: "No chawanmushi a temperatura é importantíssima; quente demais também não é bom".

13:34

O gari diferente no almoço e no jantar

O gari foi o que despertou mais interesse no mestre. A casa muda o gari entre o almoço e o jantar. Segundo o dono, no almoço ainda há poucos clientes bebendo e o foco é o nigiri, então ele faz de propósito um gari refrescante e fácil de comer. No jantar, para acompanhar a bebida, ele reforça o sal e deixa o sabor mais marcante.

O mestre recomendou que Ryuji bebesse saquê depois de comer o gari do jantar, dizendo: "O que até agora era seco vai mudar". Ryuji experimentou e ficou surpreso ao sentir o saquê adocicado. Mais tarde, o mestre voltou a dizer: "Para acompanhar sushi, um gari marcante assim é o que fica bom", repetindo que o gari sozinho já serve de petisco.

Aliás, o mestre parece adivinhar quase sempre o que vai ser servido só de ver a etapa de grelhar ou de preparo, e Ryuji brincou: "É melhor não olhar até sair".

10:24

"Posso colocar shari?" e a sintonia com os outros clientes

Foi servido um prato com um ingrediente pequeno enviado por um pescador de Ehime chamado Fujimoto, preparado com saquê e shoyu e envolvido em nori. O mestre perguntou: "Não vai colocar shari?", e decidiram colocar ali mesmo. O dono respondeu: "Vai mudar o menu", e houve um momento em que um jovem sushiman ficou sem saber o que fazer. O mestre avaliou que fica gostoso também com shari.

Naquele dia havia outros clientes no balcão. O mestre se desculpou pelo barulho, mas também puxou conversa com os outros clientes, e o ambiente ficou bem animado. Ryuji disse que a situação, com outros clientes além deles, era "ótima demais", e mais tarde o mestre também comentou que ficou feliz ao olhar não só para eles, mas para os outros clientes, e ver que a casa dava atenção a todos.

15:05

O corte da lula e a relação entre culinária japonesa e sushi

Ao ver a lula branca cortada em itozukuri (tiras finas como fios), o mestre disse: "Antigamente não existia esse jeito de cortar". Segundo o mestre, na sua época os cozinheiros de culinária japonesa e os sushimen tinham uma relação de "rivalidade acirrada". O sushi era o mundo de uma única faca, e do lado da culinária japonesa eram vistos como "diferentes de nós". Com o tempo, à medida que os cozinheiros foram se aprimorando mutuamente, esse tipo de trabalho passou a ser aceitável também no sushi — essa é a visão do mestre.

16:26

Kasugodai, sal e shari de vinagre vermelho

No kasugodai de Oita, é passada uma salmoura com concentração parecida com a da água do mar. Como a carne é doce, de propósito não se usa shoyu. Nesse momento o mestre elogiou o shari, e a equipe de Ryuji se espantou: "Nunca ouvi esses dois elogiarem o shari nem uma vez". O mestre também mencionou o olhar firme dos aprendizes.

O sal era da ilha de Bali, na Indonésia, e o mestre gostou tanto que disse que dava para beber saquê só com ele. Naquela noite, o mestre ainda tinha pela frente um serviço fechado para 18 pessoas.

Depois veio um prato que usa de propósito a parte próxima ao chiai (a carne escura), quando a maioria das casas usa a parte da barriga, e o shari passou a ser o de vinagre vermelho. O mestre descreveu a sensação de segurar o nigiri como "suave". O saquê servido foi um junmai ginjo "Jokigen", feito em colaboração com a casa.

20:54

O kohada e o motivo das lágrimas do mestre

O dono explicou que, como o kohada é servido em uma única peça inteira, ele faz o shari um pouco maior pensando no equilíbrio. Também aqui o mestre e Ryuji elogiaram a temperatura do shari.

A essa altura o mestre ficou emocionado e disse: "Me vieram lágrimas no instante em que comi". O motivo era que tudo o deixava feliz: ter vindo à casa que Ryuji apresentou dizendo ser sua favorita e ter podido conversar com o chef. Sobre o aprendiz que preparava a lula com cuidado, também elogiou que trabalhou com capricho o tempo todo e que usou um corte que o próprio mestre não conhecia.

22:26

Mais a conversa que o nigiri: "Comida se escreve 'tornar a pessoa melhor'"

Na sequência da conversa sobre a lula, o assunto passou a ser a conversa com os clientes. Na opinião do mestre, quando um cliente chega abatido à casa, em vez de servir um nigiri delicioso para fazê-lo pensar "vou me esforçar", é melhor ouvi-lo perguntando: "Está com alguma preocupação?". Ryuji contou que em breve vai sair um vídeo que encarna exatamente isso, em que levou a avó ao restaurante do mestre.

O mestre ainda disse: "O ideograma de 'comida' não se escreve 'tornar a pessoa melhor'?", e concluiu que, quem trabalha com comida, trabalha com isso.

23:34

Sardinha e kihada

A sardinha é o neta favorito do mestre. Leva uma mistura de cebolinha e gengibre ralados juntos.

O atum que veio a seguir foi um kihada (albacora) escolhido de propósito pelo dono, abatido com a técnica de shinkei-jime e maturado por um mês. O kihada é um neta pouco usado no sushi, e o dono reconheceu que um dos motivos é que ele é visto como de categoria inferior. O dono também pesca kihada e diz que esse é completamente diferente do que ele pesca. O mestre analisou que o método de abate shinkei-jime e o fato de estar marinado (zuke) o deixavam saboroso. Também se falou sobre o lado dos produtores de atum. Em outro prato também foi servido atum de Boston. Ryuji percebeu que o dono passava uma quantidade bem generosa de wasabi.

26:10

Um prato "meio americaine" feito com cabeças reduzidas

Houve também um prato com elementos da culinária japonesa. Era algo aquecido para criar uma textura pegajosa e combinado com dashi. Sobre a carne, tanto o mestre quanto o dono disseram que talvez dê para sentir um leve toque de criação em cativeiro. Como são usadas cabeças reduzidas por muito tempo, o mestre o descreveu como "meio americaine".

27:06

O que observar ao aceitar um aprendiz

O mestre também falou sobre o que pensa ao aceitar aprendizes. Não olha o currículo; olha o caráter. Primeiro fala de si mesmo por cerca de uma hora e meia e, depois disso, faz apenas três perguntas. A primeira é "Você gosta de mulher?", e se a resposta for sim, a princípio está aprovado. O motivo é que o mecanismo de pensar em como conquistar uma mulher, em como se aproximar dela, é, na visão do mestre, o mesmo de receber bem um cliente com sushi quando ele chega. Ryuji interpretou isso como "É hospitalidade, né". Depois a conversa descambou para brincadeiras com a equipe do Buzz Recipe.

28:49

Uma tentativa adiantada demais e o desafio atual

Um prato de ovo finalizado em ponto mole (não era ikura), segundo o dono, foi pensado como uma versão de tamago kake gohan, e o shari também era diferente. Nesse momento o mestre relembrou que, há mais de 20 anos, serviu um prato com gema passada na peneira por cima do chawanmushi e os clientes reagiram com estranhamento. Serviu porque achava delicioso, e hoje esse tipo de apresentação virou algo comum. Ryuji respondeu: "A época ainda não tinha alcançado você".

O mestre conta que atualmente está tentando fazer um sushi-meshi com menos carboidrato que fique bom. O próprio mestre admitiu achar que isso não vai dar certo, mas disse que é preciso continuar se desafiando.

31:55

A temperatura do kanpyō

Depois do anago, veio o kanpyō, que Ryuji diz ser seu neta favorito. Ryuji conta que, na primeira vez que veio a essa casa, ficou surpreso com o quanto o kanpyō podia ser gostoso. O dono o serve de propósito ainda quente e explica que é para que se sinta o aroma do kanpyō. O tempero é só shoyu e açúcar. O mestre se surpreendeu: "Esse jeito de servir não é demais? Nunca vi em outro lugar". Ryuji disse que ele tem um aroma frutado e que, feito no nigiri com shari de vinagre vermelho, dá para sentir um frescor parecido com o de ameixa.

A pedido do mestre, o kanpyō também foi feito em rolinho. O mestre parou no meio para comer sentindo a temperatura, gostou da intensidade do wasabi e disse: "Não imaginei que um kanpyō fosse me emocionar". Também foram servidos um arajiru (sopa de aparas de peixe), um tamagoyaki e um rolinho em que o dono mostrou que o óleo que sai do nori é sinal de um nori de qualidade.

37:18

A avaliação do mestre

Ao terminar, o mestre estava tão emocionado que chegava a ter dificuldade para respirar. Disse que era a primeira casa que Ryuji lhe recomendou e que, embora talvez tenha havido momentos em que chorou no caminho, ficou realmente emocionado. Disse também que, além da comida, se emocionou por ter conversado sobre muitas coisas com o dono. Disse ainda que quer voltar com a família e, com a promessa de que da próxima vez o dono iria ao In, a gravação terminou. As reservas são feitas por telefone ou pela internet, e o dono recomendava a reserva on-line.