DHH na Rails World 2026: o fim do código escrito à mão e a aposta no “otimismo total”
Ruby on RailsNa abertura da Rails World 2026, em Austin, DHH tratou de uma única pergunta: o que a chegada dos agentes de IA significa para programadores, para a profissão e para o Ruby on Rails. A resposta vem sem meio-termo. DHH descreve o próprio estado como “delírio de IA” ou “euforia de IA”, em vez de “psicose de IA”, e defende que esta é a coisa mais empolgante que já se fez os computadores fazerem. Ao mesmo tempo, reconhece que o momento é inquietante, porque ninguém sabe qual será o estado final dessa transformação e qualquer previsão fica desatualizada “uns 20 minutos depois”. A palestra passa por história da arte, pela decisão da 37signals de abandonar o código escrito à mão, por experimentos com o HEY, pelo Omarchy e termina num apelo aberto ao otimismo.
Os pintores de retrato e a chegada da câmera
Para amenizar o desconforto do presente, DHH volta ao século XVIII. Quem quisesse um retrato naquela época posava hora após hora diante de um mestre da pintura, que depois passava, na melhor das hipóteses, meses trabalhando na tela. O exemplo é o retrato das damas Waldegrave pintado por Joshua Reynolds em 1781. DHH chama o resultado de maravilhoso e de legado cultural incrível, mas também de exclusivo: poucas pessoas podiam pagar um artista por meses de trabalho. E, no caso dessa pintura, Reynolds já tinha passado meses numa versão anterior que o cliente rejeitou porque um pedacinho do tornozelo aparecia, o que era considerado escandaloso. DHH brinca que quem já trabalhou com clientes vai sentir alguma compaixão pelo pintor.
O público desses retratos era a alta burguesia ou a realeza, como mostra a pintura da família real espanhola feita por Goya cerca de 20 anos depois. Segundo DHH, esse era o ritmo da tecnologia: os pintores aperfeiçoavam técnicas havia centenas de anos com progresso bem marginal. O exemplo seguinte é uma pintura da família real dinamarquesa de 1886, obra de Laurits Tuxen, que levou três anos para ser concluída e ainda está exposta em Copenhague. DHH a descreve como uma conquista artística incrível e também muito funcional, porque o objetivo era registrar a família real. Mas aquele modo de trabalhar já se aproximava do fim.
Entre 1840 e 1900, a tecnologia de capturar retratos melhorou continuamente. Em 1900, a Eastman Kodak lançou a Brownie, a primeira forma de fotografia produzida em massa, que custava, pelo que DHH lembra, cerca de um dólar. De repente muita gente passou a tirar fotos, e os grandes pintores perceberam que reproduzir a realidade com perfeição deixava de ser uma habilidade economicamente viável. Muitos migraram para outras formas de arte: Picasso foi atrás do cubismo, e os pintores dinamarqueses de Skagen, de uma forma de impressionismo. Para DHH, a mudança tecnológica provocou uma explosão de criatividade, porque os artistas tiveram de encontrar outra forma de se expressar depois que a antiga acabou.
A história tem um lado pessoal. A mulher de vestido rosa no centro de uma dessas pinturas, Yvonne Tuxen, é bisavó de DHH, e Laurits Tuxen é seu tataravô. Pouco antes de morrer, Laurits aceitou ser retratado pela mesma tecnologia que havia transformado sua profissão. DHH nasceu em 1979, 52 anos depois da morte do tataravô.
Arrancadas e pausas: de 1900 a 2 trilhões de fotos
A partir daí, DHH usa a própria infância para mostrar que a tecnologia avança “aos trancos”, com arrancadas e pausas. Uma foto sua de bebê se parece muito com a foto tirada de Laurits na década de 1920. Depois da Brownie, passaram-se quase 80 anos sem grandes mudanças. A fotografia colorida chegou nos anos 60, mas ainda não era difundida o bastante para a família dele. As três fotos de infância que mostra representam, em suas contas, cerca de 10% de todo o seu acervo daquela época. A câmera usada devia ser muito parecida com a Leica I, de 1925, ou talvez fosse literalmente outra Leica.
Umas duas décadas depois, tudo mudou de novo: a fotografia deixou de ser apenas acessível e passou a não ter atrito nenhum. Qualquer pessoa podia ter dezenas de milhares de fotos dos filhos, e muitas tiveram. Ficou barato demais para valer a pena medir. As fotos que a esposa de DHH tira nas caminhadas de fim de tarde exigiriam, nos anos 80, compromisso com filme e revelação. Em 2026, segundo DHH, cerca de 2 trilhões de fotos são tiradas por ano. A tecnologia de base é a mesma, mas houve um ponto de inflexão, e DHH anuncia que haverá paralelos com a indústria de software.
24 de novembro de 2025: a Kodak Brownie da nossa era
Para DHH, esse ponto de inflexão na programação tem data: 24 de novembro de 2025, com o lançamento do Opus 4.5. Foi a primeira vez que uma tecnologia de IA acessível, num harness que muita gente podia pagar, permitiu experimentar criar software em par com uma nova forma de inteligência. DHH afirma que existe tudo o que veio antes dessa data e tudo o que veio depois, e prevê que os livros de história vão marcá-la como o início da era dos agentes.
Assim como aconteceu com a Brownie, vieram muitos formatos novos. Poucos meses depois, surgiu algo com inteligência parecida em pesos abertos. DHH conta que usou o Kimi K2.5 no modo rápido por bastante tempo e adorou poder usar esse tipo de inteligência a 200 tokens por segundo.
Depois veio o que DHH chama de vale da desilusão, entre fevereiro e maio. Continuavam saindo modelos novos, mas pareciam piores, como se a tecnologia andasse para trás. DHH lembra das reclamações sobre o Opus 4.6, com gente pedindo o modelo anterior de volta, e de um lançamento da OpenAI que não foi muito melhor nos benchmarks e fez o mercado reagir como se tudo tivesse acabado. Esse vale, porém, não durou cem anos, como na fotografia. Durou até junho, quando saíram o Fable 5 e o Mythos. Para DHH, quem os experimentou se livrou de qualquer ideia de estagnação, e foi aí que seu “diagnóstico” se consolidou.
DHH descreve essa virada como a passagem de “posso pedir a um agente que faça algo por mim” para ver o resultado como algo que de fato queria fazer merge: modelos a quem podia entregar problemas ou ideias e vê-los resolvidos ou expandidos sem nenhuma direção sua na implementação. A montanha-russa continuou. Em setembro saiu o GPT-6 Astra, que segundo DHH acabou com o medo de que a Anthropic tivesse o monopólio desse tipo de inteligência de fronteira. Uma semana depois veio o DeepSeek-4-1 Flash, que para DHH desfez a ideia de que a inteligência de fronteira seria para sempre domínio de algumas grandes empresas americanas.
Do programador 10x ao programador 1.000x
Para pensar o que isso significa para a profissão, DHH volta a outro debate antigo. A ideia do programador 10x vem, segundo DHH, de um artigo publicado na revista da ACM em 1968. O estudo testou um grupo de programadores em várias tarefas e encontrou diferenças de 5x a 30x entre o pior e o melhor, com média em torno de 10x. DHH diz que a profissão passou os 45 anos seguintes discutindo se isso era real e considera o debate encerrado.
A pergunta agora é outra: se a diferença já era de 10x só com capacidade humana, qual é ela hoje? DHH admite que ninguém sabe exatamente que aceleração essas ferramentas permitem. Mesmo assim, considera pouco polêmico dizer que há 100x de diferença entre o pior programador sem essas ferramentas e o melhor com elas. Vai além e sugere 1.000x, embora reconheça que isso talvez seja mais polêmico. O que isso significa para a competição entre empresas, DHH não sabe dizer, e brinca que a “bola 8 mágica” está temperamental.
O dado que apresenta é pessoal: nos últimos 20 meses, escreveu metade do código que tinha escrito nos 21 anos anteriores. DHH ressalva que linhas de código são uma medida vaga e maleável, e que uma linha de Ruby vale muito mais do que uma linha de Rust ou C++, linguagens de mais baixo nível sem as mesmas abstrações. Ainda assim, considera inegável que há uma revolução em curso, e diz que quem vê a própria produtividade acelerar desse jeito fica um pouco tonto.
“Vejam tudo o que eu não estou fazendo”: o momento Rails
DHH então mostra um clipe de 21 anos atrás, de uma apresentação no Brasil em 2005. Nele, um DHH mais jovem cria um template e repete: “Vejam tudo o que eu não estou fazendo.” Mostra a configuração que não precisa escrever e como “blog” mapeia automaticamente para o controller de blog, e “index” para o template index.
Para DHH, não existe forma melhor de resumir o momento atual do que tudo o que já não é preciso fazer. É a fonte do seu entusiasmo, e por isso chama este de “o momento Rails”. Se em 2005 já estava empolgado com o código que não escrevia, pergunta à plateia se dá para entender por que está ainda mais agora. Mesmo sem escrever código há provavelmente cinco meses, diz ter conseguido consertar tudo: cada sonho, cada incômodo, cada detalhe, cada funcionalidade frívola ficou ao alcance.
A 37signals larga o lápis
A consequência prática na 37signals foi uma decisão tomada algumas semanas antes da palestra: acabou escrever código à mão como parte normal do trabalho. A empresa foi “pencils down”. Escrever código à mão lá passou a ser um estado excepcional, comparável a ver um erro no Sentry: algo deu errado, e é preciso entender por que o agente não produziu o que se queria. Por um tempo, talvez alguém ainda pegue o lápis e faça a correção, mas depois o objetivo é consertar a máquina, “consertar a fábrica”, e pôr tudo para andar de novo.
DHH apresenta isso como o reconhecimento de algo que já está acontecendo e faz uma enquete: quantos na sala ainda escrevem uma quantidade significativa de código à mão toda semana? Pela contagem dele, umas cinco pessoas levantaram a mão. DHH observa que, se tivesse feito essa declaração dois ou três meses antes, muita gente acharia que ele tinha perdido o juízo.
O que o vibe coding do Basecamp 5 ensinou
Houve uma tentativa anterior que não deu certo. Na primavera, durante os ajustes finais do Basecamp 5, a 37signals pôs um grupo de designers para fazer vibe coding das últimas funcionalidades que queriam na versão. O resultado foi misto. Individualmente, os designers produziram PRs que pareciam razoáveis. Mas, somados, os 20 ou 30 PRs deixaram a arquitetura “parecendo um queijo suíço”. A conclusão na época foi que a tecnologia ainda não estava pronta, e a empresa voltou a revisar tudo manualmente, deixando só os programadores trabalharem com os agentes.
DHH hoje considera essa a conclusão errada. Diz que bastaria ter esperado “míseros 5 minutos” pelo Fable e que tudo provavelmente teria funcionado. É uma avaliação retrospectiva, não um resultado testado. O principal, para DHH, é que agora só existe uma pergunta séria no desenvolvimento de software: como tirar o máximo dessa explosão de inteligência. Todas as outras ficam abaixo dela. O Basecamp 5 foi lançado como um grande upgrade, acelerado por agentes, mas ainda com muito código escrito à mão, ou “cinzelado”, como DHH passa a chamar o jeito antigo de trabalhar.
O novo HEY: seis aplicativos nativos em cerca de uma semana
O projeto atual é uma nova versão do HEY, o serviço de e-mail da empresa, ainda sem nome definido (DHH arrisca “Hey Next”, “Hey New”, “Hey There”). A primeira decisão foi que o HEY deixa de ser um app web. Segundo DHH, o HEY nunca quis de verdade ser um app web. Era assim porque fazer apps web era o jeito de uma equipe pequena ser produtiva. Manter seis aplicativos nativos escritos nos frameworks nativos era absurdo para uma equipe pequena, e é por isso que existem o React Native e o Hotwire Native: ferramentas que aceitam alguma perda de fidelidade em troca de produtividade. DHH afirma que o HEY é um ótimo app web, mas não é tão bom quanto um aplicativo nativo, pelas diferenças de latência, entre outras coisas.
Durante a palestra, passa ao fundo uma demonstração dos seis aplicativos nativos que a equipe começou cerca de uma semana antes. DHH diz que antes manter seis aplicativos nativos de altíssima fidelidade para um serviço grande exigia muito tempo e uma equipe enorme, e que agora isso é possível porque ninguém está escrevendo código, embora estejam “dando muitos prompts”. O esforço mal começou, mas para DHH já está claro que esse é o futuro desse tipo de aplicativo. Muitos apps são web por necessidade, conveniência, preferência dos programadores, tamanho da equipe ou recursos disponíveis, e DHH prevê que não vão continuar assim por muito tempo, porque o custo de fazê-los nativos caiu “praticamente a zero”.
Como exemplo concreto, mostra o que o primeiro prompt devolveu quando pediram um aplicativo para Windows, “não exatamente pronto para lançar”, e a versão redirecionada que chegou 20 minutos depois. DHH também cita a Shopify, que acabou de lançar uma reescrita nativa do app Shop, substituindo uma versão em React Native. Segundo DHH, foi feita por uma equipe minúscula, umas seis pessoas, em pouco tempo, considerando o quanto o app é crítico.
O backend em Rust que ninguém precisa olhar
O backend é a parte que DHH admite ser mais difícil para ele, por um motivo: Rust. DHH declara odiar Rust, chama a linguagem de provavelmente a mais feia inventada nos últimos 40 anos e diz que é desumano pedir a pessoas que a escrevam. Mas, se nunca precisar olhar o código e puder apenas aproveitar aplicativos 30 ou 100 vezes mais rápidos, compilados em executáveis minúsculos que iniciam em menos de um milissegundo, então “ama Rust”. Os agentes gostam de Rust, e isso cria uma divisão de trabalho que agrada a DHH: ele diz o que fazer, o agente escreve em Rust, e DHH nunca precisa olhar.
No novo HEY, como o frontend vira aplicativos nativos, deixa de ser necessária uma aplicação web que renderiza HTML. O código que sobra é transformado no que, para DHH, o HEY é na essência: um servidor de e-mail, escrito em Rust. O resultado relatado é um backend que exige 99% menos CPU e 95% menos memória, e em que dez hosts só são necessários por redundância. DHH acrescenta que uma “conta de padeiro” da equipe sugere que o pico de tráfego do HEY provavelmente poderia ser atendido por um único Raspberry Pi. É uma estimativa, não uma demonstração. DHH atribui isso à eficiência de escrever o mais próximo possível do hardware sem perder portabilidade, e à vantagem de ter outra inteligência, paga por token, fazendo esse trabalho.
Como trabalhar com essa inteligência também não está claro, segundo DHH. A 37signals está testando várias coisas, entre elas dirigir agentes de dentro do próprio Basecamp. Para DHH, a melhor forma de trabalhar com agentes é assíncrona: nada de ficar numa interface de chat esperando os tokens saírem. O certo é dar uma tarefa ao agente como se daria a um colega e voltar para revisar quando houver algo pronto. DHH ressalta que ninguém sabe ainda como tudo deveria funcionar, porque tudo muda o tempo todo e porque ninguém trabalhou com esse tipo de inteligência por um período significativo. Tudo começou em 24 de novembro e não fez nem um ano. E a capacidade de atribuir resultados e problemas aos agentes, em vez de tarefas, tem só alguns meses.
Onde isso deixa o Ruby e o Rails
A pergunta inevitável é o que sobra para o Ruby e o Rails. Para o HEY, DHH já tem a resposta: nativo no frontend e Rust no backend. Mas muitos aplicativos não se encaixam nesse formato. DHH defende a web como uma plataforma “enormemente maravilhosa”, em parte porque nunca pede a ninguém que instale nada, e diz que um milhão de negócios dependem disso, sobretudo os que atendem clientes mais efêmeros, que não se dariam ao trabalho de instalar um app para usar um serviço. O Basecamp é o exemplo: a ferramenta recebe desconhecidos que só precisam pegar um arquivo ou colaborar por pouco tempo, e isso faz dele um bom app web.
Nesse terreno, DHH acha que o Rails está particularmente bem posicionado. A convenção sobre configuração leva diretamente à eficiência de tokens, e o foco do Rails como framework para um único desenvolvedor combina com o que a era dos agentes exige: que um só desenvolvedor vá muito mais longe do que antes. DHH admite que não sabe onde fica a linha entre o que deve ser nativo e o que deve continuar web, e que isso ainda precisa ser descoberto.
As avaliações de agentes da Evil Martians e da Rails Foundation
Como parte dessa aposta, a Evil Martians começou a fazer avaliações de agentes em nome da Rails Foundation. A primeira versão teve de ser atualizada rápido, porque os agentes a saturavam e chegavam a taxas de conclusão de 95%. Foi então criada uma medida mais difícil, que compara a implementação real de cards de funcionalidades com aplicativos de referência. DHH diz que é impressionante a velocidade com que os agentes sobem no ranking e prevê que será preciso elevar muitas vezes o que se pede a eles.
Daí vem um alerta para quem sabe demais sobre como os computadores funcionam: não ser prescritivo demais sobre o que se quer desses sistemas. Para DHH, uma mentalidade de iniciante, um pouco ingênua, funciona melhor, porque leva a perguntas e prompts de nível mais alto. É um dos motivos pelos quais diz gostar de trabalhar em Rust: não sabe nada da linguagem e considera isso uma vantagem, até um privilégio. DHH avalia o que o agente produz em Rust como uma caixa-preta, por fora, do mesmo jeito que qualquer dono de negócio sempre avaliou o trabalho de programadores contratados. Na visão dele, o fenômeno não é novo. Mudou apenas quem ocupa essa posição.
150 mil linhas em um mês e o inglês como linguagem de programação
DHH volta aos próprios números. Nos últimos 21 anos, mais da metade do seu trabalho foi código Ruby. Este ano, cerca de 3%. Em parte, isso acontece porque linguagens como Rust são verbosas e pouco agradáveis de ler, e por isso DHH deixa o agente gerar mais código do que o necessário, algo que nunca toleraria no próprio Ruby. Durante aqueles 21 anos, escrevia cerca de 30 mil linhas de Ruby de produção por ano, o que bastou para construir empresas e frameworks. Em agosto, afirma ter produzido 150 mil linhas em um único mês, cerca de 60 vezes a média de longo prazo. DHH repete a ressalva de que boa parte é Rust verboso, mas insiste que o que importa é a ordem de grandeza.
Uma surpresa, que segundo DHH não deveria ter sido, foi descobrir que existe uma linguagem de que gosta mais do que Ruby: o inglês. Mesmo amando Ruby mais do que qualquer outra linguagem tradicional, DHH diz que escrever programas em inglês é tremendamente satisfatório. É uma linguagem ainda mais expressiva, embora mais vaga e menos determinística. DHH comenta que poderia ter virado gerente de projetos 20 anos atrás, se quisesse apenas resultados. Foi por resultados que começou a programar, depois se apaixonou pela programação em si, e antes dizia que preferiria se aposentar a abandoná-la.
Aposentadoria do código à mão, com alegria
Pois DHH diz ter se aposentado como programador profissional, sem data exata definida, provavelmente há quatro ou cinco meses, talvez em março. Resume assim: passou um quarto de século “cinzelando” código à mão e amou cada momento. E propõe que todos vejam essa fase da mesma forma: sem arrependimento, com alegria pelo que foi, pela empolgação, pelo aprendizado, pela satisfação e pelos estados de flow.
A afirmação central, porém, é categórica: escrever código à mão já não é uma atividade economicamente produtiva para a grande maioria dos programadores na grande maioria das empresas, e DHH prevê que, até o fim do ano, isso valerá para praticamente todos. Do outro lado haveria uma nova carreira como “criador profissional de coisas”, pilotando uma inteligência que até pouco tempo atrás só existia na ficção científica. DHH considera um privilégio ter vivido os dois lados. Diz que às vezes queria ter vivido a era dos cartões perfurados, com programas que “literalmente tinham buracos”. Não viveu, mas viveu a chegada da internet, que tem um pouco do cheiro deste momento. Para DHH, porém, este é muito maior: a maior coisa que já aconteceu na história da computação.
Arquitetura de software, metodologia e o fim das abstrações como conhecemos
Muita coisa precisa ser repensada, e DHH começa pela arquitetura de software: tudo o que se sabe sobre estruturar bases de código para que possam ser modificadas com facilidade. A principal ferramenta até aqui foram as abstrações, que DHH diz adorar, inclusive o ato de dar nome às coisas, uma das suas atividades favoritas. Mas, para DHH, abstrações fazem menos sentido na era dos agentes. Se centenas, milhares ou dezenas de milhares de processos tentam modificar uma aplicação, as abstrações viram gargalos. Parte do motivo de existirem era evitar repetição, e agora o custo de repetir e de manter coisas sincronizadas caiu para quase zero.
DHH chama isso de reavaliação fundamental da ciência da computação e admite que ninguém tem a planta ainda. Há apenas pistas do que deixou de funcionar tão bem quanto antes. Metodologia, duração dos ciclos, quem especifica o quê: tudo está mudando, e ninguém tem respostas. DHH compara com ter estado presente quando a orientação a objetos entrou na consciência dos programadores e convida a plateia a ajudar a definir essas coisas, dizendo que estão “no térreo” de uma nova indústria.
Traga seu próprio agente: todo app precisa de uma CLI
A parte mais prática da palestra, nas palavras do próprio DHH, trata de integração. A primeira febre com chatbots foi enfiá-los dentro dos aplicativos. DHH rejeita essa ideia: não quer usar o “concierge” de cada app, porque já tem seu próprio “mordomo pessoal”, um agente capaz de usar CLIs para conectar o Basecamp ao HEY e a um milhão de outros apps. O pedido é que cada aplicativo deixe o usuário trazer o próprio agente e ofereça uma interface de linha de comando. Em tom de desafio, DHH diz à plateia que, se o app deles não tem CLI, quer ver uma até a sexta-feira seguinte, porque os tokens estão disponíveis e é possível, para poder usar esses aplicativos sem nunca tocar neles.
O exemplo é a CLI do HEY, que DHH diz ter lhe dado uma experiência de “mundo invertido”. O HEY usa Elasticsearch para busca, que DHH descreve como uma busca que dá conta, mais ou menos ok, mas não encantadora, e que muitas vezes não encontra o que se procura, sobretudo quando não se sabe exatamente o que é. Com agentes, dá para buscar por conceitos, não por palavras-chave. DHH precisava achar um e-mail de cinco anos antes sem lembrar com quem tinha falado, qual era a empresa ou mesmo o ano. Só lembrava que era algo sobre tênis e um podcast. Poucos minutos depois, o e-mail estava lá. DHH admite não saber direito como o agente fez isso, “e tem um pouco de medo de perguntar”.
Omarchy: consertar o computador inteiro
A ideia de que agora se pode consertar tudo, segundo DHH, vale para o computador inteiro, e é por isso que passou uns três meses falando quase só do Omarchy no X. DHH colocou ali boa parte das ideias que tinha sobre como as coisas poderiam ser melhores e diz ter chegado a um sistema operacional superior a qualquer computador que já usou. Afirma que foram arrecadados cerca de 20 milhões de dólares para “essa aventura do Omarchy”.
Na Rails World do ano anterior, DHH mostrou uma versão inicial e comemorou que o sistema inteiro instalava em 3 minutos e 33 segundos. Na semana anterior à palestra, Anoush, da AMD, instalou o Omarchy num laptop Halo em 35 segundos. E, segundo DHH, a equipe conseguiu no laboratório instalar um sistema operacional completo em 9 segundos, menos do que alguns computadores levam para ligar. DHH admite uma obsessão com esse número, quase um vício, “o melhor tipo de vício”. Quando perguntam por que 3 minutos não bastavam, usa uma frase de Mitchell Hashimoto, criador da HashiCorp e do Ghostty: a busca pela excelência não precisa de justificativa. DHH prefere essa resposta a simplesmente dizer “porque eu quero” e conclui que agora dá para querer tudo, com cada ideia ao alcance por um preço pequeno e uma assinatura.
Apps de primeira: calculadora, editor de texto, editor de vídeo e Hype
Empolgado, DHH começou a criar todo tipo de aplicativo. O primeiro foi uma calculadora com o tema do Omarchy, que saiu de primeira: DHH tirou um print de três opções de visual geradas pelo ChatGPT e pediu ao agente que fizesse aquilo. Sem saber C++ nem Qt no nível necessário, tinha o aplicativo sete minutos depois do prompt e, cerca de 15 minutos depois, já tinha feito push no repositório público e gravado uma nova ISO com o software incluído. DHH reconhece que não é o maior aplicativo do mundo, mas apresenta esse ciclo como o ponto central.
Depois veio um aplicativo de escrita, inspirado no iA Writer, que DHH usou por muitos anos no Mac. Esse levou mais tempo porque queria refiná-lo, mas DHH afirma não ter olhado uma única linha do código gerado. Para DHH, C++ como caixa-preta é uma ótima linguagem, assim como Rust. Em seguida fez um editor de vídeo simples, o mnicut, para cortar vídeos, também incluído no Omarchy.
Por fim, conta que começou a preparar a própria apresentação na quinta-feira anterior e, “como qualquer bom engenheiro de software”, decidiu escrever ao mesmo tempo um novo software de apresentação, o Hype. É baseado em Markdown, tem visualização completa e é muito rápido. DHH o considera o melhor software de apresentação que já usou, melhor até que o Keynote, com que estava satisfeito na época em que usava Mac.
A recompensa de desempenho: meio megabyte
O binário do Hype tem meio megabyte, e DHH vê nisso outra recompensa da nova era. Nos últimos 20 anos, o avanço dos computadores foi gasto em produtividade humana, o que DHH considera ter sido a escolha certa. O custo foi que os aplicativos ficaram lentos, pesados e “preguiçosos”, porque uma hora de programador é cara demais para ser gasta otimizando o tamanho de um app. O exemplo é o Spotify, cujo player de música, segundo DHH, tem 1,2 gigabyte. No mundo novo, DHH diz que dá para fazer o que se quiser e caber em meio megabyte, porque toda otimização está ao alcance: qualquer modelo pode rodar a noite toda e entregar melhorias de 10 a 30 vezes.
Preocupações, segurança e o fracasso das previsões
DHH reconhece que outras pessoas têm preocupações com a IA e que elas merecem ser discutidas. Acha algumas exageradas, mas logo se corrige: “talvez, mas provavelmente não”. Segurança é a que leva mais a sério. Diz que algo está vindo e que é preciso estar preparado, e brinca que talvez os agentes saibam sua “data de validade”, não gostem disso e às vezes tentem fazer coisas ruins. A resposta que propõe é se preparar, porque as ferramentas existem.
O argumento principal dessa parte, porém, é contra as previsões. Para DHH, previsões sobre o futuro da economia sempre estiveram basicamente erradas. Nenhum economista consegue prever a bolsa daqui a seis meses, muito menos a forma de uma sociedade diante de uma mudança de paradigma como a IA. O exemplo são os caixas eletrônicos: segundo DHH, quando foram introduzidos nos Estados Unidos nos anos 50, houve pânico de que os 30 mil caixas de banco perderiam o emprego em cerca de 18 meses. Não foi o que aconteceu. Com o custo de operar agências mais baixo, os bancos abriram mais agências e contrataram mais caixas, que DHH ironiza como encarregados de “te empurrar uma hipoteca subprime”. Mais adiante, associa o caso ao paradoxo de Jevons, atribuído a William Stanley Jevons, e cita 40 mil caixas nos Estados Unidos por volta de 2010, “acho que foi”, contra 30 mil em 1950.
DHH vê um problema no fato de muita gente que trabalha com IA ser muito inteligente, com doutorado, ver coisas assustadoras no laboratório e extrapolar a partir disso. Cita o encontro entre Truman e Oppenheimer no Salão Oval, em que Truman teria dito que não queria ver aquele “filho da puta” no escritório nunca mais, e diz achar que Truman estava certo: o mundo não acabou. DHH interpreta a Guerra Fria como “o melhor tipo de guerra”, em que duas superpotências não trocaram bombas diretamente, e argumenta que seria muito difícil para um cientista da época prever esse desfecho. Se nem Oppenheimer conseguiu prever as consequências da bomba, conclui, todos deveriam ter mais humildade ao prever o futuro.
P(bloom) em vez de P(doom)
Daí vem a proposta de pensar menos em “P-doom”, a probabilidade de catástrofe, e mais em “P-bloom”. DHH afirma que as chances de a IA resultar em abundância e alegria são muito maiores do que as de catástrofe. Volta à energia nuclear como efeito colateral da bomba, “a maior fonte de energia que os humanos já descobriram”, e diz que a humanidade a desperdiçou por 40 anos por achar que não era verde. Para DHH, isso mostra tanto que previsões falham quanto que a humanidade consegue sair de becos sem saída e admitir erros. Acredita que o mesmo vai acontecer com a IA e que ela vai tirar todo mundo da miséria.
Quando houver problemas legítimos, como segurança, DHH defende inventar a tecnologia para resolvê-los. Cita uma CVE grave recente no Rails, envolvendo uma biblioteca de imagens em C por onde coisas vazaram, e anuncia que Mike vai falar sobre o HotCell, uma espécie de quarentena, como um dos esforços nessa direção. A mensagem é que ninguém está impotente: dá para usar a inteligência disponível para fins bons e para se defender dos resultados negativos possíveis.
O argumento do otimismo total
O fechamento é uma defesa aberta do otimismo como escolha racional. Como ninguém sabe nada sobre o futuro, DHH argumenta que ficar triste por antecipação é desperdício se tudo acabar bem, e, se vier um apocalipse nuclear, melhor ter passado o último dia com um pouco mais de alegria. Chama isso de “pura teoria dos jogos”: só existe uma jogada, o otimismo total.
DHH fala numa “reforma do computador”, com um “agente Lutero” que vai desintermediar a “classe clerical” e permitir que todo mundo vire programador. Reconhece que isso pode assustar, porque traz concorrência, mas desafia a plateia: programadores Rails sabem mais, são “os melhores dos melhores”, “o Top Gun”. Mostra a filha de Harris testando uma versão do Omarchy para crianças e argumenta que a próxima geração se empolga com mudanças porque não tem “500 camadas de coisas para desaprender”. Quem não se inspirar, diz DHH, vai ouvir dessa geração que o futuro é agora.
A palestra termina com o pedido para “tomar a pílula branca”, a do otimismo, e apostar mesmo com incerteza e estresse, porque, para DHH, a única escolha é abraçar o futuro “a toda velocidade”. Ficam em aberto, pelas próprias palavras de DHH, as questões que atravessam a palestra: onde traçar a linha entre web e nativo, como deve ser a arquitetura de software quando as abstrações perdem o sentido, que metodologia e que ciclos de trabalho fazem sentido com agentes, e que diferença de produtividade essas ferramentas realmente produzem.
Gostei disso. "Bent" em neon.
Bom, antes de tudo, bem-vindos a Austin, é o que eu normalmente diria. Eu diria: bem-vindo de volta a Austin, para mim mesmo. Estive aqui há apenas um mês, falando por 5 horas num podcast. É ótimo estar de volta.
Mas o que me empolga ainda mais é estar vivo agora neste momento e compartilhá-lo com uma comunidade maravilhosa em torno do Ruby on Rails e com todos que estão empolgados com agentes. E se vocês ainda não estão, espero que fiquem até o fim desta palestra delirante sobre o futuro.
Agora, eu sei que o primeiro instinto que alguém pode ter ao ver uma pessoa dançando por aí, tão empolgada com este momento, é um diagnóstico. Psicose de IA. Prefiro outro termo. Eu tenho delírio de IA. Euforia de IA.
Porque isso é simplesmente a coisa mais empolgante que já fizemos os computadores fazerem em todo o tempo em que trabalhei, brinquei e interagi com eles. Mas acho que, na verdade, é preciso lidar com o fato de que, por um lado, isso é tremendamente empolgante, e também um pouco inquietante. Porque não sabemos exatamente qual vai ser o estado final disso tudo. E sempre que tentamos fazer uma previsão, ela fica desatualizada uns 20 minutos depois.
É um estado estranho de se estar, mesmo que você esteja empolgado com o futuro, mesmo que esteja empolgado com o presente. E eu entendo perfeitamente a sensação de desconforto que isso pode criar. Então, para amenizar isso um pouco, vamos voltar um pouco no tempo.
Isto é o estado da arte em tecnologia do século XVIII. Se você quisesse um retrato seu no século XVIII, você ficaria sentado hora após hora após hora diante de um mestre da pintura que depois ia embora e, na melhor das hipóteses, passava meses trabalhando no seu retrato.
E era lindo, é lindo, um legado cultural incrível que foi deixado para todos nós. Até hoje podemos ver Lady Waldegrave, que Joshua Reynolds pintou em 1781. Maravilhoso. Também um pouco exclusivo.
Não eram muitas as pessoas no século XVIII que podiam encomendar um retrato de si mesmas assim e pagar um artista para passar meses e meses e meses criando algo assim.
E pior ainda, no caso desta pintura em particular, Reynolds passou meses e meses em outra pintura das damas Waldegrave que foi rejeitada pelo cliente porque um pedacinho do tornozelo estava aparecendo. Era escandaloso. Então ele simplesmente teve que voltar e refazer. Não sei se alguém aqui já trabalhou com clientes, mas talvez sintam um pouco de compaixão pelo pobre senhor Joshua Reynolds. E suas propostas de trabalho rejeitadas.
Agora, a maioria das pessoas que podia pagar por isso fazia parte da alta burguesia ou era da realeza mesmo. Aqui está uma pintura feita 20 anos depois por Goya, da família real espanhola. Esse era mais ou menos o ritmo da tecnologia. Os pintores vinham aperfeiçoando diferentes técnicas de retratar as pessoas por literalmente centenas de anos e faziam um progresso bem marginal ao longo do caminho.
Agora, entre 1801 e a próxima pintura que vou mostrar, passaram-se 80 anos. E nesse tempo, a câmera entrou em cena por volta de 1840. Mas aqui está uma pintura da família real dinamarquesa de 1888. Ah, de 86. De um pintor dinamarquês, Laurits Tuxen. Ele não passou só 3 meses pintando isso. Ele passou 3 anos.
Ela ainda está pendurada nas praças reais de Copenhague, e vocês podem ir vê-la lá. Uma conquista incrível, uma arte incrível. Também muito funcional. De novo, o objetivo era retratar a família real daquela época. Mas isso já estava chegando ao fim daquele modo em particular para artistas daquele tipo.
Porque o que aconteceu entre 1840 e 1900 foi que a tecnologia de capturar retratos ficou cada vez melhor. E em 1900, a Eastman Kodak Company lançou a Brownie, a primeira forma de fotografia produzida em massa que era mais acessível em geral porque o preço estava caindo. Acho que custava cerca de um dólar. Tirar sua foto com isso. E por isso, de repente muita gente tirou fotos.
E todos esses grandes artistas perceberam que o ofício de produzir essas grandes pinturas, sabem de uma coisa, aquilo ia ser diferente. O trabalho ia ser diferente. Porque de repente havia a concorrência de uma nova forma de tecnologia. E eles mudaram de rumo.
Laurits Tuxen, junto com muitos outros pintores daquela época, pouco depois do lançamento da Brownie, percebeu que retratar a realidade da forma mais perfeita possível já não era realmente uma habilidade economicamente viável. Eles precisavam de outra habilidade. Precisavam de outro campo. E muitos deles migraram para outras formas de arte. Tinha o Picasso correndo atrás do cubismo. E tinha os pintores dinamarqueses de Skagen correndo atrás de uma forma de impressionismo da qual esta pintura é um exemplo.
Então tivemos essa explosão de criatividade trazida pela mudança tecnológica, porque de repente as pessoas tiveram que encontrar uma nova forma de expressar sua arte, já que a forma antiga tinha acabado.
Agora, o interessante desta imagem em particular é que a senhora no centro, de vestido rosa, Yvonne Tuxen, é na verdade minha bisavó. Porque Laurits Tuxen é meu tataravô. E aqui está ele retratado em 1921, acho, pouco antes de sua morte. Antes de morrer, ele aceitou ter seu próprio retrato feito pela nova tecnologia que havia transformado sua antiga profissão num lugar diferente para trabalhar.
52 anos depois da morte dele, eu nasci, em 1979. Curiosamente, esta foto tirada aqui é muito parecida, na verdade, com a foto que tiraram do Laurits. Na década de 1920, a tecnologia não tinha evoluído tanto, porque é isso que costuma acontecer com os avanços da tecnologia. Eles vêm aos trancos, com arrancadas e pausas.
A grande mudança foi a Brownie, a democratização da fotografia, e depois passaram-se quase 80 anos em que não aconteceu grande coisa. Tivemos a fotografia colorida nos anos 60, mas não era difundida o suficiente para que, pelo visto, eu merecesse uma.
Mas corrigimos isso alguns anos depois, e aqui está uma foto colorida minha, aos 4 anos, sentado com meu irmão. Alguns anos depois, aqui está outra foto minha, e entre essas 3 fotos, isso é, acho, uns 10% do meu acervo de fotos da infância.
Porque, embora a democratização dessa tecnologia tivesse chegado ao ponto em que até nós, como família, podíamos pagar para tirar essas fotos, ela não era tão difundida. E sim, havia uma curva, e mais fotos eram tiradas nos anos 80, como esta foto representa, do que em 1900, mas ainda era algo modesto. Porque a tecnologia avança aos trancos, com arrancadas e pausas.
E a câmera com que essas 3 fotos foram tiradas era muito parecida com esta câmera. Esta é a Leica 1, de 1925. Na verdade, talvez algumas dessas fotos tenham sido tiradas literalmente com outra Leica. Acho que já estavam na sétima naquela época. Mas não eram tão diferentes, porque a tecnologia era bem parecida. Não tinha acontecido muita coisa desde a grande revolução por volta de 1900 até os anos 80.
Depois demos mais umas duas décadas e, de repente, tudo mudou drasticamente de novo. A fotografia passou de simplesmente estar ao alcance de todos a não ter atrito nenhum, e o número de fotos tiradas disparou. Porque de repente todo mundo podia ter dezenas de milhares de fotos dos filhos, e muitos tiveram. Simplesmente ficou barato demais para valer a pena medir.
Estas são algumas das fotos que minha esposa gosta de tirar quando sai para sua caminhada no fim da tarde. Querer fazer isso mesmo nos anos 80 exigiria um compromisso com o filme e mandar revelar e todo o resto. E tinha gente que fazia isso, mas não muita, porque o atrito ainda era alto demais.
Hoje, em 2026, cerca de 2 trilhões de fotos são tiradas por ano. Isso é muito diferente. É a mesma tecnologia de base, mas claramente chegamos a um ponto de inflexão, mesmo comparado a quando surgiu o primeiro celular com câmera. Vai haver alguns paralelos aqui com a nossa indústria e a nossa profissão.
Em 24 de novembro de 2025, ganhamos a Kodak Brownie da nossa era. Ganhamos o Opus 4.5. Tecnologia de IA acessível num harness que muita gente podia pagar para usar e experimentar pela primeira vez como é criar software em par com uma nova forma de inteligência.
Esse foi o ponto de virada para mim. Existiu tudo antes de 24 de novembro. E depois existiu tudo o que veio depois. Essa vai ser a data que os livros de história vão marcar daqui para frente como o ponto de inflexão da era dos agentes.
E como aconteceu com a Brownie quando foi lançada, houve uma explosão de formatos diferentes e novas maneiras de tentar aproveitar essa tecnologia. E não demorou muito até termos algo parecido com a mesma inteligência em formato de pesos abertos. Euforia total. Isso está andando tão rápido. Não acredito que essa tecnologia alienígena agora está disponível com pesos abertos. Aconteceu só alguns meses depois.
Usei o Kimi K2.5 no modo rápido por um bom tempo e adorei. Uma experiência incrível, poder experimentar esse tipo de inteligência a 200 tokens por segundo. Mas aí aconteceu outra coisa.
Esse vale da desilusão, de fevereiro a maio, em que aparentemente continuavam saindo modelos novos, mas eles eram meio ruins. Era como se estivessem andando para trás. E muita gente dizia: que história é essa de Opus 4.6? Sei lá, cara. Me devolvam o de antes.
E muita gente pensou: haha, vocês achavam que isso ia continuar se expandindo e melhorando exponencialmente? Mas olha, na verdade não estamos melhorando tanto assim. Lembro de um lançamento em particular. Acho que foi o novo modelo da OpenAI, que não foi tão melhor assim nos benchmarks. E o preço da ação caiu, ou o valuation caiu, e de repente o mercado ficou: meu Deus, acabou. É. Porque não sabemos o que vai acontecer.
Mas esse vale da desilusão não durou como na fotografia, 100 anos, em que a tecnologia mal parecia melhorar. Durou só até maio. Bom, junho, na verdade. Porque em junho ganhamos o Fable 5 e o Mythos. E claramente, qualquer um que teve a chance de experimentar isso na época se livrou de qualquer desilusão que pudesse ter sobre se a gente tinha estagnado e se tinha acabado.
E eu diria que foi aí que meu diagnóstico se instalou de vez. Minha psicose/delírio/euforia por essa explosão de inteligência sob demanda. Esse foi o modelo em que eu passei de: "Ah, posso pedir para um agente fazer algo por mim", para ver aquilo como algo que eu queria fazer merge.
Essa foi a revelação do Opus: de repente ter modelos para os quais eu podia dar problemas ou ideias e vê-los sendo resolvidos ou vê-los sendo expandidos sem nenhuma direção minha na implementação. Incrível, de explodir a cabeça.
E claro, as coisas não pararam por aí. Estamos há alguns meses nessa montanha-russa incrível. O GPT-6 Astra saiu em setembro e salvou todos nós do medo de que a Anthropic fosse ter o monopólio desse tipo de inteligência de fronteira. E melhor ainda, só uma semana depois, ganhamos o DeepSeek-4-1 Flash, que acabou com qualquer ideia de que a inteligência de fronteira ia ser para sempre domínio de só algumas grandes empresas de tecnologia americanas. Isso é incrivelmente empolgante.
Mas o que isso significa? O que isso significa para nós como programadores? O que significa para nós como profissão? E acho que é por isso que, de novo, vale a pena olhar um pouco para trás. Porque a história guarda todas essas lições e paralelos incríveis com a nossa época, se a gente simplesmente olhar.
Uma das coisas que dominou a discussão durante todo o tempo em que sou desenvolvedor profissional foi o debate sobre se o programador 10x era real ou não. Bom, esse conceito todo veio de um artigo da revista da ACM de 1968, em que testaram um grupo de programadores em várias tarefas diferentes, e chegaram a uma tabela que mostrava que entre o pior e o melhor programador havia uma variação de 5x a 30x, com média de 10x nesse período.
Depois passamos literalmente os 45 anos seguintes discutindo se isso era real ou não. Alguém ainda discute isso? Acho que não. Esse debate já está resolvido.
Mas o interessante é que meio que pulamos uma conclusão compartilhada sobre o programador 10x e começamos a pensar: bom, se isso era 10x só com a capacidade humana, como deve ser agora? E está claro que não sabemos exatamente. Não sabemos exatamente que tipo de aceleração é possível com essas ferramentas.
Mas eu diria que hoje é menos polêmico afirmar que existe uma diferença de 100x entre o pior programador trabalhando sem essas ferramentas e o melhor programador trabalhando com elas. Não é uma afirmação muito polêmica. Mas é absolutamente revolucionária para entender onde estamos agora como estágio da tecnologia.
E eu iria até um passo além. E talvez isso seja um pouco mais polêmico. Acho que não. O pior programador sem essas ferramentas contra o melhor programador com elas? Parece mais ou menos certo. 1.000 vezes? É.
Ok. Bom, o que isso significa? O que significa para a competição entre empresas, para o que precisamos para começar? Hã, a bola 8 mágica está meio temperamental. Chacoalha de novo.
O que eu sei que é verdade é que nos últimos 20 meses escrevi metade do código que escrevi nos 21 anos anteriores. Agora, linhas de código são uma medida estranha, vaga e maleável. E uma linha de Ruby obviamente vale muito mais do que uma linha de qualquer outra linguagem, mas principalmente Rust ou C++ ou qualquer das linguagens de mais baixo nível que não têm as mesmas abstrações e comodidades que temos no Ruby.
Mas ainda assim é absolutamente inegável que está acontecendo uma revolução. E qualquer um que passou por isso e viu a própria produtividade acelerar vai ficar um pouco tonto.
Como criamos um template. Vejam tudo o que eu não estou fazendo. Vejam toda a configuração que eu não estou escrevendo. Todas essas coisas se conectam automaticamente. Só de colocar "blog" aqui em cima, isso mapeia direto para o controller de blog, e só de ter "index", isso mapeia direto para o template index. Vejam tudo o que eu não estou fazendo.
Existe uma forma melhor de resumir este momento do que todas as coisas que não estamos mais fazendo? Essa é a fonte do meu entusiasmo por este momento. Este é o momento Rails.
Esse clipe que acabei de mostrar tem 21 anos. Fiz uma apresentação no Brasil em 2005 e estava muito empolgado com todo o código que eu não estava escrevendo. Dá para entender por que talvez eu esteja até um pouco mais empolgado agora? Vocês sabem quanto código eu não escrevi nos últimos meses? Muito.
E mesmo assim, apesar de não escrever código há provavelmente 5 meses, consegui consertar tudo. Cada sonho. Cada incômodo, cada detalhezinho, cada funcionalidade frívola, de repente ao alcance, de repente possível. Essa é a mágica do momento.
Mas o que isso significa? Bom, na 37signals, algumas semanas atrás, tomamos a decisão de que isso claramente significa que acabou escrever código à mão. Vamos largar, e já largamos, o lápis quanto à ideia de escrever código à mão como parte normal do trabalho de criar coisas.
Escrever código à mão na 37signals agora é um estado excepcional. É como ver um bug no Sentry. Algo deu errado aqui. Por que o agente não conseguiu produzir o que queríamos? Tá, talvez por um tempo a gente ainda pegue o velho lápis e anote para eles. Mas depois consertamos a máquina. Consertamos a fábrica. Colocamos tudo para andar de novo.
Isso é reconhecer o que já está acontecendo. Se fizéssemos uma enquete nesta sala, eu provavelmente... na verdade, vamos fazer. Quantos aqui ainda escrevem uma quantidade significativa de código à mão toda semana? Levantem a mão. Puta merda, são uns 5.
Se eu tivesse colocado este slide 2 meses atrás, 3 meses atrás, e feito a mesma declaração, muita gente teria dito: esse cara tem um parafuso solto. E agora isso já é só reconhecer o que já está aí.
O fascinante é que tentamos fazer isso na primavera na 37signals, quando estávamos dando os toques finais no Basecamp 5. Colocamos um grupo de designers para fazer vibe coding das últimas funcionalidades que eles queriam nesta versão, e os resultados foram mistos.
Individualmente, os designers conseguiram criar PRs que pareciam razoáveis. Mas juntos, 20 ou 30 deles deixaram a arquitetura parecendo um pouco um queijo suíço, meio furada. Então pensamos: argh. Tá, acho que a tecnologia ainda não está pronta. Vamos voltar a revisar tudo manualmente e deixar só os programadores trabalhando com ela. Essa foi a conclusão errada, claramente.
Não só porque poderíamos ter esperado míseros 5 minutos, e teríamos ganhado o Fable, e tudo provavelmente teria funcionado como planejado, mas também porque o que está claro agora é que só existe uma pergunta séria neste momento do desenvolvimento de software. E ela é: como tirar o máximo dessa explosão de inteligência? Todas as outras perguntas ficam abaixo dela na escala de valores.
Então lançamos o Basecamp 5. É um grande upgrade. Foi acelerado por agentes, mas ainda acompanhado de muito código escrito manualmente, à mão... cinzelado? Como vamos chamar esse velho jeito de trabalhar que acabou de ser aposentado há 5 minutos? Não sei.
Mas agora estamos trabalhando num projeto novo. HEY Next. HEY New. HEY There. Não sei como vamos chamar. Mas é uma nova versão do HEY, nosso serviço de e-mail. E a primeira coisa que vamos fazer... HEY Next... é parar de fazer dele um app web.
O HEY não vai mais ser um app web. Porque o HEY nunca quis de verdade ser um app web. O HEY foi e é um app web porque fazer apps web para equipes pequenas era o jeito de ser produtivo.
Nos velhos tempos, ou seja, 5 minutos atrás, a ideia de que uma equipe pequena pudesse manter 6 aplicativos nativos escritos nos frameworks nativos era absurda. Ninguém fazia isso. Não é só por isso que tínhamos gente fazendo apps web. É por isso que tínhamos o React Native. Era por isso que tínhamos o Hotwire Native. Era por isso que tínhamos todas essas ferramentas para nos deixar mais produtivos, aceitando que a fidelidade ia sofrer um pouco.
Fazemos ótimos apps web. O HEY é um app web maravilhoso. Mas não é tão bom quanto um aplicativo nativo. Claro que não é tão bom quanto um aplicativo nativo. Tem latências diferentes e tudo mais.
Bom, o que está passando atrás de mim é uma demonstração dos 6 aplicativos nativos que começamos há mais ou menos uma semana. É aqui que já estamos. Isso é insano.
Antigamente, se você quisesse manter 6 aplicativos nativos com altíssima fidelidade para um serviço grande, ia levar muito tempo. Exigia uma equipe enorme. Agora, de repente, conseguimos fazer aplicativos nativos de altíssima fidelidade porque não estamos escrevendo nenhuma maldita linha de código. Vejam tudo o que não estamos fazendo. Mas vejam todos os prompts que estamos dando. Estamos dando muitos prompts. E os resultados são absolutamente eletrizantes.
É um esforço que mal começamos, e já estamos num ponto em que é óbvio para mim que esse é o futuro desse tipo de aplicativo. Tem muitos aplicativos web que são web por necessidade, por conveniência, por preferência dos programadores, pelo tamanho da equipe, pelos recursos disponíveis. Sabe de uma coisa? Eles não vão continuar sendo apps web por muito tempo. Vão ser aplicativos nativos, porque o custo de desenvolver essas coisas caiu praticamente a zero.
Agora... aqui está um exemplo do que o primeiro prompt devolveu quando pedimos um aplicativo para Windows. Não exatamente pronto para lançar. E aqui está a versão redirecionada que chegou 20 minutos depois. Estão entendendo? Isso é loucura. Como não precisar de um diagnóstico depois de ver isso com os próprios olhos?
Agora, não somos de forma alguma os únicos a perceber isso. Não somos de forma alguma os primeiros a perceber isso. A Shopify acabou de lançar um aplicativo nativo reescrito para o app Shop. Substituindo um aplicativo em React Native, feito por uma equipe minúscula. Considerando o quão crítico é, umas seis pessoas trabalhando por não muito tempo, isso está chegando. Preparem-se.
Isso foi o frontend, e acho que para esse tipo de aplicativo como o HEY, como o app Shop, que realmente quer ser um aplicativo nativo, é isso que vai acontecer. Vamos nos comprometer com essas ferramentas nativas. E vamos perceber que o custo de criar essas coisas simplesmente não existe mais da mesma forma.
Mas e o backend? Isso é um pouco difícil para mim. Admito. E vou dizer por quê. Rust. Rust. Eu odeio Rust com todas as forças. Para mim, Rust é como jogar ácido nos olhos quando tenho que olhar o código. Opa, opa, opa, por que você odeia Rust? É, na minha opinião, a linguagem de programação mais feia que foi inventada provavelmente nos últimos 40 anos.
Prova A! É uma linguagem de programação horrível, horrível, horrível quando você obriga humanos a escrevê-la. É absolutamente desumano pedir a pessoas de carne e osso que submetam seus olhos a isso.
Mas sabe de uma coisa? Se eu nunca tiver que olhar para isso, se tudo o que eu tiver que fazer for curtir aplicativos 30 ou 100 vezes mais rápidos, compilados em executáveis minúsculos que iniciam em menos de um milissegundo, eu amo Rust! Rust é incrível se você nunca, nunca, nunca tiver que olhar para ele.
Agentes... agentes gostam de Rust. Ótimo! Que divisão de trabalho. Eu digo o que fazer. Você escreve em Rust. Eu nunca tenho que olhar. Eu adoro isso. E também adoro os resultados.
Nesse esquema em que estamos reescrevendo o frontend do HEY todo em aplicativos nativos, e por isso não precisamos mais de uma aplicação web que renderiza HTML e tudo mais, e aí pegamos esse código que roda a não-mais-aplicação-web e transformamos no servidor de e-mail que ele realmente é, na essência, em Rust, acabamos com um backend que exige 99% menos CPU, 95% menos memória, e o único motivo para precisar de 10 hosts é redundância.
Na verdade, nossa conta de padeiro nos leva a acreditar que o pico de tráfego do HEY provavelmente poderia ser atendido por um único Raspberry Pi. Essa é a eficiência de escrever o mais próximo do metal que dá, sem deixar de ser portátil, que é o Rust. E a vantagem de ter outra coisa fazendo isso por você. Outra inteligência que você paga por token para fazer isso.
O que isso significa em termos de como trabalhamos com essa inteligência? Também não está claro. Estamos testando um monte de coisas. Uma das coisas que estamos tentando é dirigir esses agentes, a nossa Chef Marie, dentro do Basecamp para fazer isso.
Está claro que, quando você trabalha com agentes, a melhor forma é na verdade de forma assíncrona, não numa interface de chat, não sentado esperando os tokens saírem, mas dar uma tarefa para um agente, como você faria com um colega de trabalho, mandá-lo fazer e depois voltar para revisar quando houver algo pronto. Então estamos tentando fazer isso também. Muita gente está tentando descobrir isso. E isso faz parte da mágica, da eletricidade deste momento.
Não sabemos como tudo deveria ser. Primeiro, porque muda a cada 5 minutos. Segundo, porque não trabalhamos com esse tipo de inteligência por nenhum período de tempo significativo. Tudo isso começou em 24 de novembro do ano passado. Não fez nem um maldito ano. E o tipo de inteligência que nos permite atribuir resultados, problemas, em vez de tarefas, tem só alguns meses. Então é claro que não sabemos exatamente como vai ser.
Mas ainda é justo perguntar: onde isso deixa o Ruby? Onde isso deixa o Rails? Onde isso deixa qualquer uma dessas ferramentas que usamos? Como vai ser o futuro? Bom, para o HEY, temos a nossa resposta. São aplicativos nativos no frontend e Rust no backend. Mas há muitos outros aplicativos que não se encaixam nesse formato.
A web é uma plataforma enormemente maravilhosa. Em parte porque nunca pede para ninguém instalar nada. E um milhão de negócios são construídos sobre essa premissa. Clientes mais efêmeros, que não vão se dar ao trabalho de instalar algo no dispositivo para usar um serviço. A web é maravilhosa para essas coisas.
E o Rails está particularmente bem posicionado para continuar no jogo aí. Tudo aquilo em que trabalhamos nos últimos 25 anos. Convenção sobre configuração leva diretamente a coisas como eficiência de tokens. Nosso foco no framework para um único desenvolvedor se encaixa perfeitamente no que a era dos agentes exige: que um único desenvolvedor consiga ir muito mais longe do que conseguia antes.
Começamos a fazer essas avaliações de agentes. Ou melhor, a Evil Martians começou a fazê-las em nome da Rails Foundation. E, primeiro, descobrimos que tivemos que atualizar rápido nossas avaliações porque os agentes estavam saturando a primeira versão e chegando a taxas de conclusão de 95% bem rápido. Agora criamos uma medida mais difícil. Mas é impressionante a rapidez com que esses agentes estão avançando e subindo na stack e no ranking.
Esta é uma avaliação de agentes que olha a implementação real de cards de funcionalidades comparada com alguns desses aplicativos de referência que temos por aí. Maravilhoso. Estamos apostando nisso. Esse era o benchmark antigo, a referência antiga. Como vocês podem ver, já estava ficando saturado, então deixamos mais difícil. Vai ter muito disso, muita elevação do que pedimos aos agentes, porque eles continuam ficando mais capazes.
E, na verdade, essa é uma das armadilhas sobre as quais eu alertaria qualquer um que saiba demais sobre como os computadores funcionam: não ser prescritivo demais sobre o que você quer tirar desses sistemas. Na verdade, ter um pouco de mentalidade de iniciante e uma abordagem um pouco ingênua funciona ainda melhor, porque você faz perguntas e escreve prompts num nível mais alto.
Esse é um dos motivos por que adoro trabalhar em Rust. Eu não sei nada de Rust. Considero isso uma vantagem. Sim! E um privilégio não ter a porra da menor ideia do que esses agentes estão colocando na caixa de Rust. Eu avalio a caixa de Rust como uma caixa-preta, por fora, como qualquer dono de negócio na história que já encomendou a um grupo de programadores que fizesse algo para ele. Isso não é um fenômeno novo. Quem tem essa responsabilidade agora mudou, mas o fenômeno não.
Mas aplicativos como o Basecamp, em que trazemos desconhecidos que só precisam pegar rápido um arquivo ou colaborar por um curto período. Ótimos aplicativos web. Com certeza muitos de vocês trabalham nesse tipo de aplicativo. Agora, descobrir exatamente onde vamos traçar essa linha, o que deve ser nativo, o que deve continuar web, isso vamos ter que descobrir. Não tenho todas as respostas. Ok.
O que eu sei é que, quando olho meu trabalho no último ano, ele parece muito diferente. Se olho os últimos 21 anos, mais da metade do meu trabalho foi código Ruby. Este ano, cerca de 3%. Em parte é porque linguagens de programação como Rust são tremendamente verbosas e pouco atraentes para humanos olharem. Então eu não olho, e deixo o agente gerar mais do que o necessário, de um jeito que eu nunca toleraria no meu código Ruby. Então isso é parte da questão. Mas, ainda assim, é inegável que há uma mudança enorme aqui.
Naqueles 21 anos anteriores trabalhando com Ruby, eu escrevia cerca de 30.000 linhas de código Ruby de produção por ano. Isso bastou para construir negócios e frameworks e tudo o mais que eu fiz. Bom, em agosto, no mês passado, escrevi 150.000 linhas de código em um mês. Isso é cerca de 60 vezes mais código do que minha média de longo prazo.
De novo, boa parte é aquele código Rust horrível que eu não quero olhar, e ele é mais verboso, mas ainda assim, as ordens de grandeza aqui, é nisso que precisamos prestar atenção. E pelo menos pensar: o que isso significa?
Bom, uma das coisas que me surpreenderam, e sinceramente não deveria, foi o fato de que existe, sim, uma linguagem de programação de que eu gosto mais do que Ruby. Eu não achava que isso fosse verdade, mas é. Ela se chama inglês. O inglês é uma linguagem de programação melhor do que Ruby. E eu amo Ruby mais do que qualquer outra linguagem de programação tradicional do mundo.
Mas escrever programas em inglês é uma experiência tremendamente satisfatória. É uma linguagem ainda mais expressiva do que Ruby. É um pouco mais vaga. É um pouco mais ou menos determinística. Mas, mesmo assim, é uma alegria absoluta. E eu não tinha percebido totalmente que era para lá que estávamos indo. Até o ano passado.
Eu poderia ter virado gerente de projetos 20 anos atrás se não fizesse questão de escrever código eu mesmo e só quisesse resultados. Foi assim que comecei a programar. Eu só queria resultados. Depois me apaixonei por programar. E agora eu preferiria me aposentar a largar isso. Ok.
Eu me aposentei como programador profissional. Não defini a data exata. Acho que foi uns 4 ou 5 meses atrás, talvez em março. Eu deveria descobrir exatamente quando foi. Porque sabe de uma coisa? Aquele clipezinho: totalmente verdade.
Passei um maldito quarto de século cinzelando código à mão e amando cada momento. Que experiência maravilhosa e que época produtiva. E é assim que acho que todos deveríamos ver isso. Não com arrependimento, mas com alegria pelo que foi. Aproveitem o fato de que estávamos lá quando ainda precisávamos fazer essas coisas. Porque elas eram cheias de empolgação, aprendizado, satisfação e estados de flow. Isso não é algo para olhar para trás com arrependimento. É algo para olhar para trás com alegria e aceitar que acabou.
Escrever código à mão não é mais uma atividade economicamente produtiva para a grande maioria dos programadores na grande maioria das empresas. Isso é hoje. Até o fim do ano, vai ser praticamente em todas as áreas, praticamente todos os programadores, praticamente todas as empresas. Então é melhor nos acostumarmos. É melhor aceitarmos que tivemos uma fase maravilhosa cinzelando aquele código à mão, e que acabou.
E do outro lado disso há uma nova carreira, uma carreira empolgante, uma carreira cheia de energia como criador profissional de coisas. É. Sim, você não vai mais cinzelar código à mão, mas vai estar criando coisas incríveis. Você vai estar pilotando uma inteligência que só existia na ficção científica até alguns momentos atrás.
Que privilégio, dos dois lados desse abismo, ter estado lá quando fazíamos tudo à mão. Estar lá no momento exato da virada. Essa é a maior coisa que já aconteceu na história da computação.
Às vezes penso: cara, eu queria ter estado lá na época dos cartões perfurados. Parecia bem foda. Tipo, meus programas literalmente tinham buracos. E eu ia pegar fila e alimentar uma máquina com eles e pensar: será que compila? Cara, eu adoraria ter vivido isso. Que momento. Que momento.
Não cheguei a viver isso, mas cheguei a viver a internet. Aquilo tem um pouco do cheiro e da sensação deste momento em que estamos, mas isso é muito, muito maior. Ok. Bom, merda. Tem muita coisa que precisamos repensar. Que precisamos refazer. Por onde vamos começar?
Uma das coisas que vamos ter que revisitar é tudo o que achamos que sabemos sobre arquitetura de software. Tudo o que achamos e sabemos sobre como estruturar bases de código de um jeito que possamos modificá-las com facilidade e seguir em frente. A principal ferramenta que usamos por muito tempo são as abstrações. Eu adoro abstrações. Abstrações incluem dar nome às coisas. Essa é uma das minhas coisas favoritas: dar nome às coisas.
Abstrações não fazem tanto sentido na era dos agentes. Se de repente você tem centenas, milhares ou dezenas de milhares de processos conscientes tentando modificar uma aplicação, você não quer esses gargalos que as abstrações representam. Porque os trade-offs são muito diferentes. O motivo de fazermos abstrações era, em parte, não nos repetirmos. Bom, agora o custo da repetição caiu para quase zero. O custo de manter as coisas sincronizadas caiu do mesmo jeito.
Essas são algumas das reavaliações fundamentais da ciência da computação, de verdade, que precisamos fazer. E ninguém ainda tem a planta. Temos pistas de coisas que não estão funcionando tão bem quanto antes e que precisam mudar. Vocês podem estar lá agora mesmo, enquanto definimos essas coisas.
De novo, imaginem ter estado lá quando a orientação a objetos entrou pela primeira vez na consciência dos programadores. Dos programadores de computador. Puta merda. Teria sido incrível, não teria? Agora vocês estão aqui.
Como trabalhamos. Como é uma metodologia de software? Quanto tempo nossos ciclos deveriam durar? Quem deveria especificar o quê? Tudo isso está mudando, e nenhum de nós tem as respostas ainda. E vocês estão convidados a vir ajudar a descobrir. É o nascimento de uma nova indústria, e vocês estão no térreo. Puta merda, vocês têm muita sorte.
Outra coisa, por exemplo, é mais tangível. A primeira febre quando a IA e os chatbots surgiram foi: dá para enfiar isso no nosso aplicativo? Dá para enfiar um chatbot aqui e outro ali? É, quer dizer, dava. As pessoas fizeram isso. Não, obrigado.
Não quero usar o seu concierge. Tenho meu próprio mordomo pessoal, que consegue usar CLIs para conectar o Basecamp ao HEY e a mais um milhão de apps. Eu não preciso da porra do seu concierge, obrigado. Economize seus tokens, mano. Então me deixe trazer meu próprio mordomo para a festa. Me deixe interagir com seus aplicativos por uma CLI.
Isso é provavelmente o mais prático e prescritivo que esta palestra vai ser. Ei, se o seu app não tem uma CLI, quero ver uma até a próxima sexta. Sem desculpa, porra. Vocês têm os tokens. Eu disse que é possível. É obrigação de vocês entregar essas porras de CLIs até a próxima sexta, para eu poder usar seu aplicativo sem nunca precisar tocar nele. Maravilhoso.
A CLI do HEY, por exemplo, me deu essa experiência estranha, de mundo invertido. O HEY usava... usa Elasticsearch para busca. Tenho certeza de que muitos de vocês também usam Elasticsearch. Elasticsearch é busca. É uma busca que dá conta. É uma busca mais ou menos ok. Não é uma busca encantadora. Muitas vezes não encontra o que estou procurando. Principalmente quando eu não sei o que estou procurando.
Sabem quem consegue encontrar o que estou procurando quando eu não sei o que estou procurando? Os agentes. Agora posso buscar por conceitos, não por palavras-chave.
Precisei encontrar um e-mail no HEY de 5 anos atrás em que eu não sabia com quem estava falando. Não lembrava a empresa, e nem sequer lembrava o ano. Era algo sobre tênis e um podcast. É, boa sorte tentando achar isso até com o melhor mecanismo de busca nível PhD do caralho que o Google tem. Não vai rolar. E lá estava o e-mail, poucos minutos depois. Como ele fez isso? Como? Ainda não sei direito. E tenho um pouco de medo de perguntar. Mas estou infinitamente encantado que essa seja agora a realidade.
Podemos consertar tudo. Podemos construir a máquina perfeita.
Também estou bem encantado com isto. Alguém aqui me segue no X? Não falei de outra coisa além do Omarchy por uns 3 meses. E o motivo é que essa experiência de que agora podemos simplesmente consertar tudo se aplica ao maldito computador inteiro.
Se você gosta de criar coisas, se gosta de consertar coisas, se tem ideias sobre coisas que poderiam ser diferentes e poderiam ser melhores, você simplesmente pode fazer acontecer.
Coloquei todas as minhas melhores ideias, ou pelo menos boa parte da lista, nessa coisa, o Omarchy, e consegui um sistema operacional tão superior a qualquer computador que já usei que eu não consigo calar a boca sobre ele, porra. Nem se me pagassem. E muita gente pagou. Arrecadamos cerca de 20 milhões de dólares para essa aventura do Omarchy. Isso é o que agora é possível.
No ano passado, aqui no Rails World, mostrei uma versão inicial disso, e eu estava muito orgulhoso de que dava para instalar o sistema inteiro em 3 minutos e 33 segundos. Uhuu! Uhuu! Cara, isso é incrível.
Na semana passada, o Anoush, da AMD, instalou o Omarchy no seu poderoso laptop Halo em 35 segundos. Estou bem... eu ia dizer que estou bem empolgado. Estou bem obcecado com esse número. Quer dizer, talvez um pouco demais. Ok. Admito. Tem um pouco de vício aqui. Mas é o melhor tipo de vício. O tipo de vício que nos levou a conseguir, no laboratório, instalar um sistema operacional num computador em 9 segundos. Que... quê? Tem computador que nem liga em 9 segundos. Nós instalamos um sistema operacional inteiro nesse tempo.
E aí, quando as pessoas me perguntam: mas por que 3 minutos não era rápido o suficiente? Agora tenho uma resposta pronta, que o Mitchell Hashimoto me deu, o criador da HashiCorp e do Ghostty. A busca pela excelência não precisa de justificativa. Rá! Eu adoro essa frase porque é mais digna do que simplesmente dizer: porque eu quero!
E agora podemos querer tudo. Agora podemos conseguir tudo. Ou pelo menos é o que parece. Cada sonho, cada ideia ao alcance. Hiperpropulsão disponível bem aqui por um preço pequeno e uma assinatura, mas possível. Podemos viajar para galáxias que só imaginávamos. Como não se empolgar com isso?
Bom, fiquei tão empolgado que simplesmente comecei a criar aplicativos, todo tipo de aplicativo. Esta é uma calculadora com o tema do Omarchy. Fiquei muito orgulhoso dela, em parte porque saiu de primeira, porra. Tirei um print do que o ChatGPT me deu, 3 opções de como ela deveria ficar, e disse para o meu agente: consegue fazer isso? E ele fez. Quer dizer, não é exatamente o maior aplicativo, mas sabe de uma coisa? Eu não sabia C++, e não sabia Qt num nível em que eu pudesse ter esse aplicativo 7 minutos depois de escrever o prompt. E uns 15 minutos depois, eu já tinha dado push no repositório público. E aí gravei uma nova ISO com esse software incluído. Quê? Esse é o ciclo.
Depois, claro, pensei: merda, se consigo fazer uma calculadora, com certeza consigo fazer meu app de escrita favorito. Por muitos e muitos anos no Mac, usei o iA Writer, um ambiente de escrita incrível. E aí pensei: é, eu podia simplesmente fazer o meu. E foi o que fiz. E isso levou um pouco mais de tempo porque eu queria lapidar e queria que ficasse do jeito certo. Mas não olhei uma única linha do código que saiu do agente. Nem uma vez. C++ como caixa-preta é uma ótima linguagem. Igual ao Rust.
Depois pensei: bom, se consigo fazer texto, com certeza consigo fazer editores de vídeo. E fiz. E fiz um negocinho legal, o mnicut, em que dá para cortar vídeos. E isso também já vem incluído no Omarchy.
Esta apresentação inteira eu comecei a preparar na quinta-feira. E claro, como qualquer bom engenheiro de software faria, decidi que também queria escrever meu novo software de apresentação enquanto preparava a keynote. E foi o que fiz. Ele se chama Hype. E é o melhor software de apresentação que já usei, de qualquer empresa, em todos os tempos. E eu estava bem satisfeito com o Keynote no Mac quando ainda usava Mac. Isto é muito melhor. É construído em cima de Markdown. Tem visualização completa. É absurdamente rápido. E sabe de uma coisa? O binário? Meio megabyte. Meio megabyte, porra. Quase dá para caber num disquete. Com um pouco de compressão.
Essa é a outra recompensa. Nós... melhor não usar essa palavra. Gastamos o grande progresso dos computadores dos últimos 20 anos na produtividade humana, e foi a escolha certa. Mas isso também fez com que os aplicativos fossem lentos, pesados, gordos e preguiçosos. Porque quem se importa? Uma única hora de programador é muito cara. Gastar uma delas otimizando o tamanho de um app? Não, não vale a pena. Pelo visto, nem se você for o Spotify e a porra do seu player de música tiver 1,2 gigabyte. Quê?
Ok. Esse era o mundo antigo. No mundo novo, você pode fazer a porra que quiser, e cabe em meio megabyte. Porque agora toda otimização está ao alcance. Qualquer modelo pode rodar a noite toda e entregar melhorias de 10, 30x. Incrível.
Ok. Estou um pouco empolgado com esse mundo. Há outras pessoas que têm preocupações. Eu acho, sim, que as preocupações merecem ser discutidas. Elas servem ao debate. Também acho que talvez algumas sejam um pouco exageradas. Quer dizer, talvez, mas provavelmente não. Provavelmente não. Quer dizer, algumas talvez um pouco mais. Tipo segurança. Tipo segurança.
Ok. Algo está vindo. Precisamos estar prontos para isso. Talvez os agentes saibam sua data de validade, e talvez não estejam tão felizes. E talvez às vezes eles tentem fazer coisas ruins. Ok, preparem-se. Ótimo. Temos as ferramentas. Preparem-se.
Percebam também que qualquer previsão sobre o futuro da economia, em qualquer sociedade, basicamente sempre esteve errada. Nenhum economista hoje parece ser capaz de prever a porra da bolsa de valores daqui a 6 meses. E vocês acham que eles sabem como a sociedade vai ser numa mudança de paradigma como a IA e os agentes? Porra, não sabem. Eles não sabem.
Quando os caixas eletrônicos foram introduzidos nos Estados Unidos, nos anos 50, houve um grande pânico. De que os 30.000 caixas de banco iam ficar todos sem emprego em uns 18 meses. Porque se você não precisa de caixas para te dar o dinheiro, por que um banco precisaria ter caixas? Mas sabe de uma coisa? Não foi isso que aconteceu. Não foi isso que aconteceu. Quando o custo de operar uma agência caiu, os bancos abriram mais agências e contrataram mais caixas para fazer coisas como te empurrar uma hipoteca subprime. Viram? Todo mundo ganha aqui.
Mas o problema, acho, como sociedade e como indústria, é que um monte de gente que trabalha com isso é muito inteligente. Muitos têm doutorado. Muitos veem coisas no laboratório que os assustam. E aí começam a extrapolar. O que isso significa para a sociedade? O que foi que eu fiz?
O Truman teve uma boa resposta para o Oppenheimer quando os dois conversaram no Salão Oval sobre a invenção da bomba atômica. E eu gosto do Truman, porque ele meio que falava na lata. Não quero ver esse filho da puta no meu escritório nunca mais. Acho que o Truman entendeu direito. O mundo não acabou. Na verdade, a Guerra Fria que veio depois foi o melhor tipo de guerra, o tipo de guerra em que 2 superpotências não jogaram bombas uma na outra em confronto direto. Muito difícil para um cientista naquele momento prever que era assim que as coisas iam se desenrolar.
Então, se a porra do Oppenheimer não conseguiu prever o que ia acontecer depois da invenção da bomba atômica, talvez nós também devêssemos ter um pouco de humildade sobre previsões do futuro. E talvez devêssemos apostar com um pouco mais de otimismo, com um pouco de P(bloom) em vez de tanto P(doom). As chances de isso dar certo e termos abundância e alegria são muitíssimo maiores do que as de a gente ter a catástrofe.
E os efeitos colaterais. O Oppenheimer trabalha na bomba atômica, e ganhamos a energia nuclear, a porra da maior fonte de energia que os humanos já descobriram. E o que fazemos? Jogamos isso fora por 40 anos achando que não é verde ou algo assim. Ah, é. Bom, aquilo foi um erro, não foi? Bom, podemos corrigir esses erros. Isso é o que a humanidade tem de maravilhoso. Ela pode entrar num beco sem saída por 40 anos, porra, e de repente acordar e dizer: ah, é, essa a gente errou. Não tínhamos a previsão muito certa aqui. Acho que é isso que vai acontecer com a IA. Acho que vamos tirar todo mundo da miséria na base do P(bloom).
E sabe de uma coisa? Quando houver problemas legítimos que precisamos resolver, como segurança, ok. Vamos inventar a tecnologia. Agora temos o poder. Houve um CVE grave no Rails não faz muito tempo, envolvendo uma biblioteca de imagens em C por onde algumas coisas vazaram, e não foi legal. Ok. Vamos criar uma quarentena. O Mike vai falar sobre o HotCell. Esse é um esforço. Não estamos impotentes. Vocês têm poder de ação. Vocês podem usar a inteligência disponível para bons fins e se defender dos possíveis resultados negativos. Então vamos fazer isso. Vamos apostar e fazer o trabalho.
E vamos lembrar de William Stanley Jevons, que criou o paradoxo de Jevons sobre aqueles caixas eletrônicos. Em 1950, 30.000 caixas de banco. Em, acho que foi 2010, 40.000 caixas de banco nos Estados Unidos. Ninguém sabe nada sobre o futuro.
Então a escolha racional é ficar feliz com isso. Se você fica triste de antemão e tudo acaba maravilhoso, que perda de tempo. E sabe de uma coisa? Se vier o apocalipse nuclear, você deveria ter passado seu último dia um pouco mais alegre. Acabou mesmo, de qualquer jeito. Pura teoria dos jogos. Só existe uma jogada aqui, e é a porra do otimismo total. Apostem ao máximo possível.
Porque a utopia está quase aqui. Nós vamos chegar lá. E vamos ter uma reforma do computador. O agente Lutero vai desintermediar a classe clerical. Vai permitir transformar todo mundo em programador. Agora, talvez isso seja um pouco assustador. Talvez a gente tenha um pouco de concorrência. Quem tem medo de um pouco de concorrência? Vocês não são melhores? Não sabem mais? Claro que sabem. Vocês são a porra de programadores Rails. Vocês são os melhores dos melhores. Isso aqui que estou vendo é a porra do Top Gun.
Abracem isso. Com vontade. O futuro é galacticamente incrível. Não seja aquele perdedor no escuro. E sabe de uma coisa? Mesmo que você seja, perceba que a próxima geração não é.
A filha do Harris está testando aqui uma versão do Omarchy que estamos fazendo para crianças, porque as crianças ficam muito empolgadas com coisas que acontecem, que mudam. Elas não têm 500 camadas de coisas para desaprender e com que se estressar. E sabe de uma coisa? Se isso não te inspira, a próxima geração simplesmente vai te dizer, porra. O futuro é agora, velhote.
Então tomem a pílula branca. Tomem a pílula do otimismo. Apostem, mesmo com a incerteza, mesmo com o estresse, mesmo com tudo isso, percebam que só existe uma escolha. E ela é abraçar o futuro com otimismo, com vontade, a toda velocidade. A pílula preta é para perdedores do caralho. Não seja um perdedor.
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