Ryuji leva SUSURU para um passeio por Toritsu-Daigaku: cinco paradas, do ramen de uma casa de soba ao porco assado de um açougue

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Visão geral

Este é o terceiro episódio da série "Passeio pelas ruas comerciais de Meguro", do pesquisador culinário Ryuji. O convidado desta vez é SUSURU, youtuber especializado em ramen. O cenário são os arredores da estação Toritsu-Daigaku, da linha Tokyu Toyoko, onde os dois percorrem vários estabelecimentos a partir do meio-dia. Ryuji explica que este também é um projeto para dar vida às ruas comerciais.

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A condição deste episódio era escolher apenas "lugares onde SUSURU ainda não tinha ido". Segundo Ryuji, até o episódio anterior a tarefa ficava a cargo da equipe, mas desta vez, pela primeira vez, ele mesmo fez o reconhecimento, visitou todos os estabelecimentos e cuidou de toda a seleção. Havia também um restaurante de comida chinesa entre os candidatos, mas ele o tirou da lista porque SUSURU já o conhecia. A seguir, acompanhamos, na ordem, como SUSURU comeu e como Ryuji interpretou cada uma das cinco casas: o ramen de uma casa de soba, a charcuterie francesa, os doces assados, os fritos de um açougue e um bar de ramen que serve ingredientes de Aomori.

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Primeira parada, Ōkiku: uma casa de soba com ramen de macarrão caseiro

O primeiro lugar é a tradicional casa de soba "Ōkiku". SUSURU reage com um "Não é ramen?", mas os modelos de comida na vitrine exibem um cardápio de restaurante chinês de bairro, e há ramen também. O que chamou a atenção de Ryuji foi o fato de até o macarrão do ramen ser feito na casa. É um lugar voltado para famílias, com salão de tatame, mas há petiscos e dá para beber desde o meio-dia. Ryuji comenta que, surpreendentemente, são poucos os lugares onde se pode beber num ambiente assim.

Primeiro, brindaram com um highball de shochu de soba. Ryuji destaca que custa 600 ienes. Como petisco, veio o nukazuke, conserva em farelo de arroz preparada na própria casa. Ryuji comenta que já são poucos os lugares que servem nukazuke caseiro, e SUSURU diz ter sentido o espírito de casa tradicional no fato de, mesmo com um cardápio tão extenso, não descuidarem dos detalhes. Sobre o pato grelhado se põe shichimi, como é típico das casas de soba. Segundo Ryuji, pato grelhado por todos os lados costuma ficar duro, mas o desta casa é macio.

O ramen tem pouca gordura, e quase não há banha boiando. Ryuji avaliou que o chashu devia ser da região da paleta. SUSURU diz que, pela aparência, lembrou o estilo Takeoka, de Chiba. Sobre o caldo, SUSURU contou que esperava que, por ser uma casa de soba, o bonito e o niboshi se destacassem, mas na verdade era "muito porco", de base animal. Descreveu o macarrão dizendo que "antes da firmeza vem uma sensação elástica" e também elogiou muito o chashu. Os dois concordaram que é um tipo de ramen que não se come muito em Tóquio. Ryuji confessou que, quando dá ramen para SUSURU comer, também fica um pouco nervoso.

Pediram também o prato frio: o mesmo macarrão do ramen, resfriado, num hiyashi chuka sabor missô coberto com presunto. SUSURU disse que nunca tinha comido hiyashi chuka de missô. Ryuji acredita que o macarrão continua gostoso mesmo frio graças à textura elástica da superfície. Os dois também concordaram que é um prato que dificilmente aparece numa casa especializada em ramen.

Do ponto de vista de pesquisador culinário, Ryuji fez a seguinte suposição: se é saboroso mesmo sem gordura boiando, é porque o sabor vem do tare, e não do óleo. Talvez usem como tare o caldo em que o chashu foi cozido e o diluam num caldo preparado de forma simples, um método próximo do estilo Takeoka. Depois, conversando com o dono, souberam que a casa foi fundada em 1945 (ano 20 da era Showa). O macarrão do ramen não é comprado de uma fábrica, é feito na casa, e o chashu é cozido apenas em shoyu, servindo esse caldo de cozimento como base. Ryuji riu: "Tudo o que o SUSURU disse estava certo", e SUSURU relembrou que, ao comer o chashu, ficou bem claro que o sabor do kaeshi era a base.

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Segunda parada, uma charcuterie: um lugar tão querido que Ryuji queria esconder o nome

A segunda parada é um lugar frequentado por Ryuji, que ele diz querer "até esconder o nome". Segundo a descrição do vídeo, trata-se do La Cochonnaille. Ele conta que vai lá também na vida pessoal. Foi contado que a casa havia dito que não tinha problema recusar a gravação, mas, como Ryuji insistiu muito, recebeu uma permissão especial.

Pela explicação de Ryuji, é uma loja que serve pratos prontos elaborados, do tipo que na França se chama "charcuterie". O dono trabalhou por muito tempo nessa área na França e trouxe o estilo de lá sem alterações. Os conhecidos apaixonados por culinária que Ryuji levou ao local disseram que é "mais gostoso que na França". Ryuji explica que o motivo é que ingredientes japoneses são preparados com técnicas autênticas da culinária francesa. Como é uma loja de pratos prontos, tudo é vendido por peso, em gramas. Ryuji pediu várias vezes aos espectadores que, como a casa não dá conta quando lota demais, levem para viagem caso não consigam entrar.

O primeiro prato foi o salmão defumado. Ryuji diz que é "o mais gostoso do Japão". Cada fatia é grande e se come cortando com faca. Ryuji achou curioso ver SUSURU, que normalmente usa colher de ramen e hashi, usando uma faca. Ao comer enrolando um purê fino e peneirado, SUSURU se surpreendeu por não haver nenhum ranço ou cheiro forte típico do salmão. Sobre um acompanhamento de aipo, Ryuji supôs que a maionese também devia ser feita na casa. Quando ele comentou que a maionese é de origem francesa, SUSURU perguntou se não era da Kewpie, e Ryuji brincou que ele é "um inútil fora do ramen".

Em seguida, veio o patê de campagne. É feito com carne e fígado, entre outros ingredientes, e Ryuji conta que, da última vez que foi, estava esgotado e ele não conseguiu comer. Sobre um prato com pato e porco, Ryuji disse que a maturação da carne provavelmente intensifica o umami. A salsicha defumada vem acompanhada de mostarda em grão, e o corte mostra quase só carne. Ryuji avaliou: "As salsichas japonesas também são gostosas, mas esta é a salsicha de verdade", e SUSURU destacou a densidade da carne, acompanhando-a com vinho tinto. A salsicha de sangue lembra um salame, tem doçura e um toque de especiarias, além da textura da gordura de porco. Ryuji diz que adora comê-la com pão e chegou a afirmar que é uma das coisas que gostaria de comer antes de morrer.

Também vieram um prato do tipo quiche e um preparo fofinho com salmão. Sobre o último prato, SUSURU ficou sem palavras: o sabor do salmão estava bem presente, mas era aerado, e, como nunca tinha provado nada parecido, "sinceramente, é um pouco difícil". Ryuji achou graça, dizendo que "o SUSURU está em apuros". Segundo o dono, o preparo é feito repondo os itens que se esgotam. No fim, a casa também disse que, se lotar, talvez precise recusar clientes com frequência, mas que fica grata pelas visitas.

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Terceira parada, Addict au Sucre: uma pausa com doces

Com a bebida já fazendo efeito, Ryuji decidiu fazer uma pausa com algo doce. SUSURU disse que adora doces e que, ao comê-los, talvez até se anime mais. Passaram numa loja de doces assados, com madeleines e financiers, e o interior estava tomado pelo aroma de manteiga.

Ao comer o Paris-Brest, SUSURU, dizendo que adora chantilly, ficou visivelmente contente. Ryuji provocou: "Você está mais animado do que com ramen". SUSURU destacou a textura crocante da massa e a leveza do sabor. Também comeu um doce de massa choux com geleia dentro, e havia ainda um item com sabor de flor de sabugueiro. Ryuji deixou escapar que não conhecia a loja, mas elogiou o capricho do trabalho. Os cookies eram densos, e os dois descreveram o sabor da massa como "trabalho de artesão". A confeiteira contou que acredita que um bolo fica mais gostoso quando se acrescenta à doçura um pouco de acidez e aroma.

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Quarta parada, Tochigiya: os fritos e o porco assado de um açougue

A quarta parada é o "Tochigiya", lugar que havia tempos despertava a curiosidade de Ryuji. É uma loja de fritos de bairro, aparentemente só para viagem, que também é açougue. Na frente da loja ficam expostos porcos assados caseiros com a placa "Para ramen, hiyashi chuka e mais". Ao ver a carne moída, Ryuji reparou que quase não tinha gordura e que era moída na própria loja. Segundo a proprietária, ela nasceu em Tochigi, e a loja existe há cerca de 90 anos.

A famosa fritura de batata não é a batata frita em palitos. Pela explicação da proprietária, a batata é cozida, empanada com farinha panko e frita. Os dois avaliaram que fica gostosa tanto com molho quanto com sal. Ryuji ficou admirado com o quanto a batata fica gostosa só de ser empanada e frita. Sobre o filé empanado, SUSURU disse que é "praticamente um tonkatsu" e que queria comê-lo com arroz. Ao saber que o óleo de fritura é banha, Ryuji comentou que é um sabor impossível de reproduzir em casa.

O porco assado foi provado a pedido de Ryuji, que queria "estudá-lo". Ryuji avaliou que o corte devia ser lombo. SUSURU apontou a intensidade do tare e disse que é um corte que dificilmente aparece em casas de ramen. Ryuji disse que, como bom "chashu de açougue", a carne é de ótima qualidade, e acrescentou que devia ficar gostoso num arroz frito. Eles fizeram questão de frisar que, neste episódio, puderam comer na frente da loja como exceção e que, normalmente, é só para viagem.

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Quinta parada, Ramen Sakaba Parade: ingredientes de Aomori e o "tão esperado ramen"

Para fechar, a casa de ramen "tão esperada" por SUSURU: o "Ramen Sakaba Parade". O nome, escrito em kanji, lê-se "Parade". Ryuji apresentou o ramen de sal com niboshi como muito gostoso. Assim que chegou, SUSURU ficou com ar de quem já tinha terminado o expediente, e Ryuji retrucou: "Pare com isso".

No cardápio há barabayaki de carne bovina e dake-kimi. SUSURU, que é de Aomori, explicou que o dake-kimi é um milho que todo mundo em Aomori vai de carro buscar nas montanhas, e que qualquer pessoa de Aomori conhece. Ele contou que percebeu pelo cheiro no instante em que o prato chegou e falou da saudade que sentia. Ryuji se surpreendeu com a doçura, e SUSURU disse que queria ter aquilo sempre à mão. Também vieram saquê, sour de maçã e uma fritura servida sobre chucrute caseiro e coberta com bastante molho tártaro. Ryuji elogiou o ponto de cozimento. Ele também acrescentou que é melhor chegar cedo, porque o caldo pode acabar.

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Conversa regada a bebida: boatos sobre renda, casamento e o estilo de falar sem rodeios

À mesa, os dois também falaram sobre a vida de cada um. SUSURU negou o que se diz na internet, que ele "ganhou centenas de milhões de ienes" ou que "faturou 1,6 bilhão de ienes só com o festival de Nagoya". Segundo ele, os 1,6 bilhão de ienes se referem ao impacto econômico, incluindo os gastos de quem pegou o trem-bala ou se hospedou em hotéis por causa do festival, mas só esse número foi recortado e tratado como se tudo tivesse ido para o bolso dele. Ele contou que foi também por coisas assim que decidiu abrir o próprio restaurante. SUSURU tem 33 anos, faz 34 este ano e tem dois filhos.

Perguntado se tinha vontade de se casar, Ryuji respondeu: "Não tenho". O motivo que apontou foi o impacto no trabalho. Ryuji acredita que, se depois de casado aparecesse uma foto dele bêbado andando com uma mulher, as empresas de alimentos voltadas ao público familiar cancelariam o contrato na hora. SUSURU disse que o fato de Ryuji estar sozinho também faz parte do seu charme. Ryuji fala sem rodeios, sem se resguardar, mas, quando se tem família ou pessoas trabalhando junto, acaba-se inevitavelmente falando de forma mais cautelosa, explicou SUSURU. Ryuji respondeu: "Eu acho que vou morrer amanhã", e contou que também diz aos membros da equipe que pode se envolver numa polêmica amanhã e ficar sem trabalho.

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Shoyu de camarão e o "abura-dama": a análise de SUSURU

Primeiro veio o ramen de shoyu de camarão. SUSURU destacou o aroma e disse que os frutos do mar estavam bem presentes. Em seguida, supôs que talvez houvesse yakiboshi, peixe seco grelhado muito usado em Aomori, ou possivelmente camarão. Conforme comia, sentiu que também havia base animal, como frango. Ao sorver o macarrão, vinha o aroma de camarão, e o shoyu também estava bem marcado. Ryuji avaliou que é um ramen que combina com bebida e disse que estava tão gostoso que dava para tomar até o fim.

A outra tigela era um ramen com cebola, shio kombu e cebolinha, acompanhado de um "abura-dama" (bola de gordura). SUSURU disse que é raro ver ramen com shio kombu e que nunca tinha visto um abura-dama. Ao derretê-lo e misturar, ganha-se um toque tostado, e ele avaliou que "vira um ramen bem moderno". A conclusão foi que fica mais gostoso com ele, porque o sabor fica mais nítido.

Segundo o dono, ele mesmo estudou na região de Toritsu-Daigaku, e o lugar era originalmente um bar de música chamado "PARADE", escrito em letras latinas. Quando a pandemia de covid dificultou o funcionamento, ele passou a vender os grelhados em marmitas, e, graças aos contatos da esposa, que é de Aomori, conseguiu acesso a niboshi. Pensou então que seria possível fazer ramen e começou a servi-lo quando o atendimento no salão foi retomado. Depois, os ingredientes de Aomori foram aumentando pouco a pouco.

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O sorvete de casquinha para fechar e a avaliação "ruim"

Outra coisa que o dono recomendou foi o sorvete de casquinha para fechar a refeição. SUSURU diz que nunca come sorvete de casquinha nos seus vídeos, mas naquele dia comeu. Avaliou que tinha uma textura elástica, sabor intenso de creme e doçura moderada. Ryuji, que se diz fã de sorvete de casquinha, disse que ainda cabia mesmo depois de comer tanto e chegou a dizer que queria alternar com o caldo para se refrescar com a doçura, o que fez SUSURU rir e chamá-lo de "pervertido".

Também falaram do restaurante de SUSURU. Ryuji perguntou se não escreviam nas avaliações que o restaurante dele é "ruim". SUSURU admitiu que existem avaliações assim e respondeu que acha que não há o que fazer. Para ele, basta que venham as pessoas que dizem que está gostoso.

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Impressões sobre o bairro de Toritsu-Daigaku

No fim, SUSURU falou de suas impressões sobre Toritsu-Daigaku. Para ele, que só presta atenção em ramen, a região tem poucas casas de ramen, e por isso não tinha muitas oportunidades de visitá-la. Mas, ampliando o olhar para outros tipos de restaurante, percebeu que é uma área repleta de lugares interessantes. Disse que foi uma boa experiência ser apresentado sobretudo a lugares como a casa de patês, aonde dificilmente iria por conta própria. Ryuji encerrou o episódio convidando o público a visitar Toritsu-Daigaku, nem que seja para conhecer uma das cinco casas, e que podem até seguir o mesmo roteiro.